Cidades Inteligentes e Sustentáveis: Um desafio além da tecnologia

“A essência da tecnologia não é algo tecnológico “

Heidegger

PédiosA citação de Heidegger tem o objetivo de salientar que a essência da utilização natural e integrada no dia-a-dia da tecnologia de computação não tem valor por si mesma. Por utilizarmos esta tecnologia de forma natural os nossos hábitos de trabalho e nossa cultura foram profundamente modificados. A tecnologia, portanto, é apenas um meio para permitir que um objetivo maior seja alcançado e não o foco principal da discussão sobre comunidades inteligentes e sustentáveis. Uma definição que é bastante empregada sobre cidades inteligentes e sustentáveis é: “Uso de tecnologias de informação e comunicação (TIC) para prover uma melhoria da qualidade de vida dos seus cidadãos, a um custo acessível e otimizando o uso dos recursos do planeta”. Nesta apresentação será discutido o objetivo a ser atingido nas cidades inteligentes e sustentáveis de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos alcançando um ambiente sustentável nas áreas urbanas e as influências das TIC para a consecução deste objetivo.

2018 SBCUP

Novo capítulo: Cidades Sustentáveis-Inteligentes

CIDADES SUSTENTÁVEIS-INTELIGENTES 

 
Este texto define um escopo básico para uma agenda de pesquisa relativa à questão urbana no Brasil contemporâneo. Esta agenda persegue dois objetivos interrelacionados. Em primeiro lugar, a busca de melhor entendimento (no sentido da pesquisa básica e desenvolvimento tecnológico) sobre os processos físicos, sociais, econômicos e culturais que caracterizam e envolvem nossas cidades no presente momento. Adicionalmente e de forma articulada, pretende-se que essa agenda informe e contribua para ações e oferta de novos serviços, tanto pelo setor público quanto pelo setor privado e também pelo terceiro setor permitindo a construção de cidades mais justas, equitativas, civis, sustentáveis, eficientes, inteligentes e porque não dizer, sábias.
 
Este texto define um escopo básico para uma agenda de pesquisa relativa à questão urbana no Brasil contemporâneo. Esta agenda persegue dois objetivos interelacionados. Em primeiro lugar, a busca de melhor entendimento (no sentido da pesquisa básica e desenvolvimento tecnológico) sobre os processos físicos, sociais, econômicos e culturais que caracterizam e envolvem nossas cidades no presente momento. Adicionalmente e de forma articulada, pretende-se que essa agenda informe e contribua para ações e oferta de novos serviços, tanto pelo setor público quanto pelo setor privado e também pelo terceiro setor permitindo a construção de cidades mais justas, equitativas, civis, sustentáveis, eficientes, inteligentes e porque não dizer, sábias.
 
Alvaro Prata, Artur Ziviani, Eduardo Costa, Flávia Feitosa, José Palazzo M. de Oliveira, Luiz Augusto Bellusci, Renata Bichir, Úrsula Peres, Vinícius Netto, Virginia Ciminelli. Cidades Sustentáveis-Inteligentes. In: José Roberto Boisson de Marca, Eduardo Marques. (Org.). Um Projeto de Ciência para o Brasil. 1ed. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Ciência, 2018, v. 1, p. 185-205.

 

O Capital no Século XXI {Thomas Piketty} 2013

O Capital no Século XXI

O Capital no século XXI (Le Capital au XXIe siècle) é um livro de economia escrito por Thomas Piketty e publicado pela primeira vez em França em 2013 pela editora Éditions du Seuil. Neste livro, o Autor estuda a dinâmica da repartição dos rendimentos e da riqueza nos países desenvolvidos desde o século XVIII. Para o Autor, a repartição das riquezas constitui um problema político fundamental para a estabilidade das sociedades democráticas modernas, e esta questão é muitas vezes discutida sem números precisos. Este estudo é baseado numa compilação de variados dados históricos disponíveis, por exemplo dos arquivos fiscais franceses. Wikipedia

A Humanidade nunca esteve em um período em que as condições de vida foram tão boas quanto as atuais. As pessoas são mais sudáveis, têm maior esperança de vida e acesso a recursos inimagináveis no passado próximo. Nos últimos 250 anos ocorreu um desenvolvimento incrível, mas por outro lado criou-se um abismo entre as nações ricas e as mais desfavorecidas. Mesmo nas nações ricas a concentração de renda cresceu, nos últimos anos de forma absurda. A automação está destruindo enormes possibilidades de trabalho manual, a Inteligência Artificial consegue substituir milhões de trabalhos de nível intelectual. O resultado é que os lucros dos detentores destas tecnologias aumenta e não são redistribuídos. O trabalho de Piketty mostra, com dados reais, que a desigualdade de renda atinge valores extremos. Nos Estados Unidos, em 2010, os 10% mais ricos detinham 70% do capital com um coeficiente de Gini de 0,73. Os defensores deste modelo concentrador usam o argumento da melhoria global da qualidade de vida para fugir da discussão da concentração de capital. Este é um assunto crítico que, se não enfrentado, vai nos conduzir a problemas extremos.

Para complementar a leitura sugiro fortemente que vejam o livro A grande saída {Angus Deaton} onde o autor evita a análise exclusivamente econômica e mostra como a falta de gestão e a corrupção (bem nossa conhecida) evitam que países menos desenvolvidos atinjam o nível de qualidade dos países centrais.

Design Thinking {Tim Brown} 2010

Capa Design Thinking

Design Thinking é o conjunto de métodos e processos para abordar problemas, relacionados a futuras aquisições de informações, análise de conhecimento e propostas de soluções. Como uma abordagem, é considerada a capacidade para combinar empatia em um contexto de um problema, de forma a colocar as pessoas no centro do desenvolvimento de um projeto; criatividade para geração de soluções e razão para analisar e adaptar as soluções para o contexto. Adotado por indivíduos e organizações, principalmente no mundo dos negócios, bem como em engenharia e design contemporâneo, o design thinking tem visto sua influência crescer entre diversas disciplinas na atualidade, como uma forma de abordar e solucionar problemas. Sua principal premissa é que, ao entender os métodos e processos que designers usam ao criar soluções, indivíduos e organizações seriam mais capazes de se conectar e revigorar seus processos de criação a fim de elevar o nível de inovação.

Assim, ao utilizar métodos e processos utilizados por designers, o design thinking busca diversos ângulos e perspectivas para solução de problemas, priorizando o trabalho colaborativo em equipes multidisciplinares em busca de soluções inovadoras. Dessa forma, busca-se “mapear a cultura, os contextos, as experiências pessoais e os processos na vida dos indivíduos para ganhar uma visão mais completa e assim, melhor identificar as barreiras e gerar alternativas para transpô-las” . Para que tal ocorra, O Design Thinking propõe que um novo olhar seja adotado ao se endereçar problemas complexos, um ponto de vista mais empático que permita colocar as pessoas no centro do desenvolvimento de um projeto e gerar resultados que são mais desejáveis para elas, mas que ao mesmo tempo financeiramente interessantes e tecnicamente possíveis de serem transformados em realidade. Wikipedia

Há muito tempo tenho ouvido falar nesta metodologia ou forma de pensar soluções. Recentemente passeando por uma livraria ví este título e comprei. O texto é muito interessante, apenas é dated. A tradução brsileira é do livro original co copyright de 2010, nestes anos tuudo mudou. Olhem alguns trechos: “Os aplicativos do Android precisarão ser tão intuitivos e involventes quanto os da Apple ou da Nokia“, ” … servirá de base para s decisões referente às futuras ofertas de produtos da Nokia nos próximos 15 anos“, “nenhum model econômico poderia ter previsto o sucesso do MySpace e do Facebook”,  “A Roku, empresa sediada na Califórnia, fabrica um conversor que permite que as pessoas façam o download de um filme e o assistam em uma televisão comum“. É uma pena que o texto tenha tantas referências a tecnologias atuais da sua época. Por outro lado a essência é realmente muito impactante, tanto que deu origem a toda uma linha de publicações cursos e treinamentos.

A ideia essencial é utilizar a forma de pensar de designers industriais para a modelagem de soluções criativas. O livro prega a análise multidemensional dos problemas com a inclusão de pessoas com múltiplas formações. Esta fase inicial precisa ser muito menos estruturada e contar com a participação livre de ideias, de criação de cenários (storytelling) e contato real com os usuários. Ou seja, descobrir no mundo real as necessidades a serem enfrentadas para soluções revolucionárias. Na minha area, a Academia, tudo isto me fez lembrar um dito bem impactante:

“As Universidades e os cemitérios são refratários às mudanças, os que ali estão não querem se mover”.

Será que não precisamos repensar o nosso comprtamento? Demos sair da Torre de Marfim e desenvolver atividades ligadas aos probelams reais? Isto nõ implica em perda de qualidade, apenas em tratar problemas de interesse da sociedade e não de problemas de interesse de pesquisadores e intelectuais. Afinal é a Sociedade que nos financia (ou deveria). Talvez o descolamento da Universidade e da Pesquisa com as reais necessidades das comunidades seja o motivo principal da crise global de financiamento. Este livro deveria ser lido e meditado por todos os pesquisadores. 

Horizonte 2026 das pós-graduações em computação

 

Continuando em uma análise do que deve ser a qualidade em um programa de Pós-graduação em Ciência da Computação estou apresentando algumas percepções e ideias para o futuro. Inicialmente vou escrever um pouco sobre a evolução, no sentido de variação ao logo do tempos, da minha experiência pessoal no PPGC da UFRGS, por isto coloquei vários links para páginas postadas anteriormente (sugiro estas leituras). Entretanto estas considerações são razoavelmente válidas para os cursos consolidados de pós-graduação do país que iniciaram mais ou menos no mesmo perído. 

O início do nosso programa foi uma ação conjunta entre o Centro de Processamento de Dados da UFRGS, onde estava localisada a Divisão Acadêmica que foi a antecessora do Instituto de Informática (história) e departamentos e o Instituto de Física. Naquela época não havia curso de graduação em Computação no Brasil, então foi um trabalho de formação básico. Naquele tempo os  professores podiam ter apenas o mestrado (e eram mestrados recentes), os únicos professores com doutorado eram os provenientes do Instituto de Física que tinha já uma tradição em pesquisa. Um pouco sobre o início do PPGC da UFRGS pode ser lido aqui. O folheto da primeira turma do CPGCC (1973) mostra o elenco de disciplinas, hoje seria uma pequena parte da formação de um graduado. Este foi o começo heróico. Por outro lado o curso de mestrado levava quase sempre três anos, ou pouco mais, de dedicação intensa a estudo e trabalhos de pesquisa com forte interação entre os alunos e os professores de todas as áreas (voltarei a este ponto). Um aluno devia obter um mínimo de 32 créditos, mas muitos obtinham mais. Naquele momento (quatro décadas já se passaram) ao terminar o mestrado o aluno tinha uma visão ampla dos conhecimentos da área. Para obter estes créditos precisava cursar 8 disciplinas.

Neste tempo o grande diferencial do PPGC, e de outros dos programas iniciais como o da UFRJ, era a integração forte entre software e hardware, resultado da interação entre o CPD e a Física. O SEMISH foi iniciado em nosso programa em 1974 da integração é que surgiu seu nome: Seminário Integrado de Software e Hardware. Aqui volto a salientar a palavra-chave: integração. O nosso egresso saia com uma formação geral. O tempo passo e ocorreu uma grande evolução na qualificação do corpo docente tendo todos os professores iniciais obtido doutorados em instituições de qualidade no Brasil e no mundo. Com o retorno dos doutores, os cursos e os projetos de pesquisa experimentaram um salto de qualidade, sendo fortemente incrementado o intercâmbio com importantes instituições estrangeiras, especialmente aquelas situadas na Europa, mais especificamente na França e na Alemanha.

As áreas de pesquisa foram consolidadas, surgiram projetos de pesquisa fiananciados pela CAPES, CNPq e outras fundações. Posteriormente a Câmara de Pós-graduação exigia de cada programa um elenco obrigatório de disciplinas básicas, o kernel do curso. Nós tínhamos este elenco central e as disciplinas adicionais, alternativamente os alunos poderiam fazer exames nos temas destas disciplinas para obter a liberação.

A seguir começou a pressão dos orgãos do governo federal para a redução do tempo dos cursos (economia de bolsas) o que causou uma mudança visando a racionalização dos programas de pós-graduação. O objetivo não era mais a qualidade mas o número de formandos por ano e o número de artigos publicados: (leiam “A doença da pressa“) a qualidade dificilmente é associada com a pressa. Isto é o produtivismo em sua pior faceta. Pós-graduações não são linhas de produção, nós não somos trabalhadores da educação mas pesquisadores e alunos de pós. Não somos pagos para publicar artigos mas para pensar.

Os novos professores retornaram de seus doutorados, para nosso programa e para os demais programas no país, com temas de pesquisa bem específicos, não passaram pelas fases de consolidação da área que obrigava a uma atuação bem mais abrangente. Suas pesquisas atuais são bem focads em tópicos específicos, isto é uma necessidade para a obtenção do reconhecimento na sua área. Entretanto, em seus doutorados, devem ter tido a experiência de uma formação mais ampla do que a específica de suas teses. Ai surge a dicotomia: a pesquisa individual ou do grupo e a necessidade de formação dos alunos. Isto são duas realidades e necessidades diferentes. Como resultado do produtivismo de tempos imposto pelos órgão de fomento e pela visão de ser importante formar os alunos para os grupos de pesquisa pois isto gera as produções necessárias para as bolsas dos professores e para aconcessão dos projetos estamos formando doutores e mestres que só tiveram cursos com seu orientador e seus pesquisadores associados.

Para criarmos um modelo de um programa de qualidade é importante que estudemos os líderes na área. Um bom início é a lista Academic Ranking of World Universities in Computer Science – 2015. Com base nesta lista estou fazendo uma análise, baseada na documentação disponibilizada pelas Instituições, sobre os modelos lá implementados. Começei com Stanford e tenho várias análises sobre o programa de doutorado daquela instituição disponíveis no site. Mas aqui vou me ater ao ao assunto das disciplinas. É evidente que um doutor em computação precisa ter uma visão global da CC. Uma redução dos créditos ou limitação de créditos em um grupo de pesquisa implica em que um aluno de doutorado pode ser titulado tendo seguido apenas as disciplinas de seu grupo. O critério de seguir disciplinas de pelo menos quatro membros diferentes do corpo docente, como é obrigatório em Stanford, obriga uma maior abertura de visão. A necessidade de seguir disciplinas das três grandes áreas dá a visão global necessária para um doutor. Este modelo vem ao encontro do que tenho defendido seguidamente: não é possível permitir que alguém ganhe um título de doutor em computação sem que tenha uma visão global e heterogênea (diversos professores de diferentes grupos) da computação. A obcessão brasileira por um produtivismo (no sentido que um doutorado precisa ser concuído em quatro anos ou menos e que a qualidade é medida por uma métrica naïf unidimensional de publicações QUALIS) vai contra a qualidade da formação. 

Assim chego à conclusão: cada um de nós, antigos conservadores e novos muito focados, precisa abdicar de ter a sua disciplina e precisamos ter definida uma área kernel com os temas obrigatórios, como as três grandes áreas de Stanford. Não é possível, em minha visão, formar doutores em computação que só conheçam a sua área específica de pesquisa. A alta competência específica é absolutamente necessária, mas a visão abrangente da Ciência da Computação é essencial para o título de doutor.

Para aqueles que discordam desta posição peço que coletem dados das Universidades líderes no mundo que tenham modelos similares ao nosso modelo atual em que formamos mestres e doutores com poucas disciplinas oferecidas por seu grupo de pesquisa ministradas por dois ou três professores do grupo e trabalhos individuais. Qualidade é essencial e não quantidade, termino com uma citação bíblica: “Muitos são os chamados poucos os escolhidos”, precisamos de prêmios Nobel e não de um bando de doutores "meia boca".

Editei uma crônica anterior que voltou à atualidade com a crise que passamos nas universidades, acho que vale a pena a leitura, precisamos preparar uma boa discussão no próximo Congresso da SBCConfissões: A Universidade ontem, hoje e amanhã

Planejamento para um curso no exterior

Sair para um período longo para fazer uma especialização, mestrado ou doutorado no exterior é uma decisão difícil de ser tomada. Uma vez tomada a decisão, algumas atividades e precauções podem ser muito úteis para aumentar a chance de bons resultados na tarefa. Aqui apresento um check-list de atividades e sugestões para o seu sucesso.

  • A primeira atividade é conhecer bem o local para onde pretende ir. Estude tudo o que for possível: detalhes da universidade, da cidade, atrações turísticas, serviços de saúde, ambiente esportivo e cultura. Uma grande coisa é chegar em um local com uma boa visão do que esperar, isto evita desilusões e facilita a vida. Use os serviços de busca, comece pelo nome da Universidade, do grupo de pesquisa, dos professores orientadores. Continue com a cidade, a região e os demais interesses pessoais na região.
  • Fale com pessoas que já tenham estudado lá, faça perguntas. Se você tiver a sorte de estar estudando em uma universidade com boas vinculações internacionais, procure conseguir um estágio curto na universidade-alvo antes de ir para um longo doutorado. Se você está fazendo seu curso de graduação em uma instituição mais isolada procure participar em algum projeto de pesquisa em cooperação com uma boa universidade de pesquisa. Isto lhe abrirá muitas portas, participar de um grupo conhecido já é uma recomendação importante.
  • Lembre-se que os professores da universidade no exterior também são avaliados. Eles precisam minimizar os riscos, então você deve demonstrar que será uma boa aquisição para o grupo de pesquisa. Mostre seus trabalhos, suas competências, uma carta de recomendação de um professor ou pesquisador conhecido na universidade receptora é um ponto importante. Mas é preciso que este professor o conheça mesmo, a carta deve ser bem detalhada e fazer uma análise real do candidato. Cartas do tipo: “Fui seu professor em uma disciplina de graduação e sempre pareceu um aluno dedicado…” não servem para nada.
  • Se o seu perfil for vocacional, na definição da ISCDE, verifique se seu curso tem convênios com empresas que tenham ou parcerias no exterior ou sejam subsidiárias de empresas internacionais. Ter realizado estágios no Brasil conta na avaliação, obtenha cartas de recomendação de seus supervisores. É importante a capacidade de trabalho independente e capacidade de relacionamento com a equipe de trabalho.
  • De qualquer forma procure todas as oportunidades de intercâmbio, cursos de línguas, treinamentos profissionais, trabalho voluntário. Tudo isto conta muito no processo de seleção.
  • Há dois grandes perfis: o de pesquisa (ISCDE 6) e o vocacional (ISCDE 5B). Identifique claramente qual é o seu perfil. Quanto mais cedo conseguir saber o que vai fazer, mais fácil para orientar sua carreira. Espero que no futuro seja possível fazer pesquisa avançada em muitas empresas brasileiras, mas hoje ainda temos dificuldades para a inserção de doutores nestas empresas. Se for pesquisador é essencial um bom mestrado com boas publicações e talvez um estágio curto, um intercâmbio na graduação conta muito. Se o perfil for vocacional, estágios técnicos, capacidade avançada de relacionamento, experiência prévia de estágios no país são importantes. Em ambos casos o domínio da língua e da cultura do país e da universidade ou empresa conta muito para a seleção.
  • Lembre-se que vai trabalhar muito! O turismo, as pequenas férias, as excursões são uma parcela bem pequena do tempo total no exterior. Esteja preparado para trabalhar muito mais do que em sua graduação aqui no Brasil. Quanto ao dinheiro, este é curto mas com bom planejamento dá para viver adequadamente. O que você vai ganhar – fora da formação profissional – é a experiência de viver em uma outra cultura, de poder ter acesso a outras alternativas de diversão, de teatro e de esportes e ver que sempre há outros pontos de vista diferentes para as coisas que você achava obvias. Esqueça um pouco o chimarrão, o samba, o frevo e viva a cultura do país que o está recebendo, esta será uma oportunidade única. Não viva em “guetos” brasileiros, faça amigos no país e entre os colegas do curso. Estas relações serão muito úteis no futuro.
  • Para solicitar uma bolsa de doutorado no exterior você deve, pelo menos, ter as condições de ser aceito por um bom programa de doutorado no Brasil. Muitas universidades no exterior  aceitam mais facilmente, ou até muito facilmente, candidatos com bolsas do Brasil, é um risco zero para elas. A condição para obter estas bolsas (CAPES E CNPq) é a excepcionalidade, do aluno, da instituição receptora e do plano de pesquisa, sem estas condições nem perca tempo submetendo propostas. A alternativa é encontrar uma fonte externa de apoio financeiro.

Prepare-se para uma entrevista de seleção para a pós-graduação

Um dos pontos importantes para um candidato a uma bolsa no exterior é a entrevista. Nesta entrevista o candidato é avaliado por pessoas experientes, tanto na área técnica quanto na percepção das características necessárias para um bom desempenho no exterior. Minha principal dica é: seja espontâneo mas se prepare bem antes.


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  • Caso os avaliadores forem experientes não adianta “decorar” as respostas certas. Qualquer pessoa que já tenha entrevistado dezenas de candidatos consegue identificar imediatamente as respostas “bem-comportadas”. É claro que é importante saber o que não deve ser dito. O mais importante é entender quais as motivações de quem oferece a bolsa e não se candidatar se você não se enquadra nestes objetivos. É melhor não sair do que ter uma grande chance de fracassar. A melhor preparação para a entrevista é, realmente, estar preparado para partir para “aquele curso” tão desejado.

  • Quem oferece uma bolsa espera algo em retorno! Nada é gratuito no mundo. Se for uma agência de fomento brasileira o objetivo é a formação de recursos humanos de alta qualidade para o desenvolvimento nacional. Se for uma agencia estrangeira o interesse será o estabelecimento de boas relações culturais ou comerciais, além da formação de alto nível. Se for uma empresa, certamente estarão esperando bons negócios mais adiante. Identifique claramente os objetivos de seu futuro financiador e verifique se você está de acordo e se acredita neles. Há possibilidades para todos os gostos, o que é necessário e encontrar aquelas propostas que melhor se adaptam ao seu perfil.

  • Para onde você quer ir? Decida as alternativas e estude bem as características do país e das universidades pretendidas. Nada pior em uma entrevista do que demonstrar desconhecimento em relação as universidades, ou centros de pesquisa ou industriais, pretendidos e ao sistema educacional do país. Na seção relativa as estruturas educacionais dos países tenho uma breve descrição e apontadores para fontes de informação, estude bem este material! Utilize os mecanismos de busca na rede; repetindo: use o tutorial sobre buscas na Web para auxiliar sua pesquisa. Na entrevista mostre que você sabe para onde vai e quais são as condições de recepção.

  • Por que você quer estudar no exterior? Por favor, não use aquelas respostas horríveis como “Para meu crescimento profissional e para o bem da pátria!”, vocês não imaginam como há pessoas que escrevem isto, ou próximo disto, nos formulários de inscrição ao mestrado. Outra: “Estaria muito honrado em realizar estudos nesta universidade devido ao seu renome”. Procure, com base nos itens anteriores, dar uma resposta objetiva e clara. Algumas sugestões de formas para abordar a questão são:

    • Minha área de interesse é ….. e entre os grupos que tratam deste assunto (citar) o grupo do Prof. Pardal complementa os cursos que já realizei”;

    • “Meu grupo de pesquisa no Brasil mantém intercâmbio com a equipe do Prof. Pardal (explicitar os trabalhos, missões) e estarei dando continuidade a minha pesquisa”;

    • “Além dos pontos já salientados tenho uma boa formação em {Inglês, Francês, Alemão …}, já realizei estágio no grupo e sei que poderei me adaptar bem e realizar o trabalho pretendido. Espero, no futuro, manter este relacionamento com atividades de cooperação”.

  • Para os cursos vocacionais, como especializações, MBA – Master of Business Administration (atenção apesar do nome não são mestrados), ou estágios profissionais, procure deixar bem claro como estão inseridos em seu plano de carreira. Siga as sugestões anteriores mas com ênfase nos aspectos mais práticos do trabalho em empresas.


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