Do centro para o vale : um estudo de memoria social sobre o Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Título Do centro para o vale : um estudo de memoria social sobre o Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Autor Rocha, Claudia de Quadros 
Nível Mestrado
Instituição Centro Universitário La Salle. Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Bens Culturais.

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Resumo Esta dissertação apresenta um estudo de memória social, envolvendo o espaço e construção da identidade de grupo do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (INF/UFRGS). O recorte temporal é o período de 1989 a 1992, data de criação do INF/UFRGS e de sua transferência do Campus Centro para o Campus do Vale, respectivamente. O objetivo é compreender como docentes e servidores técnico-administrativos do INF/UFRGS reconstroem o processo de mudança do Campus Centro para o Campus do Vale no período de 1989 a 1992. Os marcos teóricos são estruturados com os seguintes autores: Maurice Halbwachs, Aleida Assmann; Michael Pollak; Stuart Hall, Martin Heidegger e Milton Santos. A metodologia apoia-se em entrevistas temáticas, semiestruturadas, e categorização dos resultados enfocando as relações entre memória, espaço e identidade. Como resultado, a investigação constatou que os entrevistados reconstruíram por meio de suas narrativas o processo de mudança e de construção da identidade de grupo. A pesquisa gerou duas produções técnicas: um informativo com registro de fotos e textos colhidos da pesquisa e um material didático com informações teóricas compiladas durante a pesquisa sobre a história do computador e da informática.

Os Gênios da Ciência {Stephen Hawking} 2004

Os Gênios da Ciência, Hawking

Neste livro estão incluídas traduções de trabalhos originais de Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, Johannes Kepler, Isaac Newton e Albert Einstein – mostrando as ideias que mudaram o curso da ciência e a percepção de mundo da humanidade. Associado a estas traduções, Stephen Hawking explica como grandes cientistas construíram suas teorias. Reúne textos descritivos que apresentam o lado humano e científico da vida de cada um dos cinco personagens onde explica como esses trabalhos desenvolveram a ciência direcionando a astronomia e a física da era Grega até o mundo moderno. É uma obra muito interessante pela apresentação do lado humanista, onde entrelaça as vidas dos personagens com o medo e a reação da Igreja contra suas teorias. Nota-se como, ao longo do tempo, a Ciência ganhou autonomia e independência no seu desenvolvimento. Se tivermos a paciência de ler com atenção os trabalhos originais teremos uma grande oportunidade de perceber o desenvolvimento do trabalho científico da pesquisa e sua evolução de uma Filosofia abstrata de Aristóteles até o formalismo de Einstein. Esta leitura é um importante elemento para a compreensão de como a Ciência atual se consolidou. Outro fato interessante para ser observado é que os textos dos antigos, Copérnico e Galileu, apesar de enfadonhos, podem ser entendidos por qualquer pessoa com um nível de cultura geral; agora os textos de Einstein necessitam de uma ótima formação matemática: equações diferenciais, tensores etc. Hoje, para entender a Ciência, uma formação teórica é essencial. 

Apresentação no SBBD 2017 – Pesquisador Homenageado

Como professor e pesquisador, desde minha formatura na Escola de Engenharia da UFRGS, tive a rara sorte de acompanhar o desenvolvimento da Computação e do ensino de Banco de Dados nas universidades brasileiras. Minha ontogênese acadêmica acompanhou o percurso da história do SBBD. Esta distinção foi uma grande alegria e surpresa quando recebi o reconhecimento pelo conjunto da obra como Pesquisador Brasileiro Homenageado do ano de 2017 no SBBD (vídeo da divulgação). A apresentação no SBBD 2017 da palestra está disponível a seguir. 

2017 SBBD Prêmio - PDF

Pesquisador Homenageado do ano de 2017 – Simpósio Brasileiro de Bancos de Dados SBC

Divulgação do prêmio
Divulgação do prêmio no SBBD 2016

Como professor e pesquisador, desde minha formatura na Escola de Engenharia da UFRGS, tive a rara sorte de acompanhar o desenvolvimento da Computação e do ensino de Banco de Dados nas universidades brasileiras. Minha ontogênese acadêmica acompanhou o percurso da história do SBBD. Esta distinção foi uma grande alegria e surpresa, em uma época em que a avaliação de um pesquisador é constituída quase exclusivamente por índices bibliométricos, em receber um reconhecimento pelo conjunto da obra (vídeo da divulgação). Algo muito relevante para mim foi que os jovens colegas se lembraram de uma carreira de 48 anos com forte dedicação à área de Sistemas de Informação e Banco de Dados. Ao longo da carreira desenvolvi atividades em múltiplas dimensões, 81 alunos de pós-graduação já orientados, muitas disciplinas ministradas, forte interação internacional e um consistente número de boas publicações. Tinha que decidir o formato desta apresentação, uma alternativa seria descrever tecnicamente minhas pesquisas, representadas pelas publicações, isto seria enfadonho e traria pouca contribuição para os jovens membros a comunidade. Pensei melhor e então resolvi apresentar as áreas de pesquisa em que tenho trabalhado e sua evolução ao longo destes anos, sem entrar em profundos detalhes técnicos. Este andamento seguiu muito de perto a evolução do SBBD (apresentação). Após esboço uma perspectiva do futuro dos Bancos de Dados e os perigos que corremos. Uma das atividades realizadas na Comissão Especial de BD e que considero importante foi a implementação do 1° Concurso de Teses e Dissertações em Banco de Dados. Desejo que a apresentação seja útil para os jovens pesquisadores conhecerem melhor o caminho percorrido até aqui pela nossa comunidade e para que entrevejam o possível futuro e seus desafios.  A vida acadêmica não pode ser uma Torre de Marfim, a preocupação e engajamento com a comunidade é essencial. Nesta apresentação vocês terão a oportunidade de conhecer, de forma agradável, o desenvolvimento de nossa área no Brasil em paralelo com uma análise do que considero essencial para uma carreira equilibrada no ensino e na pesquisa. A história dos Bancos de Dados inicia com a estruturação de arquivos tradicionais e chega aos complexos sistemas atuais. As noções de transação, recuperação e outras são essenciais para a maioria das aplicações transacionais. Hoje há uma revolta contra tudo isto propondo alternativas como o NoSQL, mas diferentes aplicações exigem diversos modelos de SGBDs. Talvez estejamos exagerando nas customizações. O que nos reserva o futuro? Como vamos estruturar nossas carreiras em um período turbulento?

Placa comemorativa

Posts complementando a apresentação

UFRGS Missão França: alunos preparados para o intercâmbio

Alunos do INF e da Escola de Engenharia partirão em agosto

O projeto CAPES/Brafitec EcoSud, coordenado pelo professor Lucas Mello Schnorr, dá prosseguimento a interação entre o INF e o INP de Grenoble (ENSIMAGGIPHELMA), na França. Para essa edição de 2017/2018 uma nova turma está se preparando para iniciar a missão de estudos no país europeu, todos no âmbito de um acordo de duplo diploma estabelecido entre a UFRGS e o INP. Serão três alunos do INF e quatro estudantes da Escola de Engenharia, que partirão em agosto deste ano.

De acordo com o professor Claudio Geyer, “esta é uma chance única de crescimento pessoal e profissional. Poder conhecer a cultura e o mercado de trabalho de um país como a França, que é uma referência nas áreas de interesses desses alunos, é enriquecedor”.

“Acredito que iremos complementar nossos estudos e conhecimentos com esta oportunidade. Com as experiências adquiridas nessa viajem estaremos mais preparados para enfrentarmos o mercado. Além disso, conhecer uma cultura nova e pessoas com visões de mundo diferentes da nossa irá fortalecer, ainda mais, o nosso caráter”, destaca Leonardo Almeida da Silveira, estudante de engenharia da computação.

Confira a lista dos estudantes:

* Amanda Binotto Braga (ECP, para ENSIMAG);
* Bernardo dos S. Piccoli (MEC, para ENSE3);
* Felipe Heineck (EPR, para GI);
* Giovanna Hubner (EPR, para GI);
* Leonardo Almeida da Silveira (ECP, para ENSIMAG);
* Lucca Sergi Berquó Xavier (CIC, para ENSIMAG);
* Pedro O. Portugal (ELE, para PHELMA).

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Goethe, Saint-Hilaire e o Brasil

GoetheSaint-HilaireEm 3 de setembro de 1786 Johann Wolfgang Goethe saiu de Karslbad com destino ao sul, para a Itália. Li com muito interesse seu relato da viagem, apesar das dificuldades foi uma ida para a cultura. Já naquela época a cidade de Roma tinha dois mil anos de história. Acabo de ler o livro de Saint-Hilaire “Viagem ao Rio Grande do Sul” realizada em 1820, apenas 34 anos após a viagem de Goethe. Que horror! A descrição do que foi a viagem aqui pelos pagos é algo impressionante. Viagem em carretas, sem hospedarias, requisitando bois para tracionar a carreta, pirogas para atravessar rios, é realmente assustadora a visão! Aí dá para entender nossa situação atual, era mais do que primitiva a vida por aqui, a descrição da cultura dos gaúchos nos deixa tristes, guerreiros rudes sem visão do mundo. Nos outros livros, sobre as demais regiões do Brasil, a situação é semelhante. No sul, com a guerra da fronteira, a situação era muito pior. O Rei de Portugal e do Brasil criou a cultura dos “donos” das regiões e do patrimonialismo. Evoluímos materialmente bastante nestes quase 200 anos. O problema é que a cultura e o comportamento ético avançou menos, muito menos, do que a vida material. Certamente vivemos ao “bout du monde” no sentido ético e moral.

Hoje voltando da região de Gramado, Canela e Nova Petrópolis deu para traçar uma comparação com a descrição de Saint-Hilaire e as diferentes facetas do Brasil de hoje. Nesta Região das Hortências encontra-se o Parque das Esculturas Pedras do Silêncio que narra a história da imigração germânica por intermédio de esculturas em pedras. Ali tem-se a impressão de viver na Europa, qualidade de vida dos habitantes, segurança (os carros param antes das faixas de segurança e as pessoas te tratam educadamente) qual a diferença entre esta micro-região e o caos das grandes cidades e com a falta de civilitude geral?  A resposta é simples: a cultura do trabalho e da ética trazida pelos imigrantes europeus. Qual a solução para o Brasil? Educação de qualidade desde o fundamental; a primeira coisa com que se peocuparam os imigrantes foi conseguir um bom mestre-de-escola para ensinar seus filhos. Hoje foi necessária uma lei para coibir as agressões a professores no Brazil (com Z mesmo)! Precisamos urgentemente rever as bases de nossa cultura periférica com a valorização do culto à responsabilidade, fazendo a punição exemplar aos faltosos e criando a valorização do mérito. Já escrevi antes sobre o assunto em Mea Culpa! Será que sou culpado? lá lê-se:

Com a implantação do culto à mediocridade, à responsabilização dos outros pelas nossas falhas e fraquezas nunca seremos uma comunidade de excepcional qualidade. Nós, os professores, devemos ter consciência que estão nos manipulando com este conceito de culpa. Nós não somos culpados, culpados são os fracos e os desinteressados que não querem trabalhar pesadamente para atingir a vitória. Nossa responsabilidade é exigir qualidade e dedicação aos nossos alunos. Aqueles que são professores em Universidades públicas têm a responsabilidade adicional de não serem contagiados com esta falsa culpabilidade e mostrar aos alunos que eles são os que estão gastando recursos públicos e que têm a responsabilidade de dar “Blood, Toil, Tears and Sweat” como obrigação junto aos brasileiros que pagam impostos. No Brasil a famosa frase de Winston Churchill foi simplificada para “Sangue, Suor e Lágrimas” a palavra Toil desapareceu!

A qualidade da pesquisa depende da lingua do artigo?

 Cajal  Para aqueles que como eu acreditam que é possível publicar artigos de alta qualidade em Português, apresento este texto retirado do livro Muito Além do Nosso Eu do neurocientista Miguel Nicolelis. Este pequeno trecho (p. 81-82) mostra que um dos fundadores da Neurociência, o Prof. Santiago Ramón y Cajal – prêmio Nobel de Medicina de 1906, obrigou aos famosos da época aprenderem o Espanhol. Qualidade não depende da língua em que se escreve mas é intrínseca ao trabalho.

Nascido em Petilla de Aragón, Santiago Ramón y Cajal era um homem obsessivo e autocrático, um gênio teimoso que, sozi­nho, deu origem à verdadeira revolução que lançou a neurociência na agenda científica mundial. Tal feito baseou-se principalmente na demonstração de que o cérebro, como outros órgãos, é formado por uma enorme coleção de células.

Uma pe­quena anedota dá a dimensão dos obstáculos que Cajal teve de superar para ser ouvido por seus pares. No início de sua carreira, ele não sabia escrever bem em alemão, a língua preferida pelos principais anatomistas do final do século XIX. Sem pensar duas vezes, Cajal decidiu fundar um periódico científico, a Revista Tri­mestral de Histologia Normal y Patológica, na qual podia divulgar seus achados fenomenais em sua língua pátria.

Em 1896, ele re­petiu a experiência e criou o primeiro periódico científico espe­cializado em neurociência, a Revista Trimestral Micrográfica. Como não poderia deixar de ser, o primeiro fascículo da publica­ção continha seis manuscritos de autoria de dom Santiago. Anos mais tarde, vários anatomistas alemães não tiveram outra opção senão dedicar-se ao estudo da língua espanhola como única forma de permanecerem atualizados com a fronteira da neurociência representada agora pelos artigos de Ramón y Cajal.

Até hoje, Cajal é um dos mais citados autores na literatura neurocientífica. Sua engenhosidade e resiliência como experimentalista foram reconhecidas inicialmente quando ele adaptou uma nova coloração histológica, La reazione nera (Metodo de Golgi), para seus estudos destinados a elucidar a organização anatômica do tecido nervoso”.