Lei de Goodhart – “Quando uma medida se torna uma meta, ela deixa de ser uma boa medida.”

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Lei de Goodhart é um enunciado atribuído ao economista britânico Charles Goodhart, que apresentou a ideia em um artigo de 1975 sobre política monetária No Reino Unido, Problemas de gestão monetária: a experiência do Reino Unido1.

Este princípio foi  desenvolvido para a análise econômica, se um governo tenta regular um grupo particular de ativos financeiros, eles deixam de ser indicadores confiáveis de tendências econômicas. Por exemplo, se o governo tenta controlar a inflação por meio do controle dos preços de um indicador como  o preço do chuchu2 este indicador se torna um proxy popular para avaliar a inflação, então o governo tentará influenciar o preço do chuchu para que ele reflita ainda com menos precisão o aumento inflacionário.

Originalmente foi uma proposição orientada para a Economia:

 A formulação original por Goodhart, ex-assessor do Banco da Inglaterra e Professor Emérito da Escola de Economia de Londres, é esta: “Assim que o governo tenta regular qualquer conjunto particular de ativos financeiros, estes tornam-se pouco confiáveis ​​como indicadores das tendências da economia.” Isso ocorre porque os investidores tentam antecipar o que o efeito do regulamento será, e investem de forma a beneficiar-se dele. 

Um célebre exemplo é o seguinte:

The most famous examples of Goodhart’s law should be the soviet factories which when given targets on the basis of numbers of nails produced many tiny useless nails and when given targets on basis of weight produced a few giant nails. Numbers and weight both correlated well in a pre-central plan scenario. After they are made targets (in different times and periods), they lose that value3.

“Os exemplos mais famosos da lei de Goodhart deveriam ser as fábricas soviéticas que, quando frente a objetivos com base no número de pregos, produziam muitos pregos minúsculos e inúteis e, quando os objetivos eram baseados no peso, produziam alguns pregos gigantes. Números e peso correlacionaram-se bem em um cenário de plano central. Depois de definidos objetivos (em tempos e períodos diferentes), eles perdem esse valor”.

Generalizando para outras áreas pode-se afirmar que “Qualquer regularidade estatística observada tenderá a entrar em colapso uma vez que a pressão seja colocada sobre ela para fins de controle”. Isto está ocorrendo com os índices de impacto e com o QUALIS. O tema está associada à Falácia de McNamara que envolve a tomada de uma decisão baseada unicamente em observações quantitativas (ou Métricas) e ignorando todos os outros

Felizmente alguma Universidades estão entendendo o problema e adotando visões mais amplas. Leiam este artigo da Nature “Impact factor abandoned by Dutch university in hiring and promotion decisions”4. É preciso ler o ótimo livro do Domenico De Masi “A Emoção e a Regra: os grupos criativos na Europa de 1850 a 1950“. Para atingir a criatividade e a qualidade é preciso motivação, o ‘brilho nos olhos’ e um líder agregador e obcecado pelo seu ideal. Tudo isso foi perdido na suposta ‘isonomia’ que conta uma infinidade de pontinhos para as progressões. No mínimo seria preciso entrar com provisoriedade até a livre docência (ou tenure) e depois uns poucos níveis de carreira, exigentes. 


 

  1. Goodhart, Charles (1975). “Problemas de gestão monetária: a experiência do Reino Unido”. Em Courakis, Anthony S. (ed.). Inflação, Depressão e Política Econômica no Ocidente. Totowa, New Jersey: Barnes and Noble Books (publicado em 1981). p. 116 ISBN 0-389-20144-8 []
  2. Apontado como o vilão da inflação há anos pelo então ministro da Fazenda Mario Henrique Simonsen []
  3. https://www.lesswrong.com/posts/YtvZxRpZjcFNwJecS/the-importance-of-goodhart-s-law []
  4. https://www.nature.com/articles/d41586-021-01759-5 []