As melhores Universidades Públicas do Brasil

O Guia do Estudante da Abril tem uma classificação das universidades baseada na avaliação de seus cursos. A seguir a classificação da melhores universidades públicas do Brasil. Notem que como qualquer classificação esta é baseada em uma dimensão: a qualidade de seus cursos. Entretanto a qualidade de cada curso tem, por sua vez, múltiplas dimensões ponderadas para chegar ao número de estrelas. 

Links associados: 

 

Complexidade e vida real

Sempre tive dificuldade de explicar para meus alunos de Classificação e Pesquisa de Dados a grande diferença entre a complexidade de um algoritmo e os problemas das implementações reais. No terceiro semestre a troca de contexto tratando o mesmo problema não parece evidente.  Estava lendo a Communications of the ACM quando encontrei um artigo muito bom para resolver meu problema 10 Optimizations on Linear Search Thomas A. Limoncelli, Communications of the ACM, Vol. 59 No. 9, Pages 44-48, DOI 10.1145/2980976. Em um texto bem humorado o autor começa com um problema trivial e desenvolve uma análise muito didática sobre a diferença entre a complexidade de um algoritmo em memória e a vida real em um ambiente de produção. Vale a pena a leitura!

Precisamos de alunos em tempo integral!

Hoje estou voltando ao assunto da qualidade do estudo nas Universidades brasileiras. Discuti, anteriormente, o problema da enorme carga de horas-aula impostas aos alunos. O assunto gerou uma ampla discussão com comentários no site e debates aqui no Instituto. Minha conclusão é que como os alunos são em grande parte de tempo parcial é preciso usar a antiga prática de “ensinar” tudo na aula. O professor usa o tempo para explicar tudo e fazer exercícios para os alunos acompanharem. Depois, na prova, é cobrado exatamente o que foi ensinado em aula. 


Figura 1: Apresentação CAPES no Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa 2010

A preocupação com o estudo e o trabalho em paralelo me levou a pensar mais sobre o assunto. Observa-se na figura 1 que aos 17 anos (entrada na Universidade) apenas 35% dos alunos estudam exclusivamente. Na saída, ou seja, aos 21 anos, apenas cerca de 8% deles estudam em dedicação exclusiva. Minha pergunta é ligada a seguinte dúvida: é possível atingir um nível de competição internacional com este perfil de estudante? Notem que a queda de alunos que estudam exclusivamente é muito acentuada. Isto justifica a observação que a maioria dos cursos de universidades no Brasil são noturnos. Em muitas universidades os campi estão desertos de dia e lotados de noite. É claro que as pessoas precisam garantir a sua subsistência e fazem esforços imensos para estudar, tenho admiração por estes dedicados estudantes, mas estas são as condições para uma formação adequada? Certamente seguir estes cursos produz uma melhora no nível de conhecimento, mas para a competição internacional esta formação é suficiente? Olhem o exemplo do discutido exame da OAB (estou apenas tratando o resultado de uma avaliação externa e não discutindo sua validade legal): que taxa horrível de reprovação! Noventa das faculdades com alunos fazendo o exame não tiveram nenhum aluno aprovado! Todos os que conhecem as boas universidades no mundo sabem que o período da noite é utilizado pelos alunos para “dar duro” e estudar e trabalhar em assuntos acadêmicos, aqui é o período normal de aulas.

Cursos quantidade e qualidade, o que é melhor?

Sala de aulaRecentemente foi publicado o resultado do ENEM por escola. Com a atual mania de serem criadas classificações (1.000 lugares para ver antes de morrer, as 100 melhores universidades no mundo ou, pior, os 1.000 melhores pesquisadores da América Latina) logo saíram listas e análises nos meios de divulgação sobre as melhores escolas, todas baseadas neste indicador único! Logo após, o Ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, deu uma entrevista para a Folha de São Paulo salientando alguns aspectos importantes.    

Folha: Voltando aos resultados do Enem, que sugestão o sr. daria para famílias que estão escolhendo escolas?

Ministro: Depende de várias coisas. Se tem dinheiro para mensalidade ou se vai para a escola pública. Escolha uma escola perto de casa, que não estresse o aluno indo e voltando.

A nota do Enem é importante. Você pode identificar várias escolas da região, mas deve visitá-las. E, hoje, quando você olha na tabela do Enem, há diversos indicadores: se a escola atende classes sociais mais pobres, se tem permanência longa dos alunos e se é grande.

Tendo a dizer: procure uma escola maior. Ali, seu filho terá contato com pessoas mais diferentes entre si. Vai conhecer o preguiçoso, o esforçado, o desobediente, tipos de pessoas que ele encontrará na vida. Numa escola pequena, as pessoas podem ser muito parecidas. A nota pode ser maior, porque é mais fácil dar aula para estudantes parecidos. Mas, no futuro, o garoto ou a garota não vai conseguir lidar com um mundo cada vez mais complexo.

Folha: Esse convívio compensa a nota menor no Enem?

Ministro: Claro que, se a escola é ruim, tem de sair. Mas a partir de determinado patamar… A escola não é apenas aulas. Tem muito material na internet, a pessoa pode ler romances. É mais importante para a pessoa sentir que está se formando. Mais importante do que saber os afluentes das margens esquerda e direita do rio Amazonas é saber pensar.

Esta entrevista está mostrando claramente (há outras partes que tratam da disparidade socioeconômica) que a escolha e avaliação de uma escola ou curso são é apenas uma decisão baseada em um critério único, mas uma decisão complexa e adaptada à realidade do aluno. Com a atual crise no Brasil estou repensando algumas ideias antigas. Em dezembro de 2006 escrevi uma crônica com o título: “As Universidades brasileiras são competitivas?”. Se passaram quase nove anos e está na hora de rever alguns pontos de vista. Um trecho daquela crônica dizia:

“... Por outro lado há os cursos de “baixo custo” e “baixa tarifa”, como aquelas linhas aéreas que servem pacotinhos de amendoim em voos de quatro horas. O pior é que há pessoas que pensam que aquelas belas propagandas em outdoors de cursos de “baixa tarifa” são uma alternativa de trabalho profissional e e sonham com a ascensão social oferecida por estes diplomas. Bem, terão um lindo diploma, talvez colorido e dourado, para colocar na parede”. 

O presuposto daquela crônica era que deveríamos ter Universidades de qualidade mundial. Naquela época pensávamos que o Brasil (ou Brazil) estava decolando e se tornando uma real potência mundial. Agora percebemos que somos mesmo um representante do Terceiro Mundo. Há algum tempo escrevi uma série de posts no blog sobre a qualidade dos cursos de pós-graduação:

Eu pretendia fazer uma análise dos cursos de pós-graduação de primeira linha no mundo para que pudéssemos utilizá-los como modelos. Depois entendi a irrealidade de meu objetivo e desistí de continuar este estudo e publicação, leiam os posts acima e entenderão que é impossível para nós com as regulamentações bur(r)ocráticas e controles dos TCUs fazer qualquer coisa assemelhada. No último Congresso da SBC, em uma plenária do SECOMU, surgiu a discussão sobre a qualidade de nossos cursos. Esta discussão foi muito impactante para mim. Desde que entrei na Universidade houve uma mudança da noite para o dia. Naquela época éramos realmente periféricos e hoje nossos programas de pós-graduação de ponta têm uma boa visibilidade no mundo. O mesmo se passa com nossos bons cursos de graduação. Mas a pergunta que não quer calar é: “Teremos realmente Universidades de primeira linha?”.

O que é uma universidade de primeira linha? São Universidades com prêmios Nobel,  são Universidades para onde os pesquisadores top querem ir em seus sabáticos, são Universidades para onde os melhores alunos do mundo querem ir para ter seu futuro assegurado. Não temos nenhum Prêmio Nobel no Brasil, agora nem mesmo futebol de primeira linha. Hoje, lendo o jornal, leio a classificação de Xangai ode aparecem a USP na 143ª posição, a UFMG na 317ª, a UFRJ na 318ª, a Estadual Paulista na 362ª, a UNICAMP na 365ª e a UFRGS na 421ª. No Face estamos recebendo várias mensagens informando sobre a não abertura do segundo semestre de Universidades Federais por falta de verbas. Tenho informação de que ocorrerão algumas dezenas de demissões de porofessores DE até o fim do ano em boas Universidades privadas por redução de alunos. Algo vai muito mal.

Então estou pensando que todos estes cursos de baixo custo são importantes para aumentar o nível médio de formação dos brasileiros. Algum dia esta melhoria de conhecimento e de formação vai estimular uma ação de mercado: as pessoas vão ter mais recursos e procurarão os cursos que ofereçam maiores possibilidades de futuro e de carreira. Acho que precisamos entender que somos um país pobre e que não há como termos realmente a competitividade de primeira linha. Alguns poucos grupos podem estar neste nível, mas nenhuma Universidade pode se comparar com as de primeira linha no mundo. Temos, isto sim, que garantir nossa posição na liderança da segunda divisão, mas mesmo isto estamos perdendo em relação aos BRICS. Para isto a Sociedade e o Governo precisam entender que precisamos ter algumas Universidades de primeira linha, nestas o acesso deveria ser exclusivamente pelo mérito acadêmico. Nestas Universidades deveria ser garantido o acesso e  condição de estudo (bolsas, alojamento, apoio) a todos os que tivessem mérito e dedicação, independentemente de sua condição socioeconômica. Aliás, é isto que a China está fazendo. A ascensão social e a cultura geral só pode ser obtida por grandes investimentos em educação e pela existência de níveis de ensino adaptados a cada situação pessoal.

Planejamento para um curso no exterior

Sair para um período longo para fazer uma especialização, mestrado ou doutorado no exterior é uma decisão difícil de ser tomada. Uma vez tomada a decisão, algumas atividades e precauções podem ser muito úteis para aumentar a chance de bons resultados na tarefa. Aqui apresento um check-list de atividades e sugestões para o seu sucesso.

  • A primeira atividade é conhecer bem o local para onde pretende ir. Estude tudo o que for possível: detalhes da universidade, da cidade, atrações turísticas, serviços de saúde, ambiente esportivo e cultura. Uma grande coisa é chegar em um local com uma boa visão do que esperar, isto evita desilusões e facilita a vida. Use os serviços de busca, comece pelo nome da Universidade, do grupo de pesquisa, dos professores orientadores. Continue com a cidade, a região e os demais interesses pessoais na região.
  • Fale com pessoas que já tenham estudado lá, faça perguntas. Se você tiver a sorte de estar estudando em uma universidade com boas vinculações internacionais, procure conseguir um estágio curto na universidade-alvo antes de ir para um longo doutorado. Se você está fazendo seu curso de graduação em uma instituição mais isolada procure participar em algum projeto de pesquisa em cooperação com uma boa universidade de pesquisa. Isto lhe abrirá muitas portas, participar de um grupo conhecido já é uma recomendação importante.
  • Lembre-se que os professores da universidade no exterior também são avaliados. Eles precisam minimizar os riscos, então você deve demonstrar que será uma boa aquisição para o grupo de pesquisa. Mostre seus trabalhos, suas competências, uma carta de recomendação de um professor ou pesquisador conhecido na universidade receptora é um ponto importante. Mas é preciso que este professor o conheça mesmo, a carta deve ser bem detalhada e fazer uma análise real do candidato. Cartas do tipo: “Fui seu professor em uma disciplina de graduação e sempre pareceu um aluno dedicado…” não servem para nada.
  • Se o seu perfil for vocacional, na definição da ISCDE, verifique se seu curso tem convênios com empresas que tenham ou parcerias no exterior ou sejam subsidiárias de empresas internacionais. Ter realizado estágios no Brasil conta na avaliação, obtenha cartas de recomendação de seus supervisores. É importante a capacidade de trabalho independente e capacidade de relacionamento com a equipe de trabalho.
  • De qualquer forma procure todas as oportunidades de intercâmbio, cursos de línguas, treinamentos profissionais, trabalho voluntário. Tudo isto conta muito no processo de seleção.
  • Há dois grandes perfis: o de pesquisa (ISCDE 6) e o vocacional (ISCDE 5B). Identifique claramente qual é o seu perfil. Quanto mais cedo conseguir saber o que vai fazer, mais fácil para orientar sua carreira. Espero que no futuro seja possível fazer pesquisa avançada em muitas empresas brasileiras, mas hoje ainda temos dificuldades para a inserção de doutores nestas empresas. Se for pesquisador é essencial um bom mestrado com boas publicações e talvez um estágio curto, um intercâmbio na graduação conta muito. Se o perfil for vocacional, estágios técnicos, capacidade avançada de relacionamento, experiência prévia de estágios no país são importantes. Em ambos casos o domínio da língua e da cultura do país e da universidade ou empresa conta muito para a seleção.
  • Lembre-se que vai trabalhar muito! O turismo, as pequenas férias, as excursões são uma parcela bem pequena do tempo total no exterior. Esteja preparado para trabalhar muito mais do que em sua graduação aqui no Brasil. Quanto ao dinheiro, este é curto mas com bom planejamento dá para viver adequadamente. O que você vai ganhar – fora da formação profissional – é a experiência de viver em uma outra cultura, de poder ter acesso a outras alternativas de diversão, de teatro e de esportes e ver que sempre há outros pontos de vista diferentes para as coisas que você achava obvias. Esqueça um pouco o chimarrão, o samba, o frevo e viva a cultura do país que o está recebendo, esta será uma oportunidade única. Não viva em “guetos” brasileiros, faça amigos no país e entre os colegas do curso. Estas relações serão muito úteis no futuro.
  • Para solicitar uma bolsa de doutorado no exterior você deve, pelo menos, ter as condições de ser aceito por um bom programa de doutorado no Brasil. Muitas universidades no exterior  aceitam mais facilmente, ou até muito facilmente, candidatos com bolsas do Brasil, é um risco zero para elas. A condição para obter estas bolsas (CAPES E CNPq) é a excepcionalidade, do aluno, da instituição receptora e do plano de pesquisa, sem estas condições nem perca tempo submetendo propostas. A alternativa é encontrar uma fonte externa de apoio financeiro.