A mentira do gasto excessivo em ensino superior no Brasil

LivrosEstamos cansados de ouvir e de ler que o problema do Brasil é o gasto excessivo no ensino superior. Isto não é verdade, em uma palestra sobre a Universidade do Futuro, aqui na UFRGS, encontrei este documento da OECD, portanto acima de suspeitas de partidarismo, Public spending on education DOI:10.1787/f99b45d0-en. Aqui está bem clara a distribuição dos recursos públicos em educação: 3,3% em ensino terciário (superior) e do primário até o não terciário (fundamental e médio) 12,8%. Somo o terceiro país da análise que mais gasta com o ensino pré terciário. Está na hora de realizarmos estudos mais profundos sobre qual é a real razão dos problemas do nosso ensino. Este é um exemplo claro da era da pós-verdade: usam afirmações que apoiem suas ideias sem buscar a verdade nos dados!

Para mim o problema está bem caracterizado:

  • Modelo de ensino centrado em aulas, número de horas de aulas, tanto para o modelo de negócio quanto para avaliar a cobertura do curso.
  • Falta de tempo dos alunos para desenvolverem estudo complementar ou desenvolver trabalhos fora das aulas. É a visão de que se aprende na aula e não que a aula é a apresentação do tema e a motivação para o estudo.

As causas deste problema são:

  • Incapacidade em entender que o projeto de ensino deve ser o desenvolvimento da capacidade de auto estudo e a capacidade de crítica e de reflexão. Daí decorre a deformação de avaliação de cursos por horas e conteúdos e cobrança e pagamento por horas-aula. Hoje está em andamento uma absurda discussão sobre quantos minutos deve ter uma hora-aula…
  • A falta de entendimento que um conteúdo básico universal é essencial, não adianta um amplo espectro de conteúdo quando o essencial de Português e Matemática não são dominados.

Dedicação completa de alunos ao estudo.

  • Bolsas de permanência
  • Avaliação real do desempenho
  • Seleção dos melhores alunos

Mudança nos critérios de avaliação

  • Acabar com as provas “decoreba”
  • Avaliação de atividades individuais dos alunos
  • Projetos sobre problemas complexos
  • Participação proativa dos alunos

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Mediocridade na escrita! ou Globish & Shopenhauer

Já tive alguns problemas com alunos que escreveram textos quase incompreensíveis. Por exemplo: uma frase com 15 linhas e inúmeras vírgulas. Problemas de concordância, de ortografia e, principalmente, de semântica são comuns. Cada vez tenho observado uma piora na formação básica dos alunos. Aparentemente a mediocridade na escrita, e acho que na abstração, está se espalhando como uma praga. É a falta de tempo para pensar, ou o pensamento consome muita energia? Acho que falta exercício e esforço para se concentrar em um assunto e expor com clareza o essencial. Precisamos reformular o ensino fundamental e médio. Em decorrência destas observações escrevo esta pequena e ácida crônica com apoio de um grande filósofo alemão.

Indo para um congresso aproveitei o longo voo para reler um texto de Schopenhauer: “A Arte de Escrever” (L&PM Pocket, 2009, ISBN 978-85-254-1464-9) . Com esta leitura é possível perceber que alguns problemas são recorrentes, algumas citações e comentários sobre as mesmas:

“… deve-se evitar toda a prolixidade e todo o entrelaçamento de observações que não valem o esforço da leitura. É preciso ser econômico com o tempo, a dedicação e a paciência do leitor, de modo a receber dele o crédito de considerar o que foi escrito digno de uma leitura atenta e capaz de recompensar o esforço empregado nela”  (Schopenhauer: “A Arte de Escrever”, p. 15)

É um ataque à escrita redundante, à falta de tempo para meditar e escrever o essencial. Por um acaso o marcador de páginas que estou utilizando neste livro traz a seguinte frase: “A perfeição é filha do tempo”. Um poeta gaúcho, Mário Quintana, dizia que para um poema parecer ter sido escrito com inspiração deveria ter sido rescrito vinte vezes!

Deveria ser determinado por lei que todos os estudantes universitários, no primeiro ano, fizessem exclusivamente os cursos da faculdade de filosofia, e antes do segundo ano não tivessem permissão para assistir aos das três faculdades superiores”. (Schopenhauer: “A Arte de Escrever”, p.37)

Esta frase é crítica! Antes de realizar estudos superiores é preciso apreender a pensar. Isto está em conflito com a atual visão de que tudo tem que ser rápido e sem que “percamos” tempo com o estudo dos fundamentos, não diretamente aplicáveis na vida prática.

No fundo, apenas os pensamentos próprios são verdadeiros e têm vida, pois somente eles são entendidos de modo autêntico e completo. Pensamentos alheios, lidos, são como as sobras da refeição de outra pessoa, ou como as roupas deixadas por um hóspede na casa”. (Schopenhauer: “A Arte de Escrever”, p. 41)

“O sinal característico dos espíritos de primeiro nível é a espontaneidade de seus juízos. Tudo o que vem deles é resultado de seu pensamento mais próprio e se mostra como tal já na sua maneira de se expressar. (Schopenhauer: “A Arte de Escrever”, p.50)

Estas citações são indicadas para os doutorandos. Depois de apreender a pensar e a escrever é preciso apresentar textos autênticos e com seu próprio pensamento. Esta é a essência da vida acadêmica: pensar autonomamente e discutir, divulgar este pensamento. Apenas citar os outros é decadência.

“O douto emprega a sua força em dizer sim ou não, em criticar o que já foi pensado por outros; quanto a ele, todavia, não pensa mais…”  Nietzsche, Ecce Homo

Voltando para nosso pesquisadores: não seria melhor uma produção de melhor qualidade mas com menor quantidade? Para mim a obtenção de qualidade na pesquisa é algo parecido com o desenvolvimento dos vinhos de alta qualidade: há regras que limitam o peso das uvas colhidas por acre para a produção dos melhores vinhos, é melhor menos com maior qualidade do que mais com mediocridade. Não esta na hora de começarmos a descontar pontos por produção quantitativamente grande mas de pequena relevância? Ou avaliarmos os pesquisadores por, digamos, suas dez melhores produções?

Vamos agora para analisar a qualidade da escrita:

“O pretenso melhoramento “atual” da língua, empreendido por garotos que saíram cedo demais da escola e cresceram na ignorância, também tornou a  pontuação sua presa, manipulando-a hoje em dia, em geral, com uma negligência proposital e presunçosa”.  (Schopenhauer: “A Arte de Escrever”, p.108)

“Quem escreve de maneira displicente confessa com isso, antes de tudo, que ele mesmo não atribui grande valor a seus pensamentos”. Schopenhauer: “A Arte de Escrever”, p. 114)

É essencial que para apresentarmos boas ideias que escrevamos corretamente. O desprezo pela boa escrita, a falta de estudo e a tendência a rapidez não pensada levam à mediocridade. Recentemente surgiu uma nova língua: o Globish. Globish é um subconjunto do idioma Inglês formalizada por Jean-Paul Nerriere. Este dialeto usa um subconjunto da gramática Inglês padrão, e uma lista de 1.500 palavras em Inglês. O Globish não é uma linguagem em si, mas é a base comum para ser adotada pelos não falantes nativos de inglês no âmbito dos negócios internacionais. McCrum escreveu o livro Globish: Como o Inglês linguagem tornou-se uma língua mundial (ISBN 9780393062557) descrevendo Globish como um fenômeno econômico, ao contrário de “global Inglês”, cuja utilização é muito mais diversificada do que apenas um negócio. O termo Globish é uma junção de “Global” e “English”. (Wikipedia) Há uma alternativa popular nos Estados Unidos chamada de Espanghish, um dialeto falado pelos hispânicos morando nos EEUU. Horrível! Sabem o que significa “llamando a detrás“? Callback

Esta ideia, o Globish, só leva em conta o empobrecimento do texto e uma sintaxe simplificada. Mas isto não resolve o problema de compreensão e de troca de informação. Olhem só o problema: em português a palavra tanque pode significar um veículo de guerra, um depósito de líquido ou um objeto para lavar roupa. Em alemão este conceito pode ser expresso por: kampfpanzerwagen => veículo blindado de guerra, não há nenhuma dúvida sobre o seu significado. Não é com a imbecilização do inglês que se vai conseguir uma melhor troca de informação e de compreensão entre os parceiros sociais. O mesmo ocorre com o XML, é apenas uma sintaxe e não trata do real problema da semântica associada, conforme John Sowa:

“The latest attempt to integrate all the world’s knowledge is the semantic web. So far, its major contribution has been to propose XML as the common syntax for everything. That is useful, but the problems of syntax are almost trivial in comparison to the problems of developing a common or at least a compatible semantics for everything.”

No Spanglish encontramos a mediocridade, em vez de melhorar o estudo do Inglês procura-se uma simplificação supondo que isto melhorará a troca de conhecimento e a interação. Engano e fraude, como a língua fica simplificada perde-se o sentido profundo e as pessoas pensam que usam os mesmos símbolos para se referir a um conceito quando estão pensando coisas diferentes (Semiótica). Sobre isto Schopenhauer escreve:

“Primeiro é preciso compreender corretamente todos os conceitos que a língua a ser aprendida designa com suas palavras e, a cada palavra dessa língua, pensar imediatamente no conceito exato correspondente, sem traduzir primeiro a palavra por uma da língua materna, para depois pensar no conceito designado pela tradução. Pois nem sempre o segundo conceito corresponde com exatidão ao primeiro, e o mesmo pode ser dito em referência a frases inteiras. Só assim se compreende o espírito da língua a ser aprendida, dando-se com isso um grande passo para o conhecimento da nação que fala essa língua, porque a língua é, para o espírito de uma nação, o que o estilo é para o espírito de um indivíduo” …Pessoas pouco capazes também não assimilarão com facilidade uma língua estrangeira: elas chegam a aprenderas palavras da língua, no entanto sempre as empregam no sentido do equivalente aproximado que existe em sua língua materna e só decoram as locuções”. (Schopenhauer: “A Arte de Escrever”, p. 152)

Creio que podemos finalizar, é precisa uma reação importante para que consigamos um ensino e pesquisa de qualidade. Não é possível mais aceitar provas com questões de marcar opções, o vestibular de cruzinhas” é um dos maiores inimigos da cultura. A partir de agora vou formular sempre questões dissertativas que obriguem o raciocínio e a estruturação do conhecimento.


Novo artigo publicado: BEATnIk: an algorithm to Automatic generation of educational description of movies

Logo CBIE 2017

O artigo recebeu Menção Honrosa no Brazilian Symposium on Computers in Education (Simpósio Brasileiro de Informática na Educação – SBIE 2017)


Vinicius Woloszyn, Guilherme Medeiros Machado, José Palazzo Moreira de Oliveira, Leandro Wives, Horacio Saggion

Resumo

Teachers and professors have increasingly employed different methods to enrich the learning of a subject in class, drive other assignments, and meet curriculum standards, are some examples of it. One of such methods is the use of movies as an alternative educational experience to support class discussions. In this sense, websites such as www.TeachWithMovies.com, arise as a valuable support to the creation of lesson plans. In this website, each movie is described as a lesson plan targeting the learn of a subject, the plans comprise the movie benefits and possible problems, a helpful background, the discussion and some interesting questions to be presented to the students. However, the creation of such lesson plan or even a simple educational description of the movie can demand much work and time, since the developed text must consider educational aspects of the movie. In this paper, we describe BEATnIk (Biased Educational Automatic Text Summarization) an algorithm to automatic generation of movie’s summaries, such algorithm favors educational aspects from the text to generate a biased educational summary. The algorithm input, are users’ comments about the each movie that has a lesson plan in the TeachWithMovies (TWM) website, and the user’s comments extracted from amazon’s website. BEATnIk constructs a complete graph for each movie where each sentence from the comments’ set becomes a node, and each edge weight is defined by the value of an adapted cosine similarity between the sentences. The algorithm then employs the PageRank to compute the centrality of each node. The intuition behind this approach is that central sentences highlight aspects of a movie that many other reviews frequently mention. In addition, BEATnIk takes into account keywords extracted from the lesson plans of TWM. The final educational summary is based on the centrality score of the sentences pondered by the presence of educational keywords. The comparison of our approach to TextRank, which is a Graph-based Automatic Text Summarization, revealed that BEATnIk generate summaries closer to the description of the movies in TWM. The experiments showed that our approach statistically outperforms the baseline in precision, and achieves better results both in recall and f-score using ROUGE-n, which is a set of metrics used for evaluating automatic summarization.


Texto completo: PDF

 

Presidente da Capes defende debate amplo sobre o sistema de pós-graduação brasileira

CAPES Os desafios orçamentários atuais afetam o futuro da expansão da pesquisa acadêmica no país. Além disso, para Abílio Baeta Neves, as universidades precisam voltar a ser protagonistas na discussão sobre qual o sistema mais adequado para o avanço acadêmico

É inegável o papel estratégico da Capes para o sistema acadêmico brasileiro. A instituição é responsável pela concessão de aproximadamente 100 mil bolsas ao ano, além de avaliar a qualidade da oferta dos cursos de pós-graduação ofertados pelas universidades. Papel tão central no fomento à especialização coloca a Capes em uma posição privilegiada para mapear os desafios da especialização acadêmica. No primeiro painel da 69ª Reunião Anual da SBPC, “Os Desafios da Pós-Graduação”, esse olhar crítico sobre o presente e futuro da pós foi apresentado pelo presidente da Capes, Abílio Baeta Neves.

….

Mariana Mazza – especial para o Jornal da Ciência

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As Universidades se esqueceram que são IES – Instituições de Ensino Superior

UniversidadeHoje as Universidades avaliam seus professores quase que exclusivamente por suas atividades de pesquisa e por suas publicações. Tenho escrito sobre a avaliação na pós-graduação, mas agora vou começar a tratar um pouco da avaliação dos professores na graduação e na missão das Universidades. Acredito que a atual forma de avaliação é uma decorrência do modelo de Universidade Humboldtiana, mas isto fica para um próximo texto.

É preciso entender o que é uma Universidade. Há bastante tempo publiquei uma crônica sobre “Deem Tempo para a Universidade Pensar ou os modelos de Universidade” onde já tratava do assunto. Recentemente voltei ao mesmo assunto, mas o tema é recorrente. Vou copiar parte daquele texto.

A university is an institution of higher education and research, which grants academic degrees at all levels (bachelor, master, and doctorate) in a variety of subjects. … The word university is derived from the Latin Universitas Magistrorum et Scholarium, roughly meaning “community of masters and scholars“.Wikipedia

[A Universidade é uma instituição de ensino superior e de pesquisa que concede graus acadêmicos em todos os níveis (graduação, mestrado e doutorado) em uma gama de temas. … A palavra universidade é derivada do latim Universitas Magistrorum et Scholarium, que significa “comunidade de mestres e acadêmicos”.]

O cientista Carl Sagan (falecido), para os obcecados por bibliometria anexo ao final seus dados, escreve em seu livro “O Mundo Assombrado pelos Demônios” onde trata da ciência e das crendices e pseudo-ciência escreve:

Na Universidade de Chicago, também tive a sorte de participar de um programa de educação geral planejado por Robert M. Hutchins, em que a ciência era apresentada como parte integrante da magnífica tapeçaria do conhecimento humano. Considerava-se impensável que alguém desejasse ser físico sem conhecer Platão, Aristóteles, Bach, Shakespeare, Gibbon, Malinowski e Freud _ entre muitos outros. Numa aula de introdução à ciência, a visão de Ptolomeu de que o Sol gira ao redor da Terra era apresentada de forma tão convincente que alguns estudantes se flagravam reavaliando seu compromisso com a teoria de Copérnico. No currículo de Hutchins, o status dos professores não tinha quase nada a ver com a sua pesquisa; inflexivelmente ao contrario do padrão moderno da universidade norte-americana , os professores eram avaliados pelo seu ensino, pela sua capacidade de informar e inspirar a próxima geração. Nessa atmosfera inebriante, consegui preencher algumas das muitas lacunas na minha educação. Grande parte daquilo que era profunda- mente misterioso, e não apenas na ciência, tornou-se mais claro. E também testemunhei em primeira mão a alegria que sentem aqueles que têm o privilégio de revelar um pouco do funcionamento do Universo. Sempre fui grato aos meus mentores dos anos 50, e tentei me certificar de que cada um deles soubesse do meu apreço. (ISBN 85-7164-606-6, P. 15)

Esta é uma indicação clara entre um pesquisador e um Cientista. As nossas Universidades se esqueceram que são Instituições de Ensino e que a pesquisa é uma forma de qualificar seu Ensino. Certamente em tópicos precisos, fundamentais ou tecnológicos podemos gerar contribuições excelentes, mas somos Professores. Um assunto para meditação.

Em um artigo na Folha de São Paulo Adalberto Fazzio e Sidney Jard Da Silva sobre a “Universidade do Século 21” aparece esta citação de Max Weber:

No início do século passado, o renomado sociólogo alemão Max Weber observou que somente por acaso se poderia encontrar em um mesmo homem as vocações de cientista e professor. Apenas em situações fortuitas teríamos a felicidade de entrarmos em uma sala de aula e depararmos com o acadêmico igualmente “vocacionado” para o ensino e para a pesquisa”.

Eu havia tratado deste assunto em um texto de 2010 “Carreiras nas Universidades“, acho que está na hora de rediscutirmo o tema.

Afinal qual é a missão de uma Universidade? Tentem esta consulta no Google sobre sua Universidade preferida: “missão <nome da universidade>”, verão que muitas não apresentam claramente sua missão. Listo, a seguir três que encontrei:

UFMG

Gerar e difundir conhecimentos científicos, tecnológicos e culturais, destacando-se como instituição de referência nacional, formando  indivíduos críticos e éticos, com uma sólida base científica e humanística, comprometidos com  intervenções transformadoras na sociedade e com o desenvolvimento socioeconômico regional e nacional.

PUC Rio

A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro é uma instituição comunitária de Educação Superior, de acordo com Portaria 679, de 12/11/2014, da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior, filantrópica e sem fins lucrativos, que visa produzir e propagar o saber a partir das atividades de ensino, pesquisa e extensão, tendo por base o pluralismo e debates democráticos, objetivando, sobretudo, a reflexão, o crescimento e enriquecimento da sociedade.

Missão da UFSCar

Missão da UFSCar: Produzir e tornar acessível o conhecimento. Como afirmado no PDI (2005) – PDI apresentado segundo o formato SPIEnS/MEC para o período de 5 anos – não é incomum confundir-se a missão da universidade pública com as suas atividades-fim: o ensino, a pesquisa e a extensão. São estas três atividades que, de forma indissociada, dão concretude à missão da universidade de produzir e tornar acessível o conhecimento. Nesta conceituação sintética o tornar acessível envolve tanto a formação dos alunos como a interação com os diferentes segmentos da sociedade para o compartilhamento e (re)construção do conhecimento.

Afinal parece que a real missão é a formação de alunos sendo que a interação humboldtiana da pesquisa com o ensino tem por objetivo a Formação de Recursos Humanos. Grande parte de nossa crise como nação é esta falta de formação em grande escala de recursos humanos de alta qualidade. Será que esquecemos da nossa missão?


Query Source Papers Citations Cites_Year Cites_Paper h_index g_index
Carl Sagan Google Scholar 987 26420 184.76 26.77 72 152

MOOCs, benção ou maldição?

Um editorial do Editor em Chefe da revista Communications of the ACM, Moshe Vardi: “Will MOOCs Destroy Academia?” trata o assunto com certo detalhe. Este editorial (CACM, v. 55, n. 11, p. 5) está focado exatamente nos MOOCs como uma ferramenta que pode revolucionar o ensino… É importante a leitura completa do texto original. Concordo completamente com as opiniões ali expressas: trata-se de uma “MOOC mania” ou de um “MOOC panic”. Uma frase é essencial para compreender a visão nos Estados Unidos sobre o assunto:

It is clear, therefore, that the enormous buzz about MOOCs is not due to the technology’s intrinsic educational value, but due to the seductive possibilities of lower costs”.

[É claro, portanto, que o enorme alvoroço sobre MOOCs não é devido ao valor intrínseco da tecnologia educacional, mas, devido às possibilidades sedutoras de custos mais baixos].

Naquele editorial ele termina dizendo que pensa que invocamos um espírito ou mago e que se tivesse uma “varinha de condão” faria desaparecer os MOOCs. Eu estou pensando que o que fizemos realmente foi abrir a Caixa de Pandora, lembrem-se que quando ela foi fechada a última maldade que fico presa foi a Esperança pois era considerada irmã da Mentira. Esta esperança de substituir as Universidades por MOOCs é a mistificação atual, mas já passando.

 

As melhores Universidades Públicas do Brasil

O Guia do Estudante da Abril tem uma classificação das universidades baseada na avaliação de seus cursos. A seguir a classificação da melhores universidades públicas do Brasil. Notem que como qualquer classificação esta é baseada em uma dimensão: a qualidade de seus cursos. Entretanto a qualidade de cada curso tem, por sua vez, múltiplas dimensões ponderadas para chegar ao número de estrelas. 

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