Sou culpado?

Com os problemas que estão aflorando nas Universidades resolvi reescrever este texto sobre a ideia de transferir a responsabilidade do estudo para as instituições e professores de forma a isentar os alunos de suas responsabilidades. Tem ocorrido problemas sérios de alunos de pós-graduação deprimidos, até tentativas de suicídio. Outros reclamando da Universidade pois os conhecimentos exigidos são acima do que estudaram (?) na escola. Estamos em um declínio tão grande no esforço pela qualificação e real competitividade e qualidade no ensino e pesquisa que algo precisa ser feito. Certamente estamos mais exigentes e há pessoas com expectativas acima de suas possibilidades. Humanamente devemos ter sensibilidade para tentar apoiar e salvar estas pessoas. Por outro lado a geração “floco de neve” existe. O “politicamente correto” deixa todos com uma sensibilidade extrema e impede a formação para enfrentar a adversidade. Tenho acompanhado o tema nas universidades nos USA com os cuidados extremos para não ferir susceptibilidades. O problema é a falta de resiliência para “não enfrentar as amarguras da vida”, para mim aí está a falha: precisamos mostrar para os jovens que lutar é bom e falhar não é uma desonra, desonra é não lutar.

No Brasil a famosa frase de Winston Churchill – “Blood, Toil, Tears and Sweat” foi simplificada para “Sangue, Suor e Lágrimas” a palavra Toil desapareceu!

 intr.v. toil
           1. To labor continuously; work strenuously.
           2. To proceed with difficulty: toiling over the mountains.

Seguindo esta famosa frase incluo um comentário sobre o cenário da época na Inglaterra.

Homens de 18 anos pilotavam caças Spitfire para defender Londres, que era bombardeada por pilotos da Luftwaffe, de 19 anos. Com a guerra milhões morreram e os que sobreviveram voltaram para casa e tiveram que trabalhar duro para reconstruir seus países, tiveram filhos e envelheceram. Comiam o que tinha pra comer. Economizavam o que podiam e cuidavam de suas famílias.
Hoje a adolescência vai até os 35 anos.

  • Muitas crises.
  • Mundo cruel.
  • Muitas decisões.
  • Muita pressão.
  • Tudo o que foi construído, até hoje, está equivocado.
Conclusão (de um antigo ditado Romano):
  • Tempos difíceis criam pessoas fortes. 
  • Pessoas fortes criam tempos fáceis. 
  • Tempos fáceis criam pessoas fracas. 
  • Pessoas fracas criam tempos difíceis.

Em uma antiga discussão na lista da SBC apareceu esta frase: O fato é que a Universidade deixou de ser o centro do conhecimento humano para se tornar uma fábrica de profissionais” isto é o fim da nossa possibilidade de termos um futuro brilhante. Em um painel do CSBC, sobre o centenário de Turing, foi perguntado à mesa “Qual seria a possibilidade de termos no Brasil um Turing Award? (este prêmio é a consagração de um pesquisador em Computação)”. A resposta foi contundente: “Zero!”. Concordo plenamente com esta resposta, com a implantação do culto à mediocridade, à responsabilização dos outros pelas nossas falhas e fraquezas nunca seremos uma comunidade de excepcional qualidade. Nós, os professores, devemos ter consciência que estão nos manipulando com este conceito de culpa. Nós não somos culpados, culpados são os fracos e os desinteressados que não querem trabalhar pesadamente para atingir a vitória. Nossa responsabilidade é exigir qualidade e dedicação aos nossos alunos. Aqueles que são professores em Universidades Públicas têm a responsabilidade adicional de não serem contagiados com esta falsa culpabilidade e mostrar aos alunos que eles são os que estão gastando recursos públicos e que têm a responsabilidade de dar “Blood, Toil, Tears and Sweat” como agradecimento aos brasileiros que pagam impostos.

O Capital no Século XXI {Thomas Piketty} 2013

O Capital no Século XXI

O Capital no século XXI (Le Capital au XXIe siècle) é um livro de economia escrito por Thomas Piketty e publicado pela primeira vez em França em 2013 pela editora Éditions du Seuil. Neste livro, o Autor estuda a dinâmica da repartição dos rendimentos e da riqueza nos países desenvolvidos desde o século XVIII. Para o Autor, a repartição das riquezas constitui um problema político fundamental para a estabilidade das sociedades democráticas modernas, e esta questão é muitas vezes discutida sem números precisos. Este estudo é baseado numa compilação de variados dados históricos disponíveis, por exemplo dos arquivos fiscais franceses. Wikipedia

A Humanidade nunca esteve em um período em que as condições de vida foram tão boas quanto as atuais. As pessoas são mais sudáveis, têm maior esperança de vida e acesso a recursos inimagináveis no passado próximo. Nos últimos 250 anos ocorreu um desenvolvimento incrível, mas por outro lado criou-se um abismo entre as nações ricas e as mais desfavorecidas. Mesmo nas nações ricas a concentração de renda cresceu, nos últimos anos de forma absurda. A automação está destruindo enormes possibilidades de trabalho manual, a Inteligência Artificial consegue substituir milhões de trabalhos de nível intelectual. O resultado é que os lucros dos detentores destas tecnologias aumenta e não são redistribuídos. O trabalho de Piketty mostra, com dados reais, que a desigualdade de renda atinge valores extremos. Nos Estados Unidos, em 2010, os 10% mais ricos detinham 70% do capital com um coeficiente de Gini de 0,73. Os defensores deste modelo concentrador usam o argumento da melhoria global da qualidade de vida para fugir da discussão da concentração de capital. Este é um assunto crítico que, se não enfrentado, vai nos conduzir a problemas extremos.

Para complementar a leitura sugiro fortemente que vejam o livro A grande saída {Angus Deaton} onde o autor evita a análise exclusivamente econômica e mostra como a falta de gestão e a corrupção (bem nossa conhecida) evitam que países menos desenvolvidos atinjam o nível de qualidade dos países centrais.

Design Thinking {Tim Brown} 2010

Capa Design Thinking

Design Thinking é o conjunto de métodos e processos para abordar problemas, relacionados a futuras aquisições de informações, análise de conhecimento e propostas de soluções. Como uma abordagem, é considerada a capacidade para combinar empatia em um contexto de um problema, de forma a colocar as pessoas no centro do desenvolvimento de um projeto; criatividade para geração de soluções e razão para analisar e adaptar as soluções para o contexto. Adotado por indivíduos e organizações, principalmente no mundo dos negócios, bem como em engenharia e design contemporâneo, o design thinking tem visto sua influência crescer entre diversas disciplinas na atualidade, como uma forma de abordar e solucionar problemas. Sua principal premissa é que, ao entender os métodos e processos que designers usam ao criar soluções, indivíduos e organizações seriam mais capazes de se conectar e revigorar seus processos de criação a fim de elevar o nível de inovação.

Assim, ao utilizar métodos e processos utilizados por designers, o design thinking busca diversos ângulos e perspectivas para solução de problemas, priorizando o trabalho colaborativo em equipes multidisciplinares em busca de soluções inovadoras. Dessa forma, busca-se “mapear a cultura, os contextos, as experiências pessoais e os processos na vida dos indivíduos para ganhar uma visão mais completa e assim, melhor identificar as barreiras e gerar alternativas para transpô-las” . Para que tal ocorra, O Design Thinking propõe que um novo olhar seja adotado ao se endereçar problemas complexos, um ponto de vista mais empático que permita colocar as pessoas no centro do desenvolvimento de um projeto e gerar resultados que são mais desejáveis para elas, mas que ao mesmo tempo financeiramente interessantes e tecnicamente possíveis de serem transformados em realidade. Wikipedia

Há muito tempo tenho ouvido falar nesta metodologia ou forma de pensar soluções. Recentemente passeando por uma livraria ví este título e comprei. O texto é muito interessante, apenas é dated. A tradução brsileira é do livro original co copyright de 2010, nestes anos tuudo mudou. Olhem alguns trechos: “Os aplicativos do Android precisarão ser tão intuitivos e involventes quanto os da Apple ou da Nokia“, ” … servirá de base para s decisões referente às futuras ofertas de produtos da Nokia nos próximos 15 anos“, “nenhum model econômico poderia ter previsto o sucesso do MySpace e do Facebook”,  “A Roku, empresa sediada na Califórnia, fabrica um conversor que permite que as pessoas façam o download de um filme e o assistam em uma televisão comum“. É uma pena que o texto tenha tantas referências a tecnologias atuais da sua época. Por outro lado a essência é realmente muito impactante, tanto que deu origem a toda uma linha de publicações cursos e treinamentos.

A ideia essencial é utilizar a forma de pensar de designers industriais para a modelagem de soluções criativas. O livro prega a análise multidemensional dos problemas com a inclusão de pessoas com múltiplas formações. Esta fase inicial precisa ser muito menos estruturada e contar com a participação livre de ideias, de criação de cenários (storytelling) e contato real com os usuários. Ou seja, descobrir no mundo real as necessidades a serem enfrentadas para soluções revolucionárias. Na minha area, a Academia, tudo isto me fez lembrar um dito bem impactante:

“As Universidades e os cemitérios são refratários às mudanças, os que ali estão não querem se mover”.

Será que não precisamos repensar o nosso comprtamento? Demos sair da Torre de Marfim e desenvolver atividades ligadas aos probelams reais? Isto nõ implica em perda de qualidade, apenas em tratar problemas de interesse da sociedade e não de problemas de interesse de pesquisadores e intelectuais. Afinal é a Sociedade que nos financia (ou deveria). Talvez o descolamento da Universidade e da Pesquisa com as reais necessidades das comunidades seja o motivo principal da crise global de financiamento. Este livro deveria ser lido e meditado por todos os pesquisadores. 

Goethe, Saint-Hilaire e o Brasil

GoetheSaint-HilaireEm 3 de setembro de 1786 Johann Wolfgang Goethe saiu de Karslbad com destino ao sul, para a Itália. Li com muito interesse seu relato da viagem, apesar das dificuldades foi uma ida para a cultura. Já naquela época a cidade de Roma tinha dois mil anos de história. Acabo de ler o livro de Saint-Hilaire “Viagem ao Rio Grande do Sul” realizada em 1820, apenas 34 anos após a viagem de Goethe. Que horror! A descrição do que foi a viagem aqui pelos pagos é algo impressionante. Viagem em carretas, sem hospedarias, requisitando bois para tracionar a carreta, pirogas para atravessar rios, é realmente assustadora a visão! Aí dá para entender nossa situação atual, era mais do que primitiva a vida por aqui, a descrição da cultura dos gaúchos nos deixa tristes, guerreiros rudes sem visão do mundo. Nos outros livros, sobre as demais regiões do Brasil, a situação é semelhante. No sul, com a guerra da fronteira, a situação era muito pior. O Rei de Portugal e do Brasil criou a cultura dos “donos” das regiões e do patrimonialismo. Evoluímos materialmente bastante nestes quase 200 anos. O problema é que a cultura e o comportamento ético avançou menos, muito menos, do que a vida material. Certamente vivemos ao “bout du monde” no sentido ético e moral.

Hoje voltando da região de Gramado, Canela e Nova Petrópolis deu para traçar uma comparação com a descrição de Saint-Hilaire e as diferentes facetas do Brasil de hoje. Nesta Região das Hortências encontra-se o Parque das Esculturas Pedras do Silêncio que narra a história da imigração germânica por intermédio de esculturas em pedras. Ali tem-se a impressão de viver na Europa, qualidade de vida dos habitantes, segurança (os carros param antes das faixas de segurança e as pessoas te tratam educadamente) qual a diferença entre esta micro-região e o caos das grandes cidades e com a falta de civilitude geral?  A resposta é simples: a cultura do trabalho e da ética trazida pelos imigrantes europeus. Qual a solução para o Brasil? Educação de qualidade desde o fundamental; a primeira coisa com que se peocuparam os imigrantes foi conseguir um bom mestre-de-escola para ensinar seus filhos. Hoje foi necessária uma lei para coibir as agressões a professores no Brazil (com Z mesmo)! Precisamos urgentemente rever as bases de nossa cultura periférica com a valorização do culto à responsabilidade, fazendo a punição exemplar aos faltosos e criando a valorização do mérito. Já escrevi antes sobre o assunto em Mea Culpa! Será que sou culpado? lá lê-se:

Com a implantação do culto à mediocridade, à responsabilização dos outros pelas nossas falhas e fraquezas nunca seremos uma comunidade de excepcional qualidade. Nós, os professores, devemos ter consciência que estão nos manipulando com este conceito de culpa. Nós não somos culpados, culpados são os fracos e os desinteressados que não querem trabalhar pesadamente para atingir a vitória. Nossa responsabilidade é exigir qualidade e dedicação aos nossos alunos. Aqueles que são professores em Universidades públicas têm a responsabilidade adicional de não serem contagiados com esta falsa culpabilidade e mostrar aos alunos que eles são os que estão gastando recursos públicos e que têm a responsabilidade de dar “Blood, Toil, Tears and Sweat” como obrigação junto aos brasileiros que pagam impostos. No Brasil a famosa frase de Winston Churchill foi simplificada para “Sangue, Suor e Lágrimas” a palavra Toil desapareceu!

A Mente Organizada {Daniel J. Levitin} 2014

 


Capa de A Mente Organizada

Poderia a boa e velha organização ser o segredo fundamental para se navegar no mar de informações do mundo moderno? Enquanto notícias, textos, contas e aplicativos invadem nosso cotidiano, espera-se que tomemos rapidamente decisões cada vez maiores. Em capítulos instigantes sobre temas que vão desde a gaveta bagunçada da cozinha até cuidados com a saúde, David Levitin apresenta avanços recentes nos estudos sobre o cérebro e mostra métodos que podemos aplicar no dia a dia para adquirir uma sensação de controle sobre a maneira como organizamos nossos lares, nossos ambientes de trabalho e nossas vidas. Google

Este livro é uma leitura obrigatória para todos os que trabalham e vivem no  mundo moderno hiper-ligado. Aconselho principalmente para os estudantes de mestrado e doutorado, o autor é um neurocientista com h-index de 43. O livro trata da necessidade de organização mental para tratar o fluxo gigantesco de informação atualmente disponível. A parte inicial discute a classificação e identificação de conceitos, é uma contribuição muito importante para entender os conceitos de Modelagem Conceitual e Ontologias. A seguir analisa formas de comportamento e sua correspondência com funções cerebrais. Uma parte importante é a apresentação clara da necessidade de termos um espírito crítico e como transmitir isto para nosso filhos. O livro orienta a forma de nos organizarmos, não como banal auto-ajuda mas de uma forma cientificamente embasada. O livro é auto-contido , mas um conhecimento básico de fisiologia torna a sua leitura muito mais produtiva. Mesmo sem este conhecimento a aplicação na vida real dos conhecimentos adquiridos com esta leitura fará uma grande diferença em sua produtividade.


 

Keynes x Hayek {Nicholas Wapshott} 2011


Livro Keynes x Hayek

Na atual e conturbada situação econômica muitas pessoas estão entendendo muito mal as proposições de John Maynard Keynes. Uma das maiores batalhas do pensamento econômico foi travada entre Keynes e Hayek no século passado, e continua com seus seguidores. Foi um choque entre a visão sobre se o Governo deveria ou não interferir na Economia. A visão de Keynes é que, em certas circunstâncias, é necessária a intervenção governamental. Esta intervenção mostrou-se essencial para os USA saírem da Grande Depressão de 1929 e, recentemente, da crise de 2008. Friedrich Hayek, por outro lado, sustentava que o melhor era deixar o  laissez-faire como a forma de chegar-se ao equilíbrio, Mme. Margaret Thatcher e Mr. Ronald Reagan foram seus seguidores. Entretanto muitos estão aplicando erroneamente, por motivações político-partidárias e mesmo por demagogia, conceitos sérios de Economia com irresponsabilidade levando a Governos gastarem muito mais do que arrecadam por longos períodos. Aconselho este livro para uma boa compreensão sobre este debate. 

Os Inovadores {Walter Isaacson} 2014


Está ocorrendo uma grande discussão sobre o papel da Inovação no desenvolvimento econômico do Brasil. Muitos pensam que a vontade de inovar é suficiente para o sucesso. Recomendo fortemente este livro que faz uma análise em profundidade de alguns dos maiores responsáveis pela revolução digital. Uma conclusão que podemos tirar é que, além da capacidade e tenacidade dos Inovadores, toda uma cultura e visão de investidores é necessária para que as inovações sejam incorporadas na cultura social e que tragam resultados econômicos relevantes.

 Os inovadores‘ conta a história das pessoas que criaram o computador e a Internet. Quais foram os talentos que permitiram a certos inventores e empreendedores transformar suas ideias visionárias em realidade? O que os levou a seus saltos criativos? Por que alguns conseguiram e outros não? Num abrangente panorama histórico, Isaacson conecta as personalidades fascinantes que criaram a nossa revolução digital.