Revoltado ou Criativo

Esta pequena história, publicada pelo Prof. Waldemar Setzer, mostra o quanto é limitada a nossa capacidade de conviver com a criatividade. 


Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de Física, que recebera nota ‘zero’. O aluno contestava tal conceito, alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não ser que houvesse uma ‘conspiração do sistema’ contra ele. Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido.

Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova, que dizia: ‘Mostrar como pode-se determinar a altura de um edifício bem alto com o auxilio de um barômetro.’ A resposta do estudante foi a seguinte:

‘Leve o barômetro ao alto do edifício e amarre uma corda nele; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; este comprimento será igual à altura do edifício.’

Sem dúvida era uma resposta interessante, e de alguma forma correta, pois satisfazia o enunciado. Por instantes vacilei quanto ao veredito. Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima, já que havia respondido a questão completa e corretamente. Entretanto, se ele tirasse nota máxima, estaria caracterizada uma aprovação em um curso de Física, mas a resposta não confirmava isso. Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder a questão. Não me surpreendi quando meu colega concordou, mas sim quando o estudante resolveu encarar aquilo que eu imaginei lhe seria um bom desafio. Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder a questão, isto após ter sido prevenido de que sua resposta deveria mostrar, necessariamente, algum conhecimento de Física.

Passados cinco minutos ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para o forro da sala. Perguntei-lhe então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida, e não tinha tempo a perder.Mais surpreso ainda fiquei quando o estudante anunciou que não havia desistido. Na realidade tinha muitas respostas, e estava justamente escolhendo a melhor. Desculpei-me pela interrupção e solicitei que continuasse.

No momento seguinte ele escreveu esta resposta:

‘Vá ao alto do edifico, incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo t de queda desde a largada até o toque com o solo. Depois, empregando a fórmula
h = (1/2)gt^2
calcule a altura do edifício.’

Perguntei então ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta, e se concordava com a minha disposição em conferir praticamente a nota máxima à prova. Concordou, embora sentisse nele uma expressão de descontentamento, talvez inconformismo.

Ao sair da sala lembrei-me que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas.

“Ah!, sim,” – disse ele – “há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro.”

Perante a minha curiosidade e a já perplexidade de meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações.

“Por exemplo, num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo. bem como a do edifício. Depois, usando uma simples regra de três, determina-se a altura do edifício.”

“Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e direto, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas ter-se a altura do edifício em unidades barométricas.”

“Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, tem-se dois g’s, e a altura do edifício pode, a princípio, ser calculada com base nessa diferença.”

“Finalmente”, concluiu, “se não for cobrada uma solução física para o problema, existem outras respostas. Por exemplo, pode-se ir até o edifício e bater à porta do síndico. Quando ele aparecer; diz-se:

‘Caro Sr. síndico, trago aqui um ótimo barômetro; se o Sr. me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro de presente.'”

A esta altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta ‘esperada’ para o problema. Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto com as tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e cobrar respostas prontas com base em informações mecanicamente arroladas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, principalmente, uma farsa.


Colaborou: Domingos Peixoto Tabosa 

Um colega disse que já conhecia essa história há uns 30 anos, e achava que era devida a R.Feinman. Fiz pequenas correções no texto e reformatei. VWS.

O colega Alfredo Goldman enviou-me uma versão em francês que atribui essa história a Niels Bohr como o estudante e Rutherford como o árbitro. Acione aqui para ver essa versão.

Acione aqui para desviar para a ‘home page’ de Valdemar W. Setzer


Carta de Motivação – seleção para a Pós

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CartaNos últimos anos tenho, ao lado de excelentes alunos, recebido um numero crescente de candidatos que desistem rapidamente do curso ou que apresentam desempenho fraco nas disciplinas. Muitos candidatos a alunos especiais na pós-graduação aparentemente estão buscando realmente um curso de especialização ou de extensão e não um projeto de formação para a pesquisa e desenvolvimento avançados. Resolvi, então, pensar em um instrumento chave no processo de seleção para as empresas: a Carta de Motivação.  A partir de agora este será um elemento central no meu processo de aceitação de candidatos. O que é isto? Uma Carta de Motivação é um documento onde o candidato expõe claramente suas ideias e a motivação para a atividade. Vejamos como deve ser redigida.Em primeiro lugar não escreva, pense antes de abrir o editor de textos! Apesar de eu ter um site Web e de ser possível obter inúmeras informações sobre as atividades desenvolvidas, sobre os projetos de pesquisa e sobre a minha visão sobre a pós e a pesquisa aparentemente os candidatos não se dão ao trabalho de lê-las. Nestes últimos anos candidatos ao mestrado desistiram do curso, pois não encontraram assunto de seu interesse, então o que haviam vindo fazer aqui? A primeira coisa a fazer ao pretender a admissão em uma empresa ou em um programa de pós-graduação é estudar sobre as atividades desenvolvidas, sobre os valores que o programa e o orientador defendem. Ao ler a Carta de Motivação deve ficar claro que não é a centésima cópia de uma carta-padrão enviada ao mundo, mas uma declaração de interesse específica e focada na instituição alvo da submissão. O maior desgaste para um candidato é o orientador, falando com seus colegas no cafezinho, descobrir que o mesmo mandou exatamente e ao mesmo tempo um e-mail padrão para todos os colegas do departamento. Procure buscar informações sobre as atividades de pesquisa do orientador desejado, veja as teses e dissertações orientadas e procure entender sua visão de mundo. Se você não estiver motivado e alinhado com o que encontrou, procure outra instituição ou outro orientador. Uma Carta de Motivação deve ter três partes vós/eu/nós. Para começar o texto não deve ser maior do que uma página impressa com fonte 12 pontos, se você não conseguir convencer neste tamanho não adianta escrever todo um artigo. O início deve ser ligado ao programa e orientador pretendidos. Mostre que você conhece o tema central de trabalho do grupo. A seguir vem a parte do eu, por favor, nada de “pretendo ser útil à sociedade seguindo este curso”, “acredito que é dever de cada brasileiro…”. Explique claramente o motivo de querer entrar para este grupo, seja objetivo e mostre como seu passado justifica sua decisão. Nada de “pretendo ser aceito neste grupo por sua excelência e reconhecimento acadêmico”.  Se o grupo não fosse bom porque você gostaria de se associar ao mesmo? Valorize os pontos fortes de seu percurso: multidisciplinariedade em tópicos de pesquisa; suas capacidades linguísticas; experiências de intercâmbio; seu projeto profissional ou sua formação teórica. Lembre-se que a Carta de Motivação complementa o currículo, não é uma forma textual do mesmo. Finalmente procure mostrar o que suas competências podem contribuir para o grupo, esta é a parte “nós”. A falta de precisão é um dos grandes defeitos que podem enfraquecer uma proposta. Todo o orientador tem um custo envolvido no processo de aceitação de um aluno, seja pela perda de tempo com um insucesso, seja pelo enfraquecimento de uma turma com alunos pouco motivados. Uma seleção errônea pode significar que um candidato mais apto pode ter sido excluído no processo. Dificilmente alguém acredita em “boas intenções” você deve demonstrar no que suas competências acadêmicas e qualidades pessoais são adequadas. Apresente fatos objetivos e verificáveis sobre seu percurso: desenvolvi tal algoritmo ou sistema; publiquei os resultados de meu trabalho na conferência A; participei como voluntário na organização da conferência X; fui bolsista do PET em Y. Desculpas só o enfraquecem: não consegui publicar, pois meu grupo era fraco; tenho dificuldades com matemática; o inglês é um obstáculo para mim. Primeiro vença seus problemas, hoje há formas de apoio para quase todas as dificuldades encontradas. Entusiasmo, entusiasmo, entusiasmo! Chega de admiradores da música “Não estou nem ai…” precisamos de pessoas que acreditem e façam! Utilize verbos de ação: ‘decidir’, ‘organizar’, use tempos verbais futuros. Não use voz passiva. Mostre sua vontade: pretende o que? Vai utilizar as competências adquiridas como? O que pretende fazer na vida? Coloque-se à disposição para uma entrevista.Finalmente cuide da escrita.  Erros de português, frases mal construídas, ideias confusas levarão sua carta diretamente para a pilha errada. Comunicação escrita é essencial. Utilize frases simples e bem construídas, elimine erros de ortografia, Uma Carta de Motivação mal escrita é a porta de saída direta do processo de seleção.Leia mais em: Carreiras em Universidades e em Prepare-se para uma entrevista de seleção para a pós-graduação

PS: este texto foi inspirado fortemente na seção: “Les Règles d’une Bonne Lettre de Motivacion” publicada no Le Figaro Étudiant, Guide de l’Alternace, France, 2013.

 

Níveis de Formação Acadêmica

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Graduação

  • Um curso de graduação deve apresentar conhecimentos, técnicas e metodologias específicos a uma determinada área de conhecimento. Espera-se que os alunos, ao final do curso, estejam atualizados em sua área profissional e sejam capazes de aplicar os conhecimentos adquiridos em problemas reais de uma forma inovadora.  

Cursos tecnológicos superiores

  •  Um curso de graduação tipicamente mais curto que os bacharelados e focados em competências práticas, técnicas ou ocupacionais para a entrada direta no mercado de trabalho apesar de que algumas fundamentações teóricas possam ser cobertas pelos respectivos programas. Estes programas têm uma duração mínima de dois anos. Espera-se que os alunos, ao final do curso, estejam atualizados em sua área profissional e sejam capazes de aplicar os conhecimentos adquiridos em problemas reais de complexidade normal. 

Extensão

  • O objetivo de um curso de extensão é o de atualizar os alunos em uma área bem limitada e específica do conhecimento. Não é feita nenhuma restrição formal ao nível prévio de formação regular.

Especialização

  • Um curso de especialização, pós-graduação lato senso, tem por objetivo atualizar portadores de diploma de cursos de graduação em uma área restrita do conhecimento. Esta área deve ser composta por um conjunto consistente de conhecimentos. Espera-se que o aluno, ao concluir a especialização, tenha revisado os conhecimentos básicos da área e atingido o nível de conhecimento atual. Um curso de especialização precisa ter, ao menos, 360 horas de aula e o aluno deve apresentar um trabalho de conclusão ou monografias de acordo com a regulamentação do MEC.

MBA: Master in Business Administration

  • (Mestrado em Administração de   Negócios), para o Conselho Nacional de Educação (CNE), é considerado uma especialização (pós-graduação lato sensu). As especializações não   se submetem à avaliação sistemática da Capes. Indicadores seguros da regularidade do curso são a prova do credenciamento institucional e a  declaração que o curso atende os requisitos enumerados por Resolução CNE / CES nº 001/01.

Mestrado

  • O mestrado acadêmico tem por objetivo iniciar o aluno na pesquisa. A área de conhecimento é bem focada e constitui-se em um subconjunto da área profissional (aquela estudada em todo um curso de graduação). Além de disciplinas mais avançadas, que incluem uma parcela significativa de pesquisa bibliográfica individual e de trabalho de interpretação, é desenvolvido um trabalho de iniciação à pesquisa científica. Espera-se que ao final do curso o aluno tenha adquirido capacidade de desenvolver trabalho autônomo. Este trabalho caracteriza-se pela busca de referências, métodos e tecnologias atuais e sua aplicação de forma criativa. Espera-se, também, a demonstração de capacidade de redação de textos científicos. Esta capacidade é evidenciada, principalmente, pelo texto da dissertação de mestrado. É importante a publicação de artigos científicos durante o curso. O mestrado acadêmico é uma preparação para a pesquisa e deve ser encarado como uma etapa em direção ao doutorado. Aqueles que desenvolvem atividades em empresas da área de produção e estão interessados em uma maior qualificação profissional devem orientar-se para Cursos de Especialização ou para o Mestrado Profissionalizante. O mestrado acadêmico é útil para os interessados em trabalhar naquelas empresas que possuem setores ligados à pesquisa e ao desenvolvimento. 

Doutorado

  • No doutorado espera-se que o aluno adquira capacidade de trabalho independente e criativo. Esta capacidade deve ser demonstrada pela criação de novo conhecimento, validado por publicações em bons veículos científicos ou pela obtenção de patentes. É essencial para a seleção a demonstração de qualidades e experiência em pesquisa. Um bom currículo acadêmico é condição indispensável.

Pós-doutorado

  • Após o término do Doutorado, os novos Ph.Ds. precisam encarar uma escolha: buscar uma colocação profissional na Indústria, candidatar-se a vagas de professor em universidades públicas ou privadas ou, ainda, tentar inserir-se em centros de pesquisa ou empresas que invistam em pesquisa. Para tornar esta transição mais suave e produtiva existe o Estágio de Pós-Doutorado. Financiado pela CAPES e pelo CNPq, o Pós-Doc, como é conhecido, depende da proatividade dos interessados. Através da elaboração e do envio de projetos de pesquisa às agências de fomento, por meio do PNPD (Programa Nacional de Pós-Doutorado) – que necessita da participação de um tutor vinculado à um grupo de pesquisa bem avaliado pela CAPES – os doutores podem receber bolsas por períodos variáveis. Atualmente, são duas as modalidades de bolsa oferecidas: o Pós-Doc Júnior, para quem concluiu o Doutorado recentemente; e o Pós-Doc Sênior, destinado àqueles que já encerraram sua qualificação há mais tempo.
  • Para normas internacionais sobre cursos ver ISCDE

 

Como resumir um texto

Como fazer um resumo

Uma das atividades mais importantes no estudo é a redação de resumos.  Um resumo é uma condensação de um texto de forma a apresentar a idéia principal e os detalhes mais importantes em um texto de leitura clara. As pessoas se diferenciam na forma de tratar um assunto, há os analíticos e os sintéticos. Alguém que tenha o primeiro perfil tem a tendência a procurar entender os detalhes e realizar uma crítica profunda do texto. Com o segundo perfil a forma natural de ler um assunto novo é a obtenção de uma visão global do assunto. Ninguém pode ser classificado totalmente em um destes perfis, para termos sucesso na redação de resumos precisamos enfatizar as características de síntese.

1) Problemas na leitura

Como escrevi na seção sobre a leitura é importante que tenhamos curiosidade sobre o que vai ser lido, também é preciso interesse. Muitas vezes as pessoas nem começaram a ler e já acham o assunto chato. Um dos motivos é a não compreensão de alguns termos. Durante o estudo é comum encontrarmos termos novos e desconhecidos. Uma grande parte da dificuldade na leitura e compreensão de um texto está no não entendimento de alguns termos básicos. Será impossível fazer um bom resumo sem o perfeito entendimento do texto.

Há alguns motivos que dificultam a compreensão de um texto:

  • Problemas de vocabulário?
  • Estilo confuso do autor?
  • Falta de base (texto muito complexo)?
  • Falta de relacionamento com os demais conhecimentos já adquiridos?

O primeiro problema é o de solução mais fácil, quando encontramos uma palavra desconhecida devemos:

  • Não parar a leitura, continuar lendo para ver se é possível encontrar o seu significado pelo próprio texto;
  • Voltar a ler a frase para verificar se foi possível descobrir o sentido da palavra.
  • Se não conseguir consultar um dicionário, mas sempre na língua em que estiver escrito o artigo.
  • Jamais deixar uma palavra desconhecida vencer, até o final da leitura é preciso entender cada conceito apresentado.
  • Notem que a falha em entender um único termo pode resultar na compreensão completamente errada do texto.

…. continuará


Como estudar

Método de Estudo

EstudandoA eficiência do estudo depende da forma com que enfrentamos este desafio. Pessoas com a mesma capacidade intelectual podem ter grandes diferenças no resultado do estudo. Nesta página vou procurar mostrar, de forma bem objetiva, como é possível aproveitar muito melhor o tempo empregado no estudo.

Para melhorar a qualidade do estudo é necessário desenvolver hábitos que possam se aplicar para muitas disciplinas. Quando escrevo sobre estudo não estou me referindo ao processo de aprender dicas e técnicas para passar no vestibular ou na prova. Se vocês estudarem realmente vão aproveitar muito melhor o tempo de estudo e diminuir o stress de antes das provas. Um bom estudo é, também, importante para a redação de uma monografia.

Para estudar é necessário um bom método de leitura, a leitura nos permite absorver os conhecimentos e entender realmente o seu significado. Vou esquematizar três fases para uma boa leitura.

1) Leitura global do texto.

Para esta leitura é importante que tenhamos curiosidade sobre o que vai ser lido, também é preciso interesse. Muitas vezes as pessoas nem começaram a ler e já acham o assunto chato. Todos os assuntos podem ser interessantes, se um determinado texto não lhe agrada procure outro ou outros sobre o mesmo assunto. Sempre há diferentes formas de apresentar o mesmo conteúdo. Depois é preciso ter um propósito: para que vamos ler?

Agora vejamos as atitudes a serem tomadas para realizar uma boa leitura:

a. Perguntas que devem ser feitas

i. Qual é o assunto tratado? É importante que saibamos claramente sobre o que estamos lendo. Este conhecimento já facilita a leitura, pois permite que liguemos o assunto a ser estudado com outros assuntos conhecidos.

ii. O que sei sobre este assunto? Nenhum assunto é completamente novo, sempre já sabemos algo sobre o que vai ser lido. Quanto mais conseguirmos nos lembrar de assuntos relacionados, mais fácil será o estudo. Já lemos algo no jornal? Vimos algum programa na TV? Ouvimos comentários sobre o assunto? Nossa memória é associativa, quanto mais associações fizermos mais fácil o aprendizado.

iii. O que acho que vai ser tratado no texto? Com as perguntas anteriores, com as aulas assistidas sempre será possível tentar “adivinhar” qual será o assunto tratado na leitura.

b. É preciso se dar um tempo para responder a estas perguntas. Dependendo da pessoa esta resposta pode ser mental (pensar sobre a pergunta) ou escrita. A escrita consome mais tempo, mas permitirá, ao final da leitura, uma reavaliação das respostas e uma comparação com o estudado.

2) Faça uma leitura rápida de todo o texto.

Um artigo científico ou um capítulo de livro não são como novelas ou romances em nunca se lê o final para não perder o suspense. Em um texto técnico ou científico o melhor é fazer uma leitura inicial rápida para que consigamos ter uma boa visão de toda a estrutura.

a. Leia com calma, mas sem procurar entender tudo o que lê.

b. Procure associar o que está lendo com as respostas dadas para as questões acima.

c. Se tiver tempo escreva um pequeno resumo sobre o texto. Isto facilitará a utilização futura deste texto na monografia.

d. Procure estabelecer uma ligação com aquilo que você já conhece.

3) Leitura detalhada.

Agora que você já tem uma boa visão do texto e de seu relacionamento com os demais conceitos conhecidos está na hora de uma leitura aprofundada. Na leitura aprofundada você deve procurar entender realmente todo o conteúdo.

a. As etapas desta leitura levam ao conhecimento do assunto.

i. Leia atentamente o texto.

ii. Obtenha a idéia principal em detalhes.

iii. Critique o conteúdo. Você não precisa concordar sempre com o autor, mas a sua crítica deve ser bem justificada.

iv. Relacione o conteúdo com as referências feitas no texto, veja qual a contribuição do texto. v. Levante dúvidas que tenham permanecido.

vi. Consulte a Web para tentar resolver estas dúvidas. A Wikipedia é um bom começo.

b. Faça resumos (fichas de leitura) do texto. Antigamente isto era feito em fichas de papel encorpado, daí o nome, mas atualmente você pode fazer estas fichas como arquivos de computador. Alternativa, melhor, é utilizar os mapas conceituais para representar o conteúdo do texto.

i. As anotações devem ser feitas para este trabalho e para o futuro. Imagine se você pudesse reaproveitar tudo o que já estudou de forma fácil e rápida!

ii. Faça anotações das suas conclusões pessoais sobre o assunto.

c. Relacione o assunto com aqueles já estudados. Se você estiver utilizando redes semânticas isto será bem mais fácil.

4) Conclusão.

a. Ao terminar a leitura só falta organizar melhor o conhecimento adquirido. Faça uma nova leitura rápida do texto para ter uma visão clara e completa do mesmo.

b. Repita, para si mesmo, uma apresentação resumida do texto como se a estivesse fazendo em aula.

c. Verifique se lembra de tudo o que foi estudado, não decore, entenda o texto.

d. Complemente o assunto com outras leituras em livros, artigos ou na Web.

Dêem Tempo para a Universidade Pensar ou os modelos de Universidade


UniversidadeEstou propondo uma meditação sobre a Universidade brasileira. As minhas perguntas centrais são: Qual deve ser a essência de uma Universidade? O que se passa com o modelo brasileiro de Universidades? Três acontecimentos motivaram este texto, o primeiro foi uma discussão em uma lista de discussão sobre 

Empreendedorismo e Qualidade Acadêmica, um assunto reentrante… o segundo foi um artigo publicado pela Agência FAPESP com uma entrevista do pesquisador norte-americano Philip Portoghese, da Universidade de Minnesota

… um dos mais conhecidos especialistas em química medicinal no mundo, considera que a principal tarefa do pesquisador acadêmico não é desenvolver produtos, mas criar novos conceitos. Ele disse na entrevista: “Nosso objetivo maior hoje, na universidade, não é descobrir medicamentos, mas desenvolver novas abordagens e conceitos para a produção de fármacos. Precisamos aproveitar aquilo que temos e que falta aos pesquisadores das empresas. A academia tem tempo para pensar e este é seu trabalho”. 

Finalmente outro fato que me motivou foi um relatório do MEC com estatísticas sobre o incrível aumento no número das Universidades brasileiras e sobre as vagas ociosas. Esta queda de inscrições nas vagas disponíveis será muito maior no futuro, basta ver os dados do IBGE n figura a seguir, onde está evidente a enorme queda da taxa de fecundidade no Brasil. A previsão desenvolvida no estudo “Indicadores Sociodemográficos Prospectivos para o Brasil 1991-2030“, indica que a taxa de fecundidade, na média do País, cairá para 1,59 filhos por mulher em 2030, ante 2,3 filhos por mulher em 2000. 

taxa fecundidade brasil 2002

Fig. 1 – Taxa de Fecundidade no Brasil

O resultado desta queda de natalidade e do aumento da oferta de vagas é que:

Em 1990, as posições não ocupadas nos cursos eram 18,6% do total no caso das instituições públicas e 19,2% nas privadas. Em 2003, estavam ociosas 42,2% das vagas das universidades particulares, enquanto nas públicas a ociosidade era de apenas 5%.” (Revista Desafios do Desenvolvimento). 

Em 2005 (Correio do Povo, 13 de dezembro de 2006, pág. 9) 73,2% das matrículas eram em instituições privadas e 26,8% em públicas. O número de vagas ociosas atingiu 1 milhão no setor privado (47,8% do total), 1.952 vagas nas Instituições públicas federais (1.6% do total), e 16.485 nas municipais (28,9% do total). Pelo terceiro ano seguido o número de matrículas reduziu a expansão com um aumento de 6,9%. No ano passado 10,9% da população de 18 aos 24 anos estava na Universidade. Se juntarmos estes dados é possível perceber que o de crescimento está esgotado. Aquelas pessoas com condições socioeconômicas básicas já estão na Universidade, para aumentar a percentagem de matriculados, da da população dos 18 aos 24 anos, para 30% fixados no Plano Nacional de Educação será necessário um investimento muito grande. Faltam 19,1%, ou seja um aumento de 175% nos alunos matriculados. Quem conhece o público atual nas Universidades não acredita que isto seja possível. Vejamos dados da OCDE sobre o exame PISA (OECD Programme for International Student Assessment) aplicado a jovens de 15 anos, olhem o horror da figura a seguir! 

resultado exame pisa 2003

Fig. 2 – Education at a Glance, OCDE, Pontuação no Exame PISA, 2003

Alguém acredita que é possível aumentar nesta proporção de 175% o número de alunos nas Universidades se a formação anterior é tão ruim? Seria mandá-los para a Universidade para nada, quem sabe se para obter um diploma bonito mas sem conteúdo. É preciso um enorme esforço nos estágios iniciais de formação. Felizmente o FUNDEB acaba de ser aprovado, é um primeiro passo, mas que levará anos para apresentar resultados, neste meio tempo a queda na natalidade diminuirá os efetivos aptos a entrarem na Universidade. Só poderemos contar com maiores efeitos de alunos capacitados para o ensino superior na medida em que e renda média per capita dos brasileiros crescer. Atualmente a renda per capita dos brasileiros é de R$ 9.729, ou seja cerca de R$ 810,00 por mês. Mesmo o financiamento não adianta, olhem esta notícia do Estado de São Paulo: “Para o próximo ano, cerca de 107 mil universitários, um número mais baixo do que no último processo de seleção, estão disputando 100 mil vagas”

Conculsão: não há como evitar uma crise no atual modelo de ensino superior. Precisamos de alternativas, de um modelo capaz de enfrentar esta realidade. Precisamos planejar o futuro, é necessário que façamos uma reflexão sobre o que se passará com as Universidades nas próximas décadas. A primeira atitude deve ser a realização de encontros do tipo “Grandes Desafios da Década em CC“, patrocinado pela SBC, mas agora centrado na área do Ensino. Se não agirmos a crise atual será amplificada com resultados sérios para toda a comunidade acadêmica e para o Brasil.

Certamente os comentários que escrevo para a Computação são válidos para as demais áreas, respeitadas as suas peculiaridades. Para os cursos muito bem posicionados a situação é bastante confortável. Em um  artigo da Info Exame se encontram frases como estas: “Na Universidade o aluno tem que aprender a aprender…”, “Mesmo em feriados como o Natal e Ano Novo é possível encontrar alunos nos laboratórios”, Dificilmente uma pessoa que não se dedique à pesquisa em tempo integral conseguirá concluir o trabalho de doutorado aqui”, “Nossa intenção é formar profissionais com uma base muito forte que consigam sempre se atualizar sozinhos”. Este é o grupo de Universidades que forma os pesquisadores com capacidade de competição internacional. Este modelo de Universidade de ensino e pesquisa é essencial para a competitividade brasileira mas precisa ser complementado por um amplo espectro de outras formações.

Minha proposta, já apresentada em texto anterior, é um modelo completo de Ensino com cursos técnicos secundários, cursos tecnológicos superiores, universidades tecnológicas e universidades Humboldtianas. Neste modelo de ensino o processo de avaliação de qualidade dos cursos deve ser diferente para cada tipo de curso. As Instituições de Ensino Superior precisam oferecer seus cursos com a informação clara da categoria de ensino em aluno está se matriculando. Alguns cursos são orientados para a continuação da formação em pós-graduação após sua conclusão, outros para a entrada no mercado com uma posterior alternativa de pós-graduação tecnológica e, finalmente, outros são cursos terminais sem a base formal necessária para uma pós -graduação. Os candidatos precisam escolher conscientemente qual caminho podem, economicamente e por sua formação anterior, e que querem seguir. É impossível que todas as Universidades disponham de recursos para atingirem o ideal Humboldtiano em um prazo curto. Para mim esta é a origem da crise, houve falta de análise crítica do modelo a ser seguido e foram criadas uma enormidade de Universidades sem a consciência clara do modelo a ser seguido. Uma Universidade precisa ter uma Ética rigorosa em sua divulgação e propaganda. Não é ético oferecer esperanças, que não poderão ser cumpridas, para os ingressantes somente para conseguir alunos.

Vou discutir aquilo que entendo deva ser uma Universidade no significado essencial da palavra:

A university is an institution of higher education and research, which grants academic degrees at all levels (bachelor, master, and doctorate) in a variety of subjects. A university provides both tertiary and quaternary education. The word university is derived from the Latin Universitas Magistrorum et Scholarium, roughly meaning “community of masters and scholars”. Wikipedia

Então uma Universidade deveria ser o ponto de encontro de Mestres e Pensadores. A Universidade foi, desde sua criação, um local de pensamento, de tempo para a análise crítica, para o desenvolvimento de novos conceitos. Não é por acaso que as ditaduras sempre atacam as universidades seja pelo seu fechamento, seja pela instituição de comissários políticos, ou encarregados da “segurança interna”. Em um ambiente de liberdade há espaço para novas idéias e para a abertura de novos horizontes, este é o modelo de Universidade Humboldtiana, a Alemanha criou este modelo nos 18s e obteve, no início do século XX, uma das maiores concentrações de Prêmios Nobel. Este trecho (em português de Portugal) é essencial para a compreensão do que seja uma Universidade:

A fundação da universidade de Berlim por Humboldt foi uma success story. O seu modelo foi rapidamente adotado em toda a Alemanha, e, mais tarde, viria a exercer uma influência decisiva na concepção das grandes universidades norte-americanas, como Harvard ou Yale – que são, na sua essência, coisa que muita gente ignora, universidades humboldtianas.O princípio central da idéia humboldtiana de universidade é a famosa “unidade indissolúvel do ensino e da investigação”. Isto significa que a matéria a ensinar é, idealmente, um saber adquirido em primeira mão pelo docente na qualidade de investigador. Uma tal ideia tem óbvias implicações práticas ao nível dos calendários escolares e horários, ou seja da gestão do tempo consagrado ao ensino e à investigação. Só o docente que tiver tempo para investigar, e para se informar do state of the art na sua área, poderá desenvolver um ensino de carácter verdadeiramente universitário. Dois outros princípios importantes deste modelo de universidade são o da liberdade do ensino e da aprendizagem e o da necessária maturidade e autonomia do estudante universitário. O primeiro diz respeito não apenas à liberdade do docente e investigador na escolha das matérias em que se especializa, mas igualmente à liberdade de escolha, pelo estudante, do seu próprio percurso de aprendizagem, o que implica, na prática, a existência de disciplinas de opção livre e um sistema de major e minor.” urbi et orbi, José Manuel Boavida Santos.

Domenico De Massi [Criatividade, Capítulo nove, O Homem descobre a criatividade e descobre o futuro, Domenico de Massi, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2002], trata da criação de novas alternativas, livres das limitações da materialidade da descoberta. No capítulo nove de seu livro Criatividade escreve De Massi: “… A descoberta é limitada por alguns vínculos : … . Já a invenção, pelo contrário, pode prosseguir por infinitas direções, pode abrir infinitos campos e pode seguir infinitos caminhos: tanto os objetivos quanto os itinerários são ilimitados”. Continuemos pela literatura, este trecho de um artigo na área da Filosofia é relevante por trazer o problema a dualidade entre o imediato e o ideal futuro.

No “Prólogo ao teatro” que abre o Fausto, Goethe sintetizou as implicações que esta dualidade acarreta, ao opor o poeta e sua recusa a toda concessão mundana da poesia, ao diretor e ao bufo, um e outro atentos às expectativas do público — mencionado aqui, significativamente, como die Masse. Assim, após a reivindicação do primeiro em endereçar-se apenas a um público ainda inexistente — pois “O que brilha nasceu para o instante/ O genuíno permanece eterno no mundo-adiante (Nachwelt)” —, e o diretor retruca com esta questão brutal: “Pensai: para quem escreveis?“. Cassirer e Sartre sobre o esclarecimento, Vinicius de Figueiredo, Kriterion vol.46 no.112 Belo Horizonte Dec. 2005.

As três citações acima abordam o mesmo problema: o imediatismo versus o permanente, a corrida pelo dia a dia contra o pensamento buscando o estável, a descoberta de coisas práticas contra a análise embasada e consistente que vai perdurar. Trazendo isto para nossa vida de professores encontramos a pergunta de final de ano: “Pensai: que Universidades queremos?“. Estamos frente ao mesmo dilema apresentado em Fausto: ou uma Universidade para o público atual e para os interesses comerciais atuais O que brilha nasceu para o instante ou uma Universidade para abrir horizontes O genuíno permanece eterno no mundo-adiante. Neste texto vou procurar discutir as duas alternativas.

Voltando ao assunto do início deste texto a discussão sobre o empreendorismo está fazendo uma grande confusão entre a competência acadêmica e a competência de pesquisa de um lado com capacidade empresarial de outro! São duas dimensões diferentes e nossa missão na Universidade, no meu ponto de vista, é a formação acadêmica e para a pesquisa. É muito difícil unir as duas competências com base em formação universitária. Para usar uma analogia: alguém pode ser um ótimo acadêmico em música, mas, se não nascer com o dom do virtuoso, nunca chegará a ser um músico (executante) de primeira ordem. Estas são características diferentes, alguns poucos unem as duas. Na Universidade devemos trabalhar a dimensão que nós é essencial: a qualidade acadêmica, a formação. Se encontrarmos ou até estimularmos características de empreendedorismo será um plus, não a nossa tarefa básica! Inovação e criatividade é uma coisa, criação de empresas é outra completamente diferente! Para um estudo aprofundado sobre Criatividade sugiro o estudo do já citado livro de Domenico de Massi: Criatividade. É uma ótima leitura para as férias, na tradução brasileira são 795 páginas densas. Esta é uma leitura obrigatória para um professor de Universidade.

Do ponto de vista do ensino é preciso um modelo completo com cursos técnicos secundários, cursos tecnológicos superiores, universidades tecnológicas e universidades Humboldtianas. Neste modelo de ensino o processo de avaliação deveria ser diferente para cada tipo de curso e com a informação clara do tipo de curso em que o aluno está se matriculando. Alguns cursos são orientados para a continuação da formação em pós-graduação, outros para a entrada no mercado com uma posterior alternativa de pós-graduação tecnológica e, finalmente, outros são cursos terminais sem a base formal necessária para uma pós-graduação. Os candidatos precisam escolher conscientemente qual caminho podem e querem seguir. Esta é uma opção de mercado: não há espaço para tantos cursos que dão diplomas ditos superiores, tratei do assunto no texto Para que diploma?

Aqui está a resposta, não vamos procurar um Diploma do tipo ISCED 5A ou ISCDE 6 orientados para a pesquisa e para o desenvolvimento tecnológico avançado se o que desejamos são cursos vocacionais do tipo Terciários tipo B, ISCDE 5B ou mesmo mais avançados como ISCDE 4. Está na hora de rever seus conceitos, como naquela propaganda da TV, ainda mais se o pagamento pode ser muito melhor para os egressos de cursos vocacionais. É melhor um diploma na parede ou um bom e bem remunerado trabalho? Segundo dados da Agência Brasil com base Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC), o número de matrículas no ensino técnico representa 8% do total de estudantes matriculados no ensino médio. Isto precisa ser mudado, e logo.

O modelo de cursos seqüenciais me parece, também, uma deformação devida à cultura bacharelística, não queremos aceitar cursos que não sejam universitários. Estes cursos apresentam, ainda, o problema de manterem em um mesmo curso alunos com interesse de entrada direta no mercado e outros com o objetivo de um diploma acadêmico, no sentido de formação ampla. isto não pode dar certo, me parece uma alternativa para manter turmas cheias e dar uma formação em tempo menor. Os pedagogos que analisem e me critiquem, se for o caso: eu entendo que há uma proposta bem diferente na formação de técnicos para o mercado e de alunos com formação completa de bacharel. As habilidades a serem adquiridas são diferentes, é o caso dos cursos de certificação em produtos, certamente é ótimo para programar e desenvolver sistemas mas não é nada adequado para a continuação em pesquisa. É claro que esta mudança deve manter a viabilidade econômica dos cursos, é sempre melhor ter alguma formação na atual estrutura de cursos sequenciais do que não a tê-la, mas o modelo precisa ser aperfeiçoado.

Está na hora de mudarmos a visão de mercado e de enfrentarmos a realidade de que propagandas “Faça Direito por R$ 99,90 por mês”, será que é possível fazer direito (desculpem o trocadilho) por R$ 99,90 por mês?. Isto não é solução, é preciso oferecer cursos técnicos com proposta pedagógica adequada, curtos e para a inserção direta no mercado. Do ponto de vista social é essencial que as pessoas com capacidade intelectual e vontade de seguir a carreira de pesquisa tenham esta alternativa, diretamente, sem que sejam limitadas pelas suas condições socioeconômicas; uma Educação Pública de qualidade é essencial para este fim.

Esta é a minha visão sobre o assunto: diferentes modelos de Universidade: uma a Universidade Humboldtiana dedicada à formação de quadros científicos, de pesquisadores e de professores de alto nível, a outra uma Universidade Tecnológica, dedicada a formação de profissionais para atuar diretamente no mercado tudo isto complementado por cursos de formação técnica. O terceiro componente é o empreendedorismo, que não se ensina mas que é uma qualidade inata que pode ser estimulada e apoiada par estruturas paralelas à Universidade ou por um curso mais longo que os atuais incluindo componentes de Administração. Para aprofundar este assunto vale a pena ler a entrevista de Charles Vest, presidente do MIT. Nesta entrevista fica clara a visão de Universidade Humboldtiana associada com os recursos financeiros para apoiar o Empreendedorismo, mas sem misturar as duas coisas.

Desta análise saiu o título deste texto. Precisamos ter Universidades Hulboldtianas para que o Brasil gere pensamento novo e competitivo, hoje pensamento novo é pesquisa de ponta, não há mais pesquisa local o mercado é mundial. Para estas Universidades é preciso tempo para pensar, como mostrei com as citações acima. Outra vertente de mercado é o ensino vocacional, apesar de ambos serem necessários não é possível usar os mesmos critérios de avaliação para ambos. Por outro lado não é possível ter todas as Universidades no modelo ensino-pesquisa por absoluta falta de recursos, tanto humanos quanto financeiros.

Finalmente resta o processo de avaliação, é necessário que tenhamos processos específicos para cada classe de ensino, os proponentes dos cursos devem enquadrá-los em uma das classes definidas pela ISCDE e os órgãos governamentais ou privados devem realizar processos diferentes de avaliação. Pensar que uma Universidade tecnológica deva se avaliada pelo paradigma de uma Humboldtiana é um absurdo tão grande quando vender a ideia que todos os cursos são iguais pois oferecem um diploma que, pela nossa burocracia (ou burrocracia?) dá os mesmos direitos a seus portadores. Tendo terminado de discutir o problema da crise irei, em textos seguintes, tratar do tema avaliação de qualidade do ensino e da pesquisa.