The Vienna Manifesto on Digital Humanism

Como resultado do 1st International Workshop on Digital Humanism (https://www.informatik.tuwien.ac.at/dighum/workshop/), realizado em Viena em abril deste ano e reunindo cientistas de diferentes áreas de conhecimento, foi elaborado o Vienna Manifesto on Digital Humanism (https://www.informatik.tuwien.ac.at/dighum/index.php). Ele é assinado pelos importantes pesquisadores presentes ao evento (Moshe Vardi entre eles) e está aberto a adesões por outros pesquisadores; eu já assinei!

Para os Grandes Desafios em Computação da SBC eu havia escrito este texto (2006 – antes da época!) https://www.palazzo.pro.br/Wordpress/?p=46


The first international workshop on Digital Humanism was held in Vienna, Austria, April 4 – 5, 2019. It was organized by the Faculty of Informatics of TU Wien, and supported by the Vienna Science and Technology Fund, and the Viennese Municipal Department for Economic Affairs, Labor and Statistics.

In the two-day workshop over 100 attendees from academia, governmental organizations, industry and civil society participated in a very lively and interactive way. The program consisted of three main sessions, namely

  • History and Impact of Information Technology
  • Humans and Society, AI and Ethics
  • Dynamics of a New World – Issues and Answers

In a total, there were 12 invited speakers and a final panel, drawing conclusions and identifying possible future directions. Presentations and discussions focused on technical, political, economic, societal and legal issues; and benefited from contributions from the different disciplines represented at the workshop (i.e., political science, law, sociology, history, anthropology, philosophy, economics and informatics). At the center of the discussion was the relationship between computer science / informatics and society, or, as expressed during the workshop, the co-evolution of IT and humankind.


We must shape technologies in accordance with human values and needs, instead of allowing technologies to shape humans. Our task is not only to rein in the downsides of information and communication technologies, but to encourage human-centered innovation. We call for a Digital Humanism that describes, analyzes, and, most importantly, influences the complex interplay of technology and humankind, for a better society and life, fully respecting universal human rights.

In conclusion, we proclaim the following core principles:

  • Digital technologies should be designed to promote democracy and inclusion. This will require special efforts to overcome current inequalities and to use the emancipatory potential of digital technologies to make our societies more inclusive.
  • Privacy and freedom of speech are essential values for democracy and should be at the center of our activities. Therefore, artifacts such as social media or online platforms need to be altered to better safeguard the free expression of opinion, the dissemination of information, and the protection of privacy.
  • Effective regulations, rules and laws, based on a broad public discourse, must be established. They should ensure prediction accuracy, fairness and equality, accountability, and transparency of software programs and algorithms.
  • Regulators need to intervene with tech monopolies. It is necessary to restore market competitiveness as tech monopolies concentrate market power and stifle innovation. Governments should not leave all decisions to markets.
  • Decisions with consequences that have the potential to affect individual or collective human rights must continue to be made by humans. Decision makers must be responsible and accountable for their decisions. Automated decision making systems should only support human decision making, not replace it.
  • Scientific approaches crossing different disciplines are a prerequisite for tackling the challenges ahead. Technological disciplines such as computer science / informatics must collaborate with social sciences, humanities, and other sciences, breaking disciplinary silos.
  • Universities are the place where new knowledge is produced and critical thought is cultivated. Hence, they have a special responsibility and have to be aware of that.
  • Academic and industrial researchers must engage openly with wider society and reflect upon their approaches. This needs to be embedded in the practice of producing new knowledge and technologies, while at the same time defending the freedom of thought and science.
  • Practitioners everywhere ought to acknowledge their shared responsibility for the impact of information technologies. They need to understand that no technology is neutral and be sensitized to see both potential benefits and possible downsides.
  • A vision is needed for new educational curricula, combining knowledge from the humanities, the social sciences, and engineering studies. In the age of automated decision making and AI, creativity and attention to human aspects are crucial to the education of future engineers and technologists.
  • Education on computer science / informatics and its societal impact must start as early as possible. Students should learn to combine information-technology skills with awareness of the ethical and societal issues at stake.

Artigo: Como usar o h-index em grupos diferentes

AutoresRoberto Da Silva, Fahad Kalil, Jose Palazzo Moreira De Oliveira, Alexandre Souto Martinez
 
Physica A: Statistical Mechanics and its Applications, Volume 391, Edição 5, Páginas 2119-2128, Editora North-Holland  Artigo

 

Abstract

Many discussions have enlarged the literature in Bibliometrics since the Hirsch proposal, the so called h-index. Ranking papers according to their citations, this index quantifies a researcher only by its greatest possible number of papers that are cited at least h times. A closed formula for h-index distribution that can be applied for distinct databases is not yet known. In fact, to obtain such distribution, the knowledge of citation distribution of the authors and its specificities are required. Instead of dealing with researchers randomly chosen, here we address different groups based on distinct databases. The first group is composed of physicists and biologists, with data extracted from Institute of Scientific Information (ISI). The second group is composed of computer scientists, in which data were extracted from Google-Scholar system. In this paper, we obtain a general formula for the h-index probability …
 
 

Nível de Prontidão Tecnológica (Technology Readiness Level – TRL)

Vocês devem ter perguntado muitas vezes qual o nível de desenvolvimento de seus trabalho e sistemas. Esta dúvida é muito recorrente em teses de doutorado e, em menor escala, em dissertações de mestrado na area tecnológica. Uma forma de avaliar este nível é o modelo TRL desenvolvido pela NASA para sistemas críticos no programa espacial. A escala  de avaliação do nível de desenvolvimento TRL foi desenvolvida pela Agência Espacial Americana, a NASA (National Aeronautics and Space Administration), e apresentada no documento “NASA technology push towards future space mission systems” (1989). Essa proposta surgiu como decorrência do estudo de que quando a tecnologia necessária ainda está em baixo nível de maturidade os custos e cronogramas de desenvolvimento não podem ser previstos com precisão. O objetivo da NASA, com a proposição da escala TRL, foi estabelecer uma nova visão para o desenvolvimento tecnológico, levando-o para algo essencial no desenvolvimento de novos sistemas para missões espaciais.

Os níveis de prontidão de tecnologia (Technology Readiness Levels – TRL) são um tipo de sistema de medição usado para avaliar o nível de maturidade de uma determinada tecnologia. Cada projeto de tecnologia é avaliado em relação aos parâmetros para cada nível de tecnologia e recebe uma classificação de TRL com base no progresso dos projetos. Existem nove níveis de prontidão de tecnologia. A TRL 1 é a mais baixa e a TRL 9 é a mais alta.

Quando uma tecnologia está no TRL 1, a pesquisa científica está começando e esses resultados estão sendo traduzidos em pesquisa e desenvolvimento futuros. A TRL 2 ocorre quando os princípios básicos foram estudados e as aplicações práticas podem ser aplicadas a essas descobertas iniciais. A tecnologia TRL 2 é muito especulativa, pois há pouca ou nenhuma prova experimental de conceito para a tecnologia.

Quando a pesquisa ativa e o design começam, uma tecnologia é elevada para o TRL 3. Geralmente, estudos analíticos e laboratoriais são necessários nesse nível para ver se uma tecnologia é viável e pronta para prosseguir através do processo de desenvolvimento. Muitas vezes, durante o TRL 3, é construído um modelo de prova de conce

Uma vez que a tecnologia de prova de conceito esteja pronta, a tecnologia avança para a TRL 4. Durante a TRL 4, peças de múltiplos componentes são testadas uma com a outra. A TRL 5 é uma continuação da TRL 4, no entanto, uma tecnologia que está em 5 é identificada como uma tecnologia breadboard e deve passar por testes mais rigorosos do que a tecnologia que está apenas na TRL 4. As simulações devem ser executadas em ambientes que sejam tão realistas que possível. Uma vez que o teste do TRL 5 esteja completo, uma tecnologia pode avançar para o TRL 6. Uma tecnologia TRL 6 tem um protótipo totalmente funcional ou modelo representacional.

A tecnologia TRL 7 requer que o modelo de trabalho ou protótipo seja demonstrado em um ambiente espacial. A tecnologia TRL 8 foi testada e “qualificada para voo” e está pronta para ser implementada em um sistema de tecnologia ou tecnologia já existente. Uma vez que uma tecnologia tenha sido “comprovada em voo” durante uma missão bem-sucedida, ela pode ser chamada de TRL 9.

Texto original da definição na NASA

Alternativamente a Comissão Européia desenvolveu sua própria versão derivada da original da NASA.

Technology Readiness Levels in the European Commission (EC)

Technology Readiness Level Description

  • TRL 1 Basic principles observed
  • TRL 2 Technology concept formulated
  • TRL 3 Experimental proof of concept
  • TRL 4 Technology validated in lab
  • TRL 5 Technology validated in relevant environment (industrially relevant environment in the case of key enabling technologies)
  • TRL 6 Technology demonstrated in relevant environment (industrially relevant environment in the case of key enabling technologies)
  • TRL 7 System prototype demonstration in operational environment
  • TRL 8 System complete and qualified
  • TRL 9 Actual system proven in operational environment (competitive manufacturing in the case of key enabling technologies; or in space)

Para maiores detalhes consulte a Wikipedia onde há uma ampla apresentação de modelos e links para documentos complementares. 

Apresentação no SBBD 2017 – Pesquisador Homenageado

Como professor e pesquisador, desde minha formatura na Escola de Engenharia da UFRGS, tive a rara sorte de acompanhar o desenvolvimento da Computação e do ensino de Banco de Dados nas universidades brasileiras. Minha ontogênese acadêmica acompanhou o percurso da história do SBBD. Esta distinção foi uma grande alegria e surpresa quando recebi o reconhecimento pelo conjunto da obra como Pesquisador Brasileiro Homenageado do ano de 2017 no SBBD (vídeo da divulgação). A apresentação no SBBD 2017 da palestra está disponível a seguir. 

2017 SBBD Prêmio - PDF

A CAPES passa a exigir o ORCID nas submissões, você tem um?

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) solicitará, dos candidatos a bolsas e financiamentos de seus programas internacionais, um código de cadastro na ORCID (Open Research and Contributors Identification, ou Identificação Aberta de Pesquisa e Colaboradores).

Gratuito, o número ORCID é um “nome” digital permanente para identificação de pesquisadores. O código tem 16 dígitos e é único para cada pessoa. Essa característica impede ambiguidades na identificação de autores e colaboradores em publicações ou em instituições. Seu funcionamento é semelhante ao Digital Object Identifier (DOI), código para objetos como artigos científicos, teses e dissertações.

A adoção do código é uma tendência mundial das organizações ligadas a pesquisa. Em 2015, um grupo de grandes editoras científicas passou a exigir o código no processo de submissão de artigos científicos. Isso é possível porque o identificador pode ser utilizado para inscrição em processos seletivos e submissão de trabalhos em periódicos acadêmicos em diversas plataformas.

Quem se inscreve na ORCID, além de receber o código, conta com um espaço para construir um perfil de sua produção e sua trajetória profissional, semelhante a um currículo.

Com a adoção do identificador, a CAPES pretende aperfeiçoar requisitos de seleção e a avaliação de resultados dos programas.
“Queremos acompanhar a evolução acadêmica daqueles que recebem apoio financeiro. Por meio do identificador ORCID, conseguimos relacionar pesquisadores a seus trabalhos de modo confiável, de maneira a ter uma ideia mais precisa da eficácia de nossas ações”, explica a diretora de Relações Internacionais da Capes, Concepta Mcmanus.

No entanto, a inscrição no ORCID não vai substituir o Currículo Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que também é exigido nas candidaturas aos programas internacionais da CAPES.

Um monstroNão, um ORCID não é um dos fantásticos animais do mundo da magia que encontramos no filme “Animais Fantásticos e Onde Habitam”. Mas é um objeto ainda extranho e pouco conhecido. Vocês têm CPF, RG e outros códigos de identificação. O CNPq exige o CPF para os CV Lattes, mas o que isto significa no resto do mundo? A desambiguação de nomes de autores é um problema bem conhecido em mineração de dados. Para resolver este problema foi criado o código ORCID que é uma forma de identificar univocamente quem você é para a comunidade científica. Você já tem um? Veja, a seguir, a introdução ao assunto. Logo depois crie seu ORCID. O meu é 0000-0002-9166-8801.

Como pesquisadores e acadêmicos, vocês enfrentam o constante desafio de distinguir suas atividades de pesquisa de outras pessoas com nomes semelhantes. Você precisa ser capaz de anexar de forma fácil e única sua identidade a objetos de pesquisa como conjuntos de dados, equipamentos, artigos, histórias na mídia, citações, experimentos, patentes e cadernos. Conforme você colabora entre disciplinas, instituições e fronteiras, tem de interagir com um crescente número e diversidade de sistemas de informação de pesquisa. Sempre ficar inserindo dados pode levar tempo e muitas vezes é frustrante.

O ORCID é um esforço orientado pela comunidade, aberto e sem fins lucrativos para criar e manter um registro de identificadores únicos de pesquisadores e um método transparente de conectar as atividades e resultados de pesquisas a estes identificadores. O ORCID é único em sua capacidade de alcance interdisciplinar, setores de pesquisa e fronteiras nacionais. É um ponto de encontro que conecta pesquisadores e pesquisa através da inserção de identificadores ORCID nos fluxos de trabalho chave, como manutenção de perfil de pesquisa, envio de manuscritos, solicitação de bolsas e solicitações de patentes.

O ORCID fornece duas funções principais: (1) um registro para obter um identificador único e gerenciar o registro das atividades e (2) APIs que suportam a comunicação e autenticação de sistema a sistema. O ORCID torna seu código disponível sob uma licença de fonte aberta, e irá postar um arquivo de dados públicos anual sob uma renúncia CC0 para baixar grátis.

O Registro ORCID está disponível sem nenhum custo a indivíduos que mantêm um identificador ORCID, gerenciam seu registro de atividades e pesquisam por outros no Registro. As organizações podem se tornar membros para conectar seus registros aos identificadores ORCID, atualizar os registros ORCID, receber atualizações do ORCID e registrar seus colaboradores e alunos para identificadores ORCID.

Os registros ORCID mantêm informações não sensíveis como nome, e-mail, organização e atividades de pesquisa. O ORCID entende a necessidade fundamental dos indivíduos de controlarem como seus dados são compartilhados e fornece ferramentas para gerenciar a privacidade dos dados. Tomamos medidas para proteger suas informações, consistentes com os princípios estabelecidos em nossa Política de Privacidade, que possuem a intenção de estarem em cumprimento com os Princípios Safe Harbor Principles emitidos pelo Departamento de Comércio dos EUA.

Crie seu código!

UFRGS atualiza serviço de webconferência

UFRGS O sistema de webconferência Mconf, desenvolvido inicialmente no Instituto de Informática da UFRGS, tem nova versão disponível no portal da Universidade desde domingo, 23 de julho de 2017

O serviço é oferecido através do Portal Mconf UFRGS e permite que professores, servidores e alunos façam transmissões online ao vivo, facilitando a comunicação na Universidade e permitindo aos membros da comunidade maior flexibilidade para aulas, defesas de teses e dissertações, transmissões de palestras e eventos. O serviço também está disponível para uso através do Moodle, permitindo fácil interação entre professor e alunos em aulas a distância.

A nova versão disponibilizada para a comunidade da UFRGS oferece diversas novidades, como:

  • Melhorias na transmissão do áudio;
  • Módulo de enquetes, que permite fazer uma votação durante uma apresentação;
  • Novo sistema de compartilhamento de tela com aplicativo nativo, que oferece maior qualidade e permite, por exemplo, transmissão de vídeos com áudio;
  • Novo formato de gravação que permite baixar o conteúdo da gravação para disponibilizar no YouTube, por exemplo;
  • Diversas outras melhorias.

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Nova versão do serviço de conferência web da UFRGS

UFRGS e Mconf

O Mconf iniciou sua história no final do ano de 2010 em uma parceria entre o Laboratório do PRAV do INF-UFRGS e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). Atualmente, a Mconf Tecnologia, empresa que surgiu do projeto de pesquisa, é uma das empresas incubadas no Centro de Empreendimentos em Informática – CEIDesde 2013, o Centro de Processamento de Dados – CPD da UFRGS em parceria com a Mconf Tecnologia disponibiliza o serviço de webconferência para a comunidade acadêmica da UFRGS. Até hoje, já foram mais de 1.800 sessões em mais de 5.000 horas de webconferências.

Sobre o Mconf

Atualmente o Mconf está sendo utilizado mundialmente. Só na UFRGS, cerca de 700 pessoas utilizaram o sistema para fazer conferências no mês de junho deste ano. A RNP, que oferece o serviço de conferência web para suas instituições vinculadas, teve aproximadamente 16.000 pessoas em conferências no mesmo período.  O portal https://mconf.org (aberto a todos os cidadãos do mundo) possui mais de 33.000 pessoas cadastradas. O Mconf é utilizado também na América Latina através de um serviço oferecido pela rede CLARA – Cooperación Latino Americana de Redes Avanzadas. O projeto possui implantações na África do Sul, nos Estados Unidos, no México, e em vários outros locais do globo.

Capacitação no Mconf

Este ano, o professor Dr. Valter Roesler, coordenador geral do PRAV, irá disponibilizar um curso sobre a ferramenta através do portal Lumina da UFRGS, que oferece diversos cursos gratuitos. O lançamento do curso de capacitação Mconf está previsto para o início de setembro de 2017.

Ecologia, ontem e hoje


Recebi este texto, não sei o autor, mas é absolutamente real. Pontos a ponderar.


Na fila do supermercado, o caixa diz a uma senhora idosa
  • A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigáveis com o ambiente.
A senhora pediu desculpas e disse: 
  • Não havia essa onda verde no meu tempo.
O empregado respondeu: 
  • Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com o nosso meio ambiente.
     Você está certo – respondeu a senhora. Nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.
     Realmente, não nos preocupamos com o ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhávamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro, a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões de casa.
     Não nos preocupávamos com o ambiente. Até as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. A secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas secadoras elétricas. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. 
     Os filhos menores usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.
     Mas é verdade: não havia preocupação com o ambiente, naqueles dias. Naquela época tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela de 14 polegadas, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado, como não sei
Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia batedeiras elétricas, que fazem tudo por nós. Quando enviávamos algo frágil pelo correio, usávamos jornal velho como proteção, e não plástico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar.
     Naqueles tempos não se usava motor a gasolina para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam à eletricidade.
     Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos.
     Recarregávamos nossas canetas com tinta inúmeras vezes ao invés de comprar outra. Amolávamos as navalhas, ao invés de jogar fora aparelhos descartáveis, quando a lâmina perdia o corte.
     Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naquele tempo, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus coletivos e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar os pais como serviço de táxi 24 horas. 
     Havia só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E não precisávamos de GPS para receber sinais de satélites no espaço para encontrar a pizzaria mais próxima.
     Então, não é incrível que a atual geração fale tanto em “meio ambiente”, mas não queira abrir mão de nada e não pense em viver um pouco como na minha época!