Precisamos de alunos em tempo integral!

Hoje estou voltando ao assunto da qualidade do estudo nas Universidades brasileiras. Discuti, anteriormente, o problema da enorme carga de horas-aula impostas aos alunos. O assunto gerou uma ampla discussão com comentários no site e debates aqui no Instituto. Minha conclusão é que como os alunos são em grande parte de tempo parcial é preciso usar a antiga prática de “ensinar” tudo na aula. O professor usa o tempo para explicar tudo e fazer exercícios para os alunos acompanharem. Depois, na prova, é cobrado exatamente o que foi ensinado em aula. 


Figura 1: Apresentação CAPES no Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa 2010

A preocupação com o estudo e o trabalho em paralelo me levou a pensar mais sobre o assunto. Observa-se na figura 1 que aos 17 anos (entrada na Universidade) apenas 35% dos alunos estudam exclusivamente. Na saída, ou seja, aos 21 anos, apenas cerca de 8% deles estudam em dedicação exclusiva. Minha pergunta é ligada a seguinte dúvida: é possível atingir um nível de competição internacional com este perfil de estudante? Notem que a queda de alunos que estudam exclusivamente é muito acentuada. Isto justifica a observação que a maioria dos cursos de universidades no Brasil são noturnos. Em muitas universidades os campi estão desertos de dia e lotados de noite. É claro que as pessoas precisam garantir a sua subsistência e fazem esforços imensos para estudar, tenho admiração por estes dedicados estudantes, mas estas são as condições para uma formação adequada? Certamente seguir estes cursos produz uma melhora no nível de conhecimento, mas para a competição internacional esta formação é suficiente? Olhem o exemplo do discutido exame da OAB (estou apenas tratando o resultado de uma avaliação externa e não discutindo sua validade legal): que taxa horrível de reprovação! Noventa das faculdades com alunos fazendo o exame não tiveram nenhum aluno aprovado! Todos os que conhecem as boas universidades no mundo sabem que o período da noite é utilizado pelos alunos para “dar duro” e estudar e trabalhar em assuntos acadêmicos, aqui é o período normal de aulas.