Avaliação: chega de caçar números


A Academia Brasileira de Ciência ABC, reconhece que estamos “caçando números” e não avaliando a qualidade. Espero que a CAPES leia isto e desista do modo atual de avaliação dos programas de pós-graduação. Tenho enfatizado este ponto e apresentado uma posição que salienta a necessidade de troca de parâmetros na avaliação de nossos programas de pós-graduação. Como em toda a mudança radical recebi muitas criticas de colegas que não querem mudar nada. É claro que a mudança pode trazer desconfortos para quem está acostumado com uma posição segura e novos parceiros podem ter sua qualidade certificada ocupando posições consideradas como consolidadas. Quem está bem não quer ser reavaliado, isto é perigoso! Sinto-me, agora, em boa companhia, mas precisamos TODOS partir para esta luta de reformulação.Coragem!

Com cerca de 80 mil artigos publicados entre 1996 e 2015, a engenharia do Brasil ocupa a 18ª posição no ranking mundial de produção científica de acordo com a base de dados Scimago. “No entanto, a média de 5,7 citações por artigo coloca o Brasil na 34ª posição. Publicamos bastante, mas não alcançamos visibilidade. Também não temos gerado conhecimento tecnológico. Estudos indicam que apenas 1,7% das empresas no país têm capacidade de inovação”, acrescentou o professor da UFSCar Edgar Dutra Zanotto.

Alguns desafios estratégicos começaram a ser apontados antes mesmo das apresentações, na mesa de abertura. “O impacto da ciência brasileira está caindo, apesar do número de trabalhos aumentar”, diagnosticou José Goldemberg, presidente da FAPESP. Isso decorre, em sua avaliação, da falta de foco da pesquisa, que pulveriza recursos, gera frustrações, inibe o surgimento de “ideias novas” e distancia a ciência da sociedade. Esse quadro é agravado pelo sistema de avaliação das agências que enfatizam o número de artigos publicados e não necessariamente a qualidade. “Temos que introduzir sistemas de avaliações novos para medir corretamente esse impacto.”

http://agencia.fapesp.br/_impacto_foco_e_governanca_desafiam_a_ciencia_brasileira/24383/