Sumário #2 – Mudanças na Universidade após a pandemia

 

Com este longo período de afastamento físico de nossas Instituições muita coisa mudou. Uma crise sempre desencadeia mudanças importantes de comportamento, muitos problemas que não foram enfrentados surgem com toda a força. As Universidades são tradicionalmente conservadoras e não gostam de mudanças mas a pandemia obrigou a muitas mudanças e mudanças radicais tendo evidenciado problemas já existentes. Considerando este fato preparei esta lista comentada de posts que haviam sido publicados no site, alguns bem recentes outros mais antigos que já identificavam os problemas que agora surgiram com toda a força. Certamente o assunto é bem crítico. Após o controle da pandemia precisaremos mudar muito nosso comportamento, novos hábitos se desenvolveram, problemas foram ou identificados ou se tornaram visíveis e nada será como antes. Precisamos pensar e, principalmente, agir para criar um novo ambiente de trabalho. Na coluna direita, para cada post existe uma lista de “Leituras recomendadas”, esta lista é calculada automaticamente e oferece conteúdo relacionado com o tópico. Espero que aproveitem o material.

Crise no ensino da computação – junho 2006

Já naquela época estava preocupado com a qualidade no ensino massificado de computação. Pois é, o tempo passou, a sociedade mudou e hoje programadores trabalham via Internet por algumas dezenas de dólares subvertendo o mercado mundial de trabalho. E olhem o que aconteceu com o software terceirizado do Boeing 737Max! É claro que não estou me referido a bons alunos dos melhores centros de ensino e pesquisa, estou considerando uma população gigantesca de alunos seguindo os diversos cursos de computação. A competição, hoje, está baseada em critérios mundiais, não adianta ter um título universitário é preciso ter alta competência para ter alguma chance de sucesso.

Para que Diploma? – novembro de 2006

O problema são as pessoas que, concluindo uma Universidade, não exercem a profissão. A tabela incluída no post, mostra a percentagem de pessoas que continuam trabalhando na sua área de formação universitária. Desde Enfermagem com 84% de permanência até Estatística com 17%, Biologia com 9% e Ciências Econômicas com 9%. Então algo muito errado está acontecendo com a formação superior no Brasil.  Nestes casos o diploma serve, na melhor das hipóteses, como realização pessoal, é realmente um diploma de parede. E os recursos que poderiam ser muito melhor aplicados em cursos de formação técnica?

A qualidade do Ensino depende do número de horas-aula? – outubro de 2011

Em nossas universidades encontramos o modelo antigo transposto para a tecnologia, mas sem mudar a ideia de paternalismo no ensino com aulas de 60 horas ensinando e explicando cada pequeno tópico, ai temos: Abundância de informação e pobreza de reflexão; Necessidade de trabalhos para casa; Muitas universidades tem um modelo de negócio em que o pagamento pelos alunos é feito em base do número de aulas, o mesmo para o salário dos professores; Aulas de laboratório que são cópia de aulas expositivas com tudo a fazer determinado. É precisa uma mudança radical, o importante é o trabalho dos alunos e sua capacidade de trabalho independente.

Confissões: A Universidade ontem, hoje e amanhã – maio de 2016

O título procura mostrar que o conteúdo é muito mais decorrente da minha vivência pessoal do que de uma análise acadêmica baseada em dados quantitativos e análise formal. Mas considero que as experiências vividas devem ser analisadas com muito cuidado pela sua real contribuição. O texto é mais uma análise da história de nossas Universidades Públicas nestas últimas décadas. Hoje há algo que me preocupa é um retorno para aquela visão inicial de práticos ensinando: há cursos fazendo a propaganda de serem muito orientados para o mercado. Seus professores são pessoas que atuam no mercado e seus alunos teriam uma inserção rápida. Isto é um retorno aos tempos antigos?

Precisamos de alunos em tempo integral! – junho 2016

Este texto gerou uma forte reação, um colega de uma boa universidade privada, com cursos majoritáriamente a noite, me acusou de estar atacando seu modelo de ensino. Não é nada disso, o problema é competitividade real, o mundo hoje é extremamente competitivo e precisamos decidir se as universidades serão prolongamentos do mercado dedicadas a formação de mão de obra ou centros de excelência. Minha conclusão é que como os alunos são em grande parte de tempo parcial é preciso usar a antiga prática de “ensinar” tudo na aula. O professor usa o tempo para explicar tudo e fazer exercícios para os alunos acompanharem. Depois, na prova, é cobrado exatamente o que foi ensinado em aula. Todos os que conhecem as boas universidades no mundo sabem que o período da noite é utilizado pelos alunos para “dar duro” (burning the nidnight oil) e estudar e trabalhar em assuntos acadêmicos, aqui em muitas instituições é o período normal de aulas.

As Universidades brasileiras são competitivas? – outubro 2016

Pensando na crise que assisto em muitas Universidades brasileiras resolvi me perguntar se elas são mesmo competitivas. Nossas Universidades podem ser comparadas com as realmente boas no mundo? E os programas de pós-graduação como são avaliados? Há uma falta de candidatos ao ingresso em muitos cursos e isto provoca problemas. Pergunto: quantos professores são convidados para trabalhar em uma outra Universidade brasileira com a oferta de melhores condições de trabalho ou mesmo melhores salários para criar um grupo de alta qualidade? Costumamos empregar professores e pesquisadores de alto nível pelos desafios e pela qualidade das Universidades?

As Universidades se esqueceram que são IES – Instituições de Ensino Superior – maio 2017

Hoje as Universidades avaliam seus professores quase que exclusivamente por suas atividades de pesquisa e por suas publicações. Tenho escrito sobre a avaliação na pós-graduação, mas agora vou começar a tratar um pouco da avaliação dos professores na graduação e na missão das Universidades. As nossas Universidades se esqueceram que são Instituições de Ensino e que a pesquisa é uma forma de qualificar seu Ensino. Certamente em tópicos precisos, fundamentais ou tecnológicos podemos gerar contribuições excelentes, mas somos Professores. Afinal parece que a real missão é a formação de alunos sendo que a interação humboldtiana da pesquisa com o ensino tem por objetivo a Formação de Recursos Humanos. Um assunto para meditação.

Sou culpado? – janeiro 2019

Com os problemas que estão aflorando nas Universidades resolvi reescrever este texto sobre a ideia de transferir a responsabilidade do estudo para as instituições e professores de forma a isentar os alunos de suas responsabilidades. Tem ocorrido problemas sérios de alunos de pós-graduação deprimidos, até tentativas de suicídio. Outros reclamando da Universidade pois os conhecimentos exigidos são acima do que estudaram na escola. Aqueles que são professores em Universidades Públicas têm a responsabilidade adicional de não serem contagiados com esta falsa culpabilidade e mostrar aos alunos que eles são os que estão gastando recursos públicos e que têm a responsabilidade de dar “Blood, Toil, Tears and Sweat” como agradecimento aos brasileiros que pagam impostos.

Computadores, criatividade, estética, qualidade e o Futuro do Trabalho – maio 2020

Com a COVID-19 estamos percebendo que muita coisa pode ser realizada com as plataformas de Tecnologias de Informação disponíveis. Depois de passada a crise será possível analisar os resultados obtidos com as diversas alternativas desenvolvidas. Mas como diz a música “Sei que nada será como está Amanhã ou depois de amanhã“, a vida normal vai recomeçar, mas diferente. Aqui apresento uma visão até otimista de que após a grave crise da Peste Negra na Europa um resultado foi uma mudança na visão do mundo das pessoas na Itália do século XIV e isso levou ao Renascimento. Minha expectativa é que a pandemia da COVID-19 leve a Humanidade para um novo Renascimento.


 

 


Sumário #1 – Programas de Pós-graduação – 30 de março de 2020