Depois da palestra procurei responder as questões com mais apoio dos participantes. Agora vou tratar com mais tempo de todas as questões que tiveram pelo menos seis apoios. O número antes das questões indica o total de apoios recebidos, no total tivemos cerca de 514 participantes ativos até o final da apresentação. Notem que as respostas estão alinhadas com as areas de Computação e de Informática no Ensino, outras areas podem necessitar de ajustes no enfoque.
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35 Como fazer autoavaliação?

A autoavaliação é um processo participativo, cada professor do programa deve colaborar no processo. Há técnicas como o método Delphi (Wikipedia) que podem ser utilizadas para que o grupo atinja um consenso. Como a avaliação multicritérios têm inúmeros indicadores para cada dimensão é preciso identificar quais são os Fatores CRíticos de Sucesso para cada programa específico.

Método Delphi para a tomada de decisão é caracterizado pelas seguintes fases:

1- Identificação do problema, construção do questionário e apresentação dele a cada um dos elementos do grupo;

2- Resposta ao questionário de forma anônima e independente por cada um dos elementos do grupo;

3- Compilação das respostas e sua distribuição pelos membros do grupo acompanhadas do questionário revisto;

4- Resposta ao novo questionário da mesma forma descrita na fase 2, isto é, de forma anônima e independente;

5- Repetição das terceira e quarta fases até se atingir uma solução de consenso.


33 O que a CAPES espera das PPGs na parte da Inserção Social?

Não se trata de perguntar o que a CAPES espera, o que devemos perguntar é o que o nosso programa pode fazer na dimensão da Inserção Social. É importate o alinhamento do programa com o contexto socio-cultural da sua região. Por exemplo: um programa em uma região agropecuária deveria buscar na sociedade problemas reais para poder desenvolver aplicações, modelos matemáticos alinhados com o tema,ferramentas de ensino com aplicações na area.


24 Como criar os critérios de avaliação com antecedência para não mudar as regras do jogo durante o período a ser avaliado?

Este é um ponto complexo, a justificativa para criar uma tabela de valores ao final do período é que isso permite uma avaliação mais consistente da realidade, a definição prévia induz aos professores e programas – no caso QUALIS – publicarem naqueles veículos mais bem valorizados. A autoavaliação permite aos programas definirem as areas mais importantes e quais metas desejam atingir. Para definir as metas é necessária a identificação dos indicadores para a avaliação, no final do período os programas deverão analisar como trabalharam e se atingiram os objetivos propostos.


23 Como lidar com a obsessão do QUALIS?

A ideia principal é estimular a autonomia dos programas e entender que há uma enorme diversidade de contextos, um modelo para todos não faz sentido (One size fits all). Então cada programa deve ser responsável pela definição de seu modelo. Isso implica em muito mais responsabilidade e amadurecimento dos programas, não precisamos de algum órgão nos dizendo o que e como fazer, cada um é responsável por seu modelo.


19 Como você sugere que devemos mapear (acompanhar) os egressos? E como apresentar isso no relatório?

O acompanhamento dos egressos é um processo contínuo e, além disso, uma mudança cultural. Normalmente os programas se preocupam somente com as pessoas que estão atuantes academicamente no momento, professores, alunos e colegas externos. Há pouco interesse, diria até um desprezo, com os antigos alunos, professores e parceiros de projetos concluídos. O resultado é a perda de um grande suporte e conhecimento disponível. é preciso garantir o contato permanete com os antigos alunos e pessoas que participaram do programa, isso forma uma rede de apoio e troca de conhecimento. O que se passa é que ficamos demasiadamente dependentes de instituições governamentais e nos esquecemos de a rede de contatos (networking) são essenciais para encontrar oportunidades, oferecer posições para os formandos e apoiar as demandas da pesquisa. Mas para isso é preciso esforço, se os professores só pensarem em publicações QUALIS não irão “perder tempo” criando plataformas, listas e mantendo viva a rede.


15 Qual o papel da CPA na Avaliação

Encontrei esta definição:

A função da CPA é coordenar a Autoavaliação Institucional da Universidade, desde a definição do instrumento de avaliação até a redação do relatório que é enviado anualmente. O objetivo deste relatório é subsidiar o planejamento administrativo e pedagógico da Universidade e auxiliar o INEP/MEC durante o processo de reconhecimento dos cursos e recredenciamento da instituição.

O risco é se transformar em uma organização burocrática visando atender os desígnios do MEC, a CPA deveria criar o modelo de autoavaliação incluindo os programas de pós-graduação.


15 Como seria uma avaliação qualitativa satisfatória? Como excluir a subjetividade?

Não há como excluir a subjetividade, aliás a subjetividade é um elemento necessário no julgamento. O que está ocorrendo é uma tentativa de transformar o julgamento humano em um algoritmo de análise de dados. A justificativa é que seria um processo mai isento e objetivo, apenas os que defendem esta posição escondem que os critérios de avaliação embutidos no algoritmo são subjetivos e passíveis de manipulação para atender os interesses de quem os define. Se não houvesse julgamento humano os tribunais seriam dispensáveis e algum oráculo nos poderia dizer que a reposta é 42! (O Guia do Mochileiro das Galáxias)


11 Qual nossa melhor saída para P&E a curto prazo?

Separar o Urgente do Importante. É preciso identificar os grandes objetivos do programa e tentar fazer as coisas urgentes que sejam possíveis e que esteja alinhadas com estes objetivos.


9 O que sugere sobre o planejamento estratégico do PG?

A resposta é a da pergunta acima: é preciso um consenso dos professores e a definição clara de objetivos a longo prazo.


9  Um fator critico que temos hoje é o número de bolsas e o valor das bolsas de pós-graduação.

Certamente é um problema, mas é o resultado de termos nos acostumados a viver na exclusiva dependência do Governo. É preciso que saiamos em busca de outras fontes de financiamento, empresas, organizações sociais, projetos internacionais e, principalmente, Fundos Patrimoniais como o citado a seguir.

  • Fundo Centenário da Escola de Engenharia da UFRGS.
    • Ainda hoje, comenta-se muito sobre a mentalidade imediatista dos brasileiros. Enquanto sabemos da importância de desenvolvermos soluções que resolvam os problemas de hoje, é imprescindível nos prepararmos para os que virão amanhã. Com essa ideia em mente, surge o Fundo Centenário: o primeiro fundo patrimonial em uma universidade federal brasileira. Lançado oficialmente em 2019, o projeto é fruto de um grande esforço coletivo de concepção e de estruturação iniciado em 2017.

9 Como dar transparência da avaliação feita por métodos qualitativos? Há exemplos mundiais desta solução?

Sim, em todos os países desenvolvidos os dados quantitativos servem para embasar a decisão de comitês externos de pesquisadores seniores que realizam as avaliações de programas, projetos e universidades.


8 Por que o Brasil ainda não tem um Prêmio Nobel? O que falta na sua opinião?

Falta uma tradição de cultura, no começo do século 19 já havia 278 jornais editados em Londres. Até 1808 o Brasil era mantido como uma colônia isolada, apenas um em dez brasileiros sabia ler. Em 1776, ano da independência dos USA, a tiragem de jornais lá era cerca de três milhões de exemplares por ano, no Brasil este número foi atingido dois séculos depois. Nos USA Harvard foi criada em 1686, no Brasil as primeiras Universidades só apareceriam no início do século XX, antes havia cursos isolados. Em 1822 um professor ganhava 70 mil réis anuais, um terço do pagamento de um feitor de escravos. {em 1822, Laurentino Gomes, Editora Nova Fronteira, ISBN 978-85-209-2409-9, p.50-51}. Atualmente se nota uma falta de apoio dos políticos e da sociedade às Universidades e à Cultura Científica, a pandemia COVID-19 está mudando a visão dos meios de comunicação sobre a Ciência. Precisamos mostrar a importância das Universidades e da Ciência. Além disso a falta de inserção mundial é crítica, por exemplo, Jorge Amado seria um ótimo candidato a Nobel de Literatura.

8 Cooperação é fundamental. Alguns programas de pós dividem a pontuação de uma publicação pelo numero de professores que participam. Isto estimula a cooperação?

Certamente não, tenho sempre me batido contra esta obsessão QUALIS, minha esperança é que uma avaliação multidimensional modifique esta visão competitiva interna.


7 Quais estratégias podemos implementar nos programas de pós-graduação profissionais para envolver docentes, discentes e egressos no processo de avaliação?

É o que respondi na primeira questão, será necessário desenvolver um processo de cooperação para que objetivos comuns possam ser atingidos. Os gestores precisam desarmar a horrível polarização ideológica que está estabelecida no Brasil. Cada um pode e deve ter sua posição, mas usando esta posição oferecer pontos de vista, baseados em critérios claros, que possam a levar o programa a uma atitude cooperativa.


6 O que achas da falta de mecanismo efetivo e eficiente para a inclusão de recém-doutores formados no brasil e no exterior?

O modelo de formar mestres e doutores para que formem mestres e doutores está concluído, agora é preciso que este pessoal passe a atuar junto às empresas, organizações sociais, startups  e outras atividades fora da academia. Olhando a árvore genealógica acadêmica de meus ex alunos, verifiquei que quase a totalidade está em Universidades, esse modelo atingiu seu limite.


6 Como os atores da sociedade irão efetivamente participar do processo de avaliação para pautar a relevância social?

Depende dos programas mostrarem a su importância. A atual crise da COVID-19 abriu um enorme espaço na mídia sobre a importância da pesquisa e das universidades. Precisamos aproveitar esta visibilidade e, sempre, mostrar para a Sociedade a importância de nosso trabalho O mundo é muito maior do que CAPES, FAPs e CNPq.