Erasmo de Roterdam

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Desiderius Erasmus Roterodamus, conhecido como Erasmo de Roterdam, (nascido provavelmente a 27 de Outubro de 1466 em Rotterdam e falecido a 12 de Julho de 1536 em Basiléia) foi um teólogo e um humanista holandês. Ele foi o primeiro europeu e o primeiro defensor de um ideal humanista de integração internacional. A transição do século quinze para o século dezesseis foi uma hora crítica para a Europa, neste período o mundo se expandiu com as grandes navegações e a Terra passou a ser vista como um globo. Nesta época nascia Erasmo na Holanda, em Rotterdam. A informação sobre a sua família e sobre a sua juventude é vagamente referida nos seus escritos. Ele era quase seguramente filho ilegítimo. O seu pai foi um padre chamado Gerard. Pouco se sabe sobre a sua mãe para além do nome: Margarete. Apesar de ilegítimo, os seus pais tomaram conta dele até às suas mortes, com a peste negra, em 1483. A partir dai sua educação ficou a cargo de uma série de mosteiros. Em 1487 entrava no convento agostiniano de Steyn, motivado pela melhor biblioteca clássica do país lá existente. em 1488 pronunciou os votos e em 1492 recebia do bispo de Utrecht a ordenação. Apesar disto sempre defendeu sua liberdade intelectual, conseguiu de dois papas a liberação do uso da batina, e não retornou, apesar das ameaças, à comunidade de sua ordem. Erasmo não era de nenhuma forma um revolucionário ou rebelde, abominava a violência, apenas defendia fanaticamente a sua independência intelectual. Erasmo conseguiu conquistar a sua liberdade sem uma oposição inútil a seus superiores, tudo conseguiu com tenacidade e psicologia. Aos 26 anos liberta-se de seu convento, opressivo para ele, conseguindo um convite para do bispo de Cambrai para acompanhá-lo para a Itália como latinista, Erasmo descobre a Europa. Após o cancelamento desta viagem consegui ser enviado para Paris onde esperava obter um doutorado em teologia. Bem depressa viu que o estilo do colégio de Montaigu, insalubre e extremamente hierárquico e dogmático, não era adequado à sua natureza. Graças a uma doença conseguiu livrar-se dom local mas renunciou a seu doutorado.  Voltou a Paris lecionando inglês e alemão para garantir a independência. Os principais centros da sua atividade foram Paris, Louvain, Londres e Basiléia. No entanto, nunca pertenceu a nenhum destes sítios. O seu tempo na Inglaterra foi frutuoso, tendo feito amizades para a vida com os líderes ingleses, mesmo nos dias conflituosos do rei Henrique VIII: John Colet, John Fisher, Thomas More, Thomas Linacre e Willian Grocyn. Na Universidade de Cambridge foi o professor da divindade de Lady Margaret e teve a opção de passar o resto de sua vida como professor de inglês. Foram-lhe oferecidas várias posições de honra e proveito através do mundo acadêmico, mas ele declinou-as todas, preferindo a incerteza ao compromisso com uma instituição, tendo no entanto receitas suficientes da sua atividade literária independente. Entre 1506 e 1509 esteve em Itália. Passou ali uma parte do seu tempo na casa editorial de Aldus Manatius em Veneza. Apesar disto, teve uma associação com acadêmicos italianos menos ativa do que se esperava.

Em Louvain, Erasmo sofreu muitas críticas mesquinhas por parte daqueles que eram hostis aos princípios do progresso literário e religioso aos quais ele devotava a vida. Ele interpretava esta falta de simpatia como uma perseguição e procurou refúgio em Basiléia, onde, sob abrigo de hospitalidade suíça, pôde expressar-se livremente e onde estava rodeado de amigos. Foi lá que ele esteve associado por muitos anos com o grande editor Froben, e aonde uma multidão de admiradores de quase todos os cantos da Europa o vieram visitar.

A produtividade literária de Erasmo começou relativamente tarde na sua vida. Apenas quando ele dominou o Latim é que começou a escrever sobre grandes temas contemporâneos em Literatura e em Religião. A sua revolta contra as formas de vida da igreja não resultou tanto de dúvidas quanto à verdade da doutrina tradicional, nem de alguma hostilidade para com a organização da Igreja. Sentiu antes a necessidade de aplicar os seus conhecimentos na purificação da doutrina e na liberalização das instituições do cristianismo. Como acadêmico, tentou libertar os métodos da Escolástica da rigidez e do formalismo das tradições medievais, mas não ficou satisfeito. Ele viu-se como o pregador da retidão. A sua convicção em toda a vida foi que o que era necessário para regenerar a Europa era uma aprendizagem sã, aplicada liberalmente e sem receios pela administração de assuntos públicos da Igreja e do Estado. Esta convicção confere unidade e consistência a uma vida que, de outra forma, pode parecer plena de contradições. Erasmo viu-se livre e distante de quaisquer obrigações comprometedoras; no entanto Erasmo foi, num sentido singularmente verdadeiro, o centro do movimento literário do seu tempo. Ele correspondeu com mais de quinhentos homens da maior importância no mundo da política e do pensamento, e o seu conselho em vários assuntos era procurado avidamente, se bem que nem sempre seguido. Quando da sua estadia em Inglaterra, Erasmo iniciou o exame sistemático dos manuscritos do Novo Testamento, por forma a preparar uma nova edição e uma tradução para Latim. Esta edição foi publicada por Froben de Basiléia em 1516 e foi a base da maioria dos estudos científicos da Bíblia durante o período da Reforma. Ele publicou uma edição crítica do Novo Testamento Grego em 1516 – Novum Instrumentum omne, diligenter ab Erasmo Rot. Recognitum et Emendatum. A edição incluiu uma tradução em Latim e anotações. Baseou-se também em manuscritos adicionais recentemente descobertos.