Visibilidade da pesquisa

Fui convidado para apresentar uma palestra e participar de uma mesa redonda no VIII Workshop do Programa de Pós-graduação em Ciência da Computação da UNESP Em Presidente Prudente-SP. O evento foi muito produtivo gerando discussões interessantes sobre a visibilidade da pós-graduação. Procurei apresentar minha visão sobre a visibilidade da Pesquisa: hoje perdemos a visibilidade por parte da população, estamos demasiadamente preocupados em mostrar nossa produção em termos do Índice Restrito da CAPES. Vocês acham que a população, que nos paga as pesquisas, sabe o que é isso? O mundo mudou, redes sociais são essenciais para a divulgação de nosso trabalho. Precisamos mostrar a importância social do que fazemos de forma que seja possível a sua compreensão pelo público geral. A partir disso é possível relacionar a parte científica com as pesquisas desenvolvidas. As publicações são a consequência de uma pesquisa de qualidade, não o resultado da pesquisa. Então resolvi compartilhar a apresentação para meditação dos colegas da CC.

visibilidade

Avaliação da CAPES, Vestibular e QUALIS

Logo da CAPESEstava pensando sobre a avaliação realizada pela CAPES dos programas de pós-graduação. Tenho escrito bastante sobre o assunto, afinal a pesquisa e o ensino em Computação é minha atividade essencial. Um dos textos publicados foi sobre Individualismo ou o QUALIS e a Avaliação onde me preocupava com o problema da utilização do QUALIS para avaliações de pessoas, o que é dito como uso inadequado pela CAPES. Mas agora estava pensando sobre o que acontece, então me surgiu a analogia com o vestibular. Este exame foi criado para selecionar os candidatos para a Universidade. Qual seu real objetivo? No início era evidente: avaliar o real conhecimento dos candidatos. Quando a competição começou a aumentar surgiram os cursinhos, segui um dos primeiros aqui em Porto Alegre. Como funcionavam estes cursinhos? Eram aulas ministradas por professores bem conhecidos no secundário ou mesmo nas universidades que ministravam aulas revisando e explicando os fundamentos e os conteúdos das disciplinas. Começavam com o primeiro ano do secundário, seguiam para o segundo e terceiro. Era de fato um condensado do secundário tirando as dúvidas e  procurando aumentar a compreensão dos candidatos. O exame vestibular era textual, com questões que deveriam ser respondidas com textos e cálculos, um verdadeiro exame. Ai surgiu um problema: com o aumento dos candidatos o modelo não escalava! O vestibular passou a ser composto por questões de cruzinha. Nesta época eu participava tanto da Comissão de Vestibular quanto do CPD da UFRGS, conheci bem o problema nos dois sistemas: fiz o vestibular com questões textuais e participei do processo do vestibular com múltiplas provas de escolha simples ou múltipla. Ai os cursinhos degeneraram, passaram a ser treinamentos sobre a melhor forma de responder as questões. O treinamento são verdadeiras gincanas. As aulas, de um ponto de vista tradicional, são sessões de teatro ou de circo. Certamente a qualidade do processo de seleção piorou, ou se degradou. 

 Com a avaliação dos programas de pós-graduação se passou o mesmo. Também participei de toda a evolução. No início era feita uma avaliação detalhada de cada programa, uma comissão visitava o programa, entrevistava professores e escolhia alunos ao acaso para entrevistas individuais. As bibliotecas, salas de aula, equipamentos eram analisados. Havia um julgamento. Ai houve um aumento gigantesco de cursos de pós-graduação (mais tarde farei uma análise comparativa com outros países) e o sistema, novamente, não escalava! Já vimos isto antes… Conclusão: é preciso achar uma forma de avaliar os programas sem gastar muito. Foi, então, criada a obsessão pela métrica das publicações. E ai surgiu a distorção. Em um texto anterior escrevi:

Há uns meses avaliei um artigo internacional e, como sempre faço, realizei uma busca na Web para encontrar as demais publicações do autor. Hoje existe uma enorme pressão para avaliar os pesquisadores por suas publicações e, muitas vezes, pela quantidade delas. Esta pressão leva muitas pessoas a uma atitude que chamo de “mass publication process” onde o mesmo conteúdo é maquiado para parecer diferente e é publicado várias vezes. Por isto um revisor responsável precisa verificar o grau de originalidade de um artigo antes de emitir um parecer conclusivo. Fiquei impressionado pela quantidade de publicações encontradas daquele autor nos últimos dois ou três anos! Analisando com mais cuidado descobri que em apenas uma conferência ele tinha 7 publicações registradas no DBLP, 6 em outra e 5 em uma terceira. Ao analisar os artigos deu para ver que, agregados os de cada conferência, dariam um  artigo adequado e denso. Como os artigos foram estrategicamente distribuídos para vários workshops associados e para a conferência principal acabaram sendo aceitos. Será que este pesquisador é melhor por ter 18 artigos nestas conferências, além de mais umas 12 variações sobre o mesmo tema, do que seria se tivesse publicado dois ou três artigos densos em vez de 30 pontuais tratando, maquiadamente, do mesmo assunto?

Uma justificativa foi que era preciso achar uma métrica objetiva para realizar a avaliação, isto é, fugir da responsabilidade do julgamento. Mas neste caso nenhuma métrica é objetiva, os dados escolhidos são subjetivos e ideológicos. Hoje há uma visão de que a única cois que vale são publicações. Agora me surgiu uma ideia: não seria melhor colocar uma montanha de dados para um algoritmo de ‘superhuman’ DeepMind AI e verificar os resultados? A menos que a resposta fosse 42… Como vemos há uma tendência a perdermos o foco de qualquer coisa e procurar a solução mais fácil e barata. Aliás, há a famosa frase sobre os caminhos:

“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem”.

É isto que realmente ocorre, achar a qualidade é essencial, achar um método que escala é fácil mas de menor qualidade. Esta qualidade desejada se consegue trabalhando em bons problemas e com grupos consistentes. A escolha destes problemas reais é essencial, a criação de grupos hierárquicos para trabalhar com estes problemas é essencial. Um assunto que precisa ser discutido é a diversidade cultural e de perfis de trabalho na pós-graduação. Atualmente está aceito que a diversidade nos grupos sociais e acadêmicos é um dos melhores fatores para aumentar a eficiência e a criatividade. Culturas, gêneros e opiniões diferentes favorecem o convívio e abrem novas possibilidades para o tratamento dos temas de trabalho. Pergunto: “Por que isto não acontece nas pós-graduações?”. O consenso é que só devem participar dos programas professores-pesquisadores com um número alto de publicações em journals com alto fator de impacto. Mas um grupo criativo é algo bem diferente. Os coordenadores de programas de pós-graduação expurgam ótimos professores (que poderiam ministrar ótimas aulas) para aumentar os índices CAPES. Isto é uma exclusão. Aqueles que são dotados para a implementação também são excluídos, sobram apenas os publicadores. Com este comportamento perdemos muitas pessoas que seriam importantes para a formação de nossos alunos e para o desenvolvimento dos projetos. Isto sem contar com a criatividade oriunda da diversidade de perfis. O ponto central não é a qualidade e criatividade do grupo, mas sua adequação à bibliometria avaliativa. Se quisermos qualidade real será preciso uma profunda mudança em nossos critérios.

Resumindo: precisamos de bons problemas, grupos com diversidade e qualidade, hierarquia na pesquisa e avaliação por julgamento. Mas como este dito anônimo retrata:

As Universidades e os cemitérios são refratários às mudanças, os que ali estão não querem se mover.

A parte disto considero que estamos dando a mensagem errada para os jovens, tanto alunos quanto pesquisadores. O importante não é a contagem de artigos, mas a pesquisa de qualidade. Entendo que dependemos do dinheiro da CAPES e que devemos nos preocupar com a avaliação, é o caso de fazer o que quem paga quer (não vou considerar profissões assim…). Mas a avaliação deveria ser consequência de uma boa pesquisa e não obtida por regras.

 

Sobre os programas de pós-graduação em Computação – Carta de Búzios 2007


Pesquisa e desenvolvimentoHá exatos dez anos, entre os dias 30 de novembro e 2 de dezembro de 2007, reuniu-se em Búzios um grupo de 19 pesquisadores, membros dos comitês da CAPES e do CNPq, da SBC – Sociedade Brasileira de Computação e da ABC – Academia Brasileira de Ciências. O objetivo da reunião foi analisar a evolução da área de Computação no Brasil, com vistas a um planejamento a curto, médio e longo prazo. Os participantes foram:

Alberto Laender
Ana Teresa de Castro Martins
Carlos José Pereira de Lucena
Clarisse Sieckenius de Souza
Claudia Bauzer Medeiros
Edmundo de Souza e Silva
Henrique Pacca Loureiro Luna
Jayme Luiz Szwarcfiter
José Carlos Maldonado
José Palazzo M. de Oliveira
José Roberto Boisson de Marca
Luis Fernando G. Soares
Marco Antonio Casanova
Nelson Fonseca
Nivio Ziviani
Paulo Cesar Masiero
Paulo Cunha
Philippe Navaux
Ricardo Anido
Teresa Bernarda Ludermir

Na época foram feitas algumas recomendações. É claro que passados dez anos algumas coisas evoluíram, mas ainda há muito a ser feito. Acredito que precisamos retomar a discussão e passar a considerar critérios múltiplos de avaliação com mais intensidade. Apesar da CAPES insistir constantemente que o uso do QUALIS é inadequado para a avaliação monodimensional dos pesquisadores, e ainda pior por uma janela de quatro anos de suas publicações, esta avaliação continua sendo corrente nos programas. O objetivo do QUALIS não é a avaliação dos programas mas a análise dos mesmos para qualificar a contribuição para o país. Em recente palestra (2017) do Presidente do CNPq na ABC ele deixou claro que na dimensão de publicações estamos muito bem, infelizmente nas dimensões de inovação e de tecnologia desenvolvida ainda falta muito a ser conquistado, então estas dimensões devem ser valorizadas. Outra dimensão importante  para a qualificação de um programa é a formação de recursos humanos, esta dimensão deve ser considerada na vida de um pesquisador. Deixo a vocês a leitura do documento e a verificação do que a comunidade realizou nestes 10 anos…


RECOMENDAÇÕES SOBRE AVALIAÇÃO E POSICIONAMENTO DA ÁREA DE COMPUTAÇÃO

A Computação é hoje onipresente e essencial para o desenvolvimento econômico e social do País. Cabe a uma instituição de ensino e pesquisa adiantar-se às necessidades futuras da sociedade e preparar adequadamente as próximas gerações para suplantar os desafios daí advindos. Uma visão clara da evolução da tecnologia, uma percepção adequada das necessidades da sociedade, a contínua adaptação da estrutura curricular e a motivação de jovens talentos são condições necessárias para levar a cabo esta missão. Estas afirmações adquirem uma maior relevância em áreas com alto impacto social e evolução acelerada, como é o caso de Computação.

Com este pano de fundo e dentro das atividades constantes de planejamento estratégico da área, entre os dias 30 de novembro e 2 de dezembro de 2007, reuniu-se em Búzios um grupo de 19 pesquisadores, membros dos comitês da CAPES, do CNPq, SBC e IEEE, com o objetivo de analisar a evolução da área de Computação no Brasil, com vistas a um planejamento a curto, médio e longo prazo. Esta reunião havia sido programada desde o início do ano de 2007.

Os principais tópicos abordados foram: os trabalhos dos comitês do CNPq e CAPES no último triênio; os estudos sobre a produção em ciência da computação, em andamento, para dar subsídios ao processo de avaliação (especialmente aquelas conduzidas na UFMG, na UNICAMP e no IEEE); o aperfeiçoamento do QUALIS em vigor, com especial atenção para a importância das conferências para a área; e a inserção da Computação na classificação das áreas da CAPES e do CNPq.

Um tema que permeou todas essas discussões foi a necessidade de avaliar a inserção internacional da área de Computação, através de comparações com programas de excelência na América do Norte e Europa. Pesquisadores da  UFMG e da UNICAMP apresentaram um exercício de análise de desempenho da área com este objetivo, utilizando algoritmos e programas de mineração de dados em grandes bibliotecas digitais mundiais e dados sobre formação de doutores, inclusive os da CAPES. O exercício foi estendido, em parte, a áreas tais como Física, Biologia, Engenharia IV e Matemática. A análise confirmou que a comparação entre áreas baseada em bibliometria é um problema de grande complexidade e pode levar a conclusões bastante distorcidas.

Os participantes propõem três recomendações gerais, dirigidas à SBC e aos atuais e futuros comitês de avaliação e assessoramento da CAPES e do CNPq. A primeira recomendação é de curto prazo e urgente e as outras duas são de médio e longo prazo.

Recomendação 1: Revisão dos indicadores da produção dos programas de pós-graduação e da metodologia de avaliação

Os participantes sugerem que o próximo comitê de área da CAPES revise, com urgência, a definição dos indicadores da produção dos programas de pós-graduação e, por conseguinte, o próprio documento de área.

A revisão do documento de área deve partir de uma análise comparativa vertical para avaliar a inserção internacional dos programas de pós-graduação da área, em parte já realizado, conforme mencionado. Em particular, os índices medindo a produção bibliográfica e o WebQUALIS da área devem: (1) incorporar periódicos de áreas afins, à semelhança de outras áreas, como Engenharia IV; (2) incorporar conferências, reforçando a importância fundamental dos anais de conferências como meio de divulgação dos avanços da área, sem a limitação de conter apenas aquelas observadas no triênio.

Após consolidar o novo documento de área, os participantes sugerem que o próximo comitê avalie se a atual implementação do sistema utilizado pela CAPES permite especificar os indicadores definidos no documento e, se for o caso, solicitem modificações no sistema.

Recomendação 2: Criação de um esforço permanente de desenvolvimento e aprimoramento de ferramentas e metodologias para avaliação do desempenho e do impacto da área

Os participantes sugerem a criação, no contexto da SBC, de um esforço permanente de desenvolvimento e aprimoramento de ferramentas e metodologias para a avaliação do desempenho dos programas de pós-graduação e da contribuição da área para o crescimento econômico e bem estar social do País. Ressalte-se que o esforço não se destina a classificar os programas de pós-graduação, que é atribuição da CAPES.

Quanto à avaliação do desempenho dos programas, os participantes sugerem que a SBC coloque à disposição dos coordenadores de pós-graduação recomendações que promovam uma melhoria na qualidade dos dados levantados pelos programas, especialmente dados padronizados sobre os veículos de publicação da área (inclusive conferências).

Quanto à avaliação do impacto da área, os participantes sugerem que a SBC promova a consolidação e complemente as pesquisas e estudos já realizados, principalmente pelo MCT, para determinar a necessidade atual e projetada de profissionais da área.

Recomendação 3: Análise do posicionamento da área de Computação no contexto das grandes áreas

Os participantes sugerem que o próximo comitê de área da CAPES e o Comitê Assessor de Ciência da Computação do CNPq analisem em profundidade sobre qual deve ser o posicionamento da Computação no contexto das grandes áreas adotadas pela CAPES e pelo CNPq, criando uma caracterização mais precisa que fortaleça a área.

A análise deverá avaliar inicialmente se Computação deve ser tratada como uma grande área ou não; caso a decisão seja não tratá-la, a análise deverá indicar se Computação deve pertencer à grande área de Ciências Exatas e da Terra ou à grande área das Engenharias. Por fim, independentemente do resultado, a análise deverá avaliar a adequação de subdividir a área de Computação em duas de tal forma que uma subárea acomode os programas atualmente classificados como de Computação e a outra subárea inclua programas com um forte viés de Computação, mas que atualmente são classificados como multidisciplinares.

Regas da CAPES para o Pós-doutorado


Logo CAPES

Com as notas enviadas nas redes sociais sobre as novas regras da CAPES para o pós-doutorado no exterior estou republicando aqui a Portaria que define estas regras. Os seguintes pontos têm sido discutidos e criado dúvidas. Saliento o seguinte:

O pós-doutorado destina-se à complementação da formação do pesquisador, então é condição que seja concedido para pessoas com no máximo 8 (oito) anos de formação doutoral e que não possuam vínculo empregatício (art. 128)  ou no país de destino (art. 69);

Podem ser aceitos contratos temporários recebidos a título de Assistente de Ensino ou Pesquisa, desde que aprovados previamente pela CAPES (art. 69, §4);


COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR PORTARIA Nº 186, DE 29 DE SETEMBRO DE 2017

Da Complementação ou do Acúmulo de Bolsa

Art. 69. A Capes não permite o acúmulo de bolsa recebida de outro órgão ou entidade da Administração Pública federal, estadual ou municipal, para a mesma finalidade ou mesmo nível, ou ainda vínculo empregatício no país de destino.

§1º Caso receba qualquer valor em decorrência das situações previstas no caput deste artigo na condição de bolsista, será sua incumbência informar à Capes e solicitar a imediata suspensão.

§2º A bolsa será cancelada caso o(a) bolsista mantenha ou venha a ter vínculo empregatício no exterior ou bolsa de outra agência pública de fomento.

§3º Valores não cobertos pela bolsa de estudos concedida poderão ser complementados por outras fontes de financiamento mediante aprovação prévia da Capes, ressalvado o imperativo de não ir de encontro aos compromissos descritos neste Regulamento ou aos compromissos do Programa pelo qual a bolsa foi concedida, especialmente, no que tange ao cumprimento das atividades previstas na proposta aprovada, a obrigação de retorno ao país e o cumprimento do período de interstício.

§4º Poderão ser autorizados pela Capes os auxílios ou contratos temporários recebidos a título de Assistente de Ensino ou Pesquisa (Teaching ou Research Assistentship), estágio ou similares, desde que comunicado previamente e demonstrado que tais atividades não comprometerão o plano de atividades da bolsa, sendo correlacionadas com o tema da sua pesquisa.

§5º O(A) bolsista terá que ter a anuência de seu(sua) orientador(a), a qual será atestada por meio de declaração assinada a ser remetida à Capes pelo(a) bolsista, antes do início da implementação dos auxílios e contratos temporários complementares aqui tratados.

Art. 70. Acordos específicos poderão prever complementação ao valor da bolsa, hipótese em que deverá haver previsão em Regulamento ou Instrumento de Seleção específico.

….

CAPÍTULO III DO PÓS-DOUTORADO

Seção I

Da Finalidade

Art. 128. A modalidade de Pós-doutorado no exterior visa oferecer bolsa para a realização de estudos avançados fora do Brasil posteriores à obtenção do título de Doutor pelo pleiteante e destina-se a pesquisadores ou docentes com no máximo 8 (oito) anos de formação doutoral e que não possuam vínculo empregatício.

Parágrafo único. A modalidade Pós-Doutorado tem como público-alvo os pesquisadores que possuam diploma de doutorado, não sendo aceitas inscrições de estudantes em fase de conclusão de curso.

Art. 129. O Pós-Doutorado tem como objetivos específicos:

I – promover a internacionalização da pesquisa e do ensino superior brasileiros de forma mais consistente;

II – aprimorar a produção e a qualificação científicas em atividade avançada de pesquisa no desenvolvimento de métodos e trabalhos teórico-empíricos em parceria com pesquisadores estrangeiros e instituições de reconhecido mérito científico;

III – contribuir para o estabelecimento e manutenção do intercâmbio com a comunidade acadêmica internacional, por meio da contínua formação dos docentes e pesquisadores inseridos nas diversas áreas de pesquisa no País;

IV – desenvolver os centros de ensino e pesquisa brasileiros com o retorno dos(as) bolsistas;

V – ampliar o nível de colaboração e de publicações conjuntas entre as comunidades científicas e acadêmicas que atuam no Brasil e no exterior;

VI – ampliar o acesso da comunidade acadêmica brasileira aos centros internacionais de excelência;

VII – proporcionar maior visibilidade internacional à produção científica, tecnológica e cultural brasileira.

Seção II

Das Condições Específicas da Modalidade

Art. 130. A concessão de bolsas de Pós-doutorado no Exterior considerará a seleção final, com vigência de acordo com o calendário previsto no respectivo Instrumento de Seleção e disponível na página eletrônica do Programa.

Art. 131. As modalidades Pós-Doutorado no Exterior e Professor Visitante no Exterior são independentes entre si, não sendo permitido o remanejamento e o intercâmbio de uma para outra, em vista do tempo de doutoramento exigido para cada modalidade e da obrigatoriedade de possuir vínculo empregatício no caso do Professor Visitante no Exterior.

Art. 132. A Capes oferece bolsa aos doutores residentes no Brasil, como forma de desenvolvimento e aprimoramento da capacidade nacional em pesquisa, tecnologia e inovação. Parágrafo único. Não serão pagos pela Capes taxas acadêmicas e administrativas para essa modalidade tendo em vista a expectativa de parceria e colaboração entre os pesquisadores das Instituições de Ensino e Pesquisa no Brasil e no exterior.

Art. 133. Os benefícios serão outorgados exclusivamente ao(à) bolsista e independem de sua condição familiar e salarial, não sendo permitido o acúmulo de benefícios para a mesma finalidade e o mesmo nível, devendo o(a) candidato(a) declarar a recepção de outras bolsas concedidas por órgãos ou entidades da Administração Pública federal, estadual ou municipal e requerer sua suspensão ou cancelamento, de modo que não haja acúmulo de bolsas durante o período de estudos no exterior.

Parágrafo único. Não se enquadra na situação do caput as candidaturas para bolsas parciais, de forma a suplementar outros financiamentos ou bolsas parciais recebidos de outras instituições, sem as quais o interessado não será capaz de realizar os estudos pretendidos no exterior.

Seção III

Da Duração

Art. 134. A duração da bolsa para realização do Pós-doutorado no Exterior será definida no momento da concessão com base na duração aprovada pelas instituições de origem e de destino e o cronograma de execução do projeto proposto, devendo ser respeitados os limites de duração dispostos em Instrumento de Seleção específico, publicado quando do lançamento do Programa. Parágrafo único. Os pedidos de reconsideração ou recurso da decisão de indeferimento à Capes deverão ser encaminhados conforme estabelecido neste Regulamento, podendo a Capes, arbitrar o período mais coerente com os documentos apresentados e que seja compatível com a duração da bolsa e com a demanda para a qual o candidato concorreu, podendo, para tanto, ouvir os consultores acadêmicos avaliadores do projeto.

Seção IV

Dos Requisitos para a Inscrição

Art. 135. O candidato deve, obrigatoriamente, preencher os seguintes requisitos no ato da inscrição:

I – ser brasileiro(a) ou estrangeiro(a) com visto permanente no Brasil, ou conforme regulamentado em Instrumento de Seleção;

II – residir no Brasil;

III – ter diploma de doutorado ou PhD, certificado ou declaração do órgão máximo responsável pela pós-graduação da IES, consistente na pró-reitoria ou superior, informando que o candidato não possui pendências com a Instituição e com o seu curso de doutorado, e que se encontra aguardando apenas a emissão do diploma, reconhecido na forma da legislação brasileira e apresentá-lo como documento comprobatório no ato da inscrição, permitindo-se títulos obtidos no exterior desde que reconhecidos por IES no Brasil, na forma da Lei;

IV – ter obtido o título de doutorado há menos de oito anos, contados a partir da data de inscrição;

V – não ter realizado estudos no exterior da mesma natureza do Programa para o qual se candidata nos últimos 36 (trinta e seis) meses.

VI – apresentar manifestação de interesse ou convite do(a) orientador(a) do exterior ou da instituição de destino pretendida. Parágrafo único. No caso de início das atividades no exterior em período anterior à inscrição, será necessário comprovar ser o Brasil seu local de residência permanente, para o qual retornará após a realização das atividades relativas ao estágio no exterior.

A CAPES passa a exigir o ORCID nas submissões, você tem um?

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) solicitará, dos candidatos a bolsas e financiamentos de seus programas internacionais, um código de cadastro na ORCID (Open Research and Contributors Identification, ou Identificação Aberta de Pesquisa e Colaboradores).

Gratuito, o número ORCID é um “nome” digital permanente para identificação de pesquisadores. O código tem 16 dígitos e é único para cada pessoa. Essa característica impede ambiguidades na identificação de autores e colaboradores em publicações ou em instituições. Seu funcionamento é semelhante ao Digital Object Identifier (DOI), código para objetos como artigos científicos, teses e dissertações.

A adoção do código é uma tendência mundial das organizações ligadas a pesquisa. Em 2015, um grupo de grandes editoras científicas passou a exigir o código no processo de submissão de artigos científicos. Isso é possível porque o identificador pode ser utilizado para inscrição em processos seletivos e submissão de trabalhos em periódicos acadêmicos em diversas plataformas.

Quem se inscreve na ORCID, além de receber o código, conta com um espaço para construir um perfil de sua produção e sua trajetória profissional, semelhante a um currículo.

Com a adoção do identificador, a CAPES pretende aperfeiçoar requisitos de seleção e a avaliação de resultados dos programas.
“Queremos acompanhar a evolução acadêmica daqueles que recebem apoio financeiro. Por meio do identificador ORCID, conseguimos relacionar pesquisadores a seus trabalhos de modo confiável, de maneira a ter uma ideia mais precisa da eficácia de nossas ações”, explica a diretora de Relações Internacionais da Capes, Concepta Mcmanus.

No entanto, a inscrição no ORCID não vai substituir o Currículo Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que também é exigido nas candidaturas aos programas internacionais da CAPES.

Um monstroNão, um ORCID não é um dos fantásticos animais do mundo da magia que encontramos no filme “Animais Fantásticos e Onde Habitam”. Mas é um objeto ainda extranho e pouco conhecido. Vocês têm CPF, RG e outros códigos de identificação. O CNPq exige o CPF para os CV Lattes, mas o que isto significa no resto do mundo? A desambiguação de nomes de autores é um problema bem conhecido em mineração de dados. Para resolver este problema foi criado o código ORCID que é uma forma de identificar univocamente quem você é para a comunidade científica. Você já tem um? Veja, a seguir, a introdução ao assunto. Logo depois crie seu ORCID. O meu é 0000-0002-9166-8801.

Como pesquisadores e acadêmicos, vocês enfrentam o constante desafio de distinguir suas atividades de pesquisa de outras pessoas com nomes semelhantes. Você precisa ser capaz de anexar de forma fácil e única sua identidade a objetos de pesquisa como conjuntos de dados, equipamentos, artigos, histórias na mídia, citações, experimentos, patentes e cadernos. Conforme você colabora entre disciplinas, instituições e fronteiras, tem de interagir com um crescente número e diversidade de sistemas de informação de pesquisa. Sempre ficar inserindo dados pode levar tempo e muitas vezes é frustrante.

O ORCID é um esforço orientado pela comunidade, aberto e sem fins lucrativos para criar e manter um registro de identificadores únicos de pesquisadores e um método transparente de conectar as atividades e resultados de pesquisas a estes identificadores. O ORCID é único em sua capacidade de alcance interdisciplinar, setores de pesquisa e fronteiras nacionais. É um ponto de encontro que conecta pesquisadores e pesquisa através da inserção de identificadores ORCID nos fluxos de trabalho chave, como manutenção de perfil de pesquisa, envio de manuscritos, solicitação de bolsas e solicitações de patentes.

O ORCID fornece duas funções principais: (1) um registro para obter um identificador único e gerenciar o registro das atividades e (2) APIs que suportam a comunicação e autenticação de sistema a sistema. O ORCID torna seu código disponível sob uma licença de fonte aberta, e irá postar um arquivo de dados públicos anual sob uma renúncia CC0 para baixar grátis.

O Registro ORCID está disponível sem nenhum custo a indivíduos que mantêm um identificador ORCID, gerenciam seu registro de atividades e pesquisam por outros no Registro. As organizações podem se tornar membros para conectar seus registros aos identificadores ORCID, atualizar os registros ORCID, receber atualizações do ORCID e registrar seus colaboradores e alunos para identificadores ORCID.

Os registros ORCID mantêm informações não sensíveis como nome, e-mail, organização e atividades de pesquisa. O ORCID entende a necessidade fundamental dos indivíduos de controlarem como seus dados são compartilhados e fornece ferramentas para gerenciar a privacidade dos dados. Tomamos medidas para proteger suas informações, consistentes com os princípios estabelecidos em nossa Política de Privacidade, que possuem a intenção de estarem em cumprimento com os Princípios Safe Harbor Principles emitidos pelo Departamento de Comércio dos EUA.

Crie seu código!

Conferências: ACM SAC, QUALIS e Utilidade

Atualmente está ocorrendo uma discussão e a emissão de opiniões dos avaliadores nacionais da qualidade das publicações sobre algumas conferências e journals. O problema surge quando foi definido um critério bibliométrico pela CAPES para a avaliação de meios de apresentação de pesquisas. Há anos venho escrevendo que os índices de avaliação de publicações são importantes AUXILIARES na avaliação da qualidade da pesquisa. Quando estava na vice-presidência da Câmara de Pós-gradução da UFRGS implantamos a necessidade de recredenciamento dos orientadores a cada cinco anos com base, naquela época novo, currículo Lattes: qualidade É importante. Este ano a Comissão de Computação da CAPES retirou do documento de área, que é o referencial mais conhecido, os limiares da indexação e os transferiu para outro documento denominado “Considerações sobre Qualis Periódicos – 2016” apesar de tratar de Periódicos e de Conferências.

Recentemente alguns detentores de Prêmios Nobel afirmam o que venho defendendo: o importante é a qualidade da pesquisa não os índices. Mas a discussão atual foca um outro aspecto: apesar de de ser definido um critério, dito objetivo de avaliação e rankeamento de conferências e journals há pessoas (muitas as mesmas que defendem ardentemente o QUALIS atual) que se sentem desconfortáveis com este critério. Qual o critério? A estratificação da qualidade em níveis calculados pelo h-index ou JCR. Anteriormente as Comissões Especiais da SBC fizeram um rankeamento das conferências e os avaliadores da CAPES afirmaram que esta classificação estava enviesada (biased) pelas pessoas que haviam feito a classificação. Na Comissão Especial de Banco de Dados fizemos um trabalho exaustivo e muito sério para receber esta crítica, o mesmo deve ter se passado nas demais Comissões. Então foi criado o método “impessoal” da estratificação por percentagens de indicadores bibliométricos. É claro que há uma ideologia atrás da escolha deste critério único, eu acredito que as avaliações das Comissões Especiais da SBC eram muito mais interessante: por exemplo, um WS organizado por pesquisadores top de uma área pode ser A1 por sua excelente qualidade, no h-index não pode aparecer.

O que me deixa chocado é que agora pessoas ficam descontentes com a classificação e, mais um exemplo, dizem que o Simpósio ACM SAC é uma (perdão, mas estou apenas repetindo a palavra) “porcaria” apesar do alto h-index. Então que voltemos para as classificações da Comunidade, das Comissões Especiais da SBC e não pela opinião de poucos. E o pior, opinião emocional pois não tem suporte em dados. Um dos critérios exigidos para a classificação bibliométrica de conferências é a taxa de aceitação. Olhem a taxa de aceitação deste simpósio além da classificação A1 pela CAPES.

Não estou analisando a dita “qualidade” intrínseca do evento (aliás o que é isto mesmo?) mas sua utilidade. Quem o organiza não é um grupo predador, é a ACM, e está na trigésima terceira realização! Qual a sua utilidade? É a reunião anual de pesquisadores de diferentes áreas para uma produtiva troca de ideias permitindo o desenvolvimento de pesquisas multi-orientadas. A seguir mostro outras duas conferências, em que participei, com o mesmo objetivo: fazer uma reunião anual de pesquisadores de várias áreas, uma da ACM e outra da IFIP, duas sociedades sérias. A ACM Student Research Competition do SAC é suportada pela Microsoft, isto é algo de baixa qualidade? Predador? Caça niqueis? É claro que não! A participação em eventos de grande escopo evita o famoso problema da “bolha social” onde não há diversidade de opiniões e, como sabemos bem, em muitas conferências apenas os participantes do grupo conseguem publicar. Minha posição é: sejamos revolucionários e tenhamos coragem de entender que há múltiplas dimensões para avaliar a utilidade de uma conferência. Não podemos ficar presos e prejudicados por uma avaliação unidimensional. 

ACM 85 IFIP 84
ACM SAC 2018

 

O QUALIS não deve ser usado para a avaliação de pesquisadores – a solução

 

 CAPESA CAPES vem afirmando continuamente através de seus representantes que o QUALIS deve ser usado exclusivamente para a avaliação de programas de pós-graduação, não para a avaliação individual de pesquisadores. Mas os programas de pós-graduação, avaliados pela CAPES, continuam fazendo isto. O pior é que faculdades que sequer têm pesquisa usam este critério para a seleção de seus professores. Há, ainda, quem faz a alocação de espaço físico baseado em QUALIS de pesquisadores… Finalmente achei a solução!

É preciso a CAPES tenha a coragem de assumir a sua responsabilidade pois o QUALIS é sua produção e, portanto, ela tem o Direito Autoral sobre este produto. Vejam o seguinte texto do ECAD:

Direito autoral é um conjunto de prerrogativas conferidas por lei à pessoa física ou jurídica criadora da obra intelectual, para que ela possa gozar dos benefícios morais e patrimoniais resultantes da exploração de suas criações. O direito autoral está regulamentado pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98) e protege as relações entre o criador e quem utiliza suas criações artísticas, literárias ou científicas, tais como textos, livros, pinturas, esculturas, músicas, fotografias etc. Os direitos autorais são divididos, para efeitos legais, em direitos morais e patrimoniais.

Os direitos morais asseguram a autoria da criação ao autor da obra intelectual, no caso de obras protegidas por direito de autor. Já os direitos patrimoniais são aqueles que se referem principalmente à utilização econômica da obra intelectual. É direito exclusivo do autor utilizar sua obra criativa da maneira que quiser, bem como permitir que terceiros a utilizem, total ou parcialmente.

Ao contrário dos direitos morais, que são intransferíveis e irrenunciáveis, os direitos patrimoniais podem ser transferidos ou cedidos a outras pessoas, às quais o autor concede direito de representação ou mesmo de utilização de suas criações. Caso a obra intelectual seja utilizada sem prévia autorização, o responsável pelo uso desautorizado estará violando normas de direito autoral, e sua conduta poderá gerar um processo judicial.

A obra intelectual não necessita estar registrada para ter seus direitos protegidos. O registro, no entanto, serve como início de prova da autoria e, em alguns casos, para demonstrar quem a declarou primeiro publicamente.

Texto completo no ECAD

Encontramos no site da CAPES, na area da Computação, o seguinte texto:

É importante observar que os critérios adotados pela Coordenação de Área para avaliação de publicações em periódicos e em anais de conferências destinam-se à análise de programas de pós-graduação e são inadequados para avaliação individual de pesquisadores.

A solução é simples: basta a CAPES proibir o uso de seu produto para outros usos que não a avaliação de programas de pós-graduação. Ela tem este direito pela lei. 

Frase a ser publicada:

“O QUALIS, propriedade intelectual da CAPES, destina-se exclusivamente à avaliação de programas de pós-graduação. Qualquer outra utilização como critério exclusivo de avaliação não é autorizada.”