Computadores, criatividade, estética e qualidade

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 Na Aula Magna, que marca a abertura do semestre letivo, o crítico, filósofo e professor italiano Nuccio Ordine, um dos maiores conhecedores sobre a Renascença na atualidade e grande especialista na obra de Giordano Bruno ministrou a conferência “A Utilidade dos Saberes Inúteis”. Esta palestra me lembrou de um texto que havia submetido para o seminário “Perspectivas e Grandes Desafios da Computação no Brasil 2006-2016”. Certamente as ideias que apresentei naquele momento se alinham perfeitamente a esta visão não-utilitarista. Eu tinha tratado de tema muito próximo quando discuti a integração da Arte e da Computação em um documento para discussão no Primeiro Fórum dos Grandes Desafios em Computação da SBC e que, voltando a atualidade, editei para analisar a revolução do trabalho após a pandemia da COVID-19. Agora fica, cada vez mais claro que precisamos evitar a exclusão da interdisciplinariedade de nossos programas de graduação e de pós e que novas formas de trabalho e de criatividade devem ser criadas.

 Na Aula Magna o professor defende a valorização dos conhecimentos não ligados diretamente ao alcance de resultados práticos, os chamados saberes “inúteis”, mas que são fundamentais para sedimentar as bases para um pensamento crítico da sociedade. Também desaprova o que chama de “empresariamento” do conhecimento científico, orientado pela lógica da produtividade extrema dentro do universo acadêmico. Para ele, essa prática ameaça a possibilidade de conceber a universidade como um lugar no qual se reflete, se ensina, se faz pesquisa. De acordo com o filósofo, a ótica utilitarista e do culto à posse acaba diminuindo a essência das pessoas, pondo em risco não só a cultura, a criatividade e as instituições de ensino, mas valores fundamentais como a dignidade humana, o amor e a verdade.