Novas publicações: Modelos e Sistemas para Cidades Inteligentes

Durante as últimas décadas tem ocorrido uma migração massiva da população mundial em direção às cidades. Por conta disso, os grandes centros urbanos devem estar preparados para enfrentar novos desafios para gerenciar e garantir a qualidade de vida de sua população. Um desses desafios é garantia que a população tenha um bom nível de inserção social e de cidadania. Neste contexto, propõe-se a utilização de recursos presentes em cidades inteligentes para estimular a integração do cidadão. Para atingir tal objetivo será proposto uma abordagem de recomendação de recursos informacionais adaptados de acordo com o nível de conhecimentos e contexto do usuário. Acredita-se que a recomendação de recursos informacionais de tipos diversos pode estimular usuários de dispositivos móveis a tornarem-se mais inseridos socialmente em suas cidades, contribuindo assim para o aperfeiçoamento nível de participação cidadã da população.

Este número dos Cadernos de Informática destina-se à publicação de resultados do projeto Universal do CNPq “Recomendação adaptativa para cidades inteligentes” Chamada Universal MCTI/CNPq Nº 01/2016, processo: 400.954/2016-8. Novos artigos serão adicionados.

Nível de Prontidão Tecnológica (Technology Readiness Level – TRL)

Vocês devem ter perguntado muitas vezes qual o nível de desenvolvimento de seus trabalho e sistemas. Esta dúvida é muito recorrente em teses de doutorado e, em menor escala, em dissertações de mestrado na area tecnológica. Uma forma de avaliar este nível é o modelo TRL desenvolvido pela NASA para sistemas críticos no programa espacial. A escala  de avaliação do nível de desenvolvimento TRL foi desenvolvida pela Agência Espacial Americana, a NASA (National Aeronautics and Space Administration), e apresentada no documento “NASA technology push towards future space mission systems” (1989). Essa proposta surgiu como decorrência do estudo de que quando a tecnologia necessária ainda está em baixo nível de maturidade os custos e cronogramas de desenvolvimento não podem ser previstos com precisão. O objetivo da NASA, com a proposição da escala TRL, foi estabelecer uma nova visão para o desenvolvimento tecnológico, levando-o para algo essencial no desenvolvimento de novos sistemas para missões espaciais.

Os níveis de prontidão de tecnologia (Technology Readiness Levels – TRL) são um tipo de sistema de medição usado para avaliar o nível de maturidade de uma determinada tecnologia. Cada projeto de tecnologia é avaliado em relação aos parâmetros para cada nível de tecnologia e recebe uma classificação de TRL com base no progresso dos projetos. Existem nove níveis de prontidão de tecnologia. A TRL 1 é a mais baixa e a TRL 9 é a mais alta.

Quando uma tecnologia está no TRL 1, a pesquisa científica está começando e esses resultados estão sendo traduzidos em pesquisa e desenvolvimento futuros. A TRL 2 ocorre quando os princípios básicos foram estudados e as aplicações práticas podem ser aplicadas a essas descobertas iniciais. A tecnologia TRL 2 é muito especulativa, pois há pouca ou nenhuma prova experimental de conceito para a tecnologia.

Quando a pesquisa ativa e o design começam, uma tecnologia é elevada para o TRL 3. Geralmente, estudos analíticos e laboratoriais são necessários nesse nível para ver se uma tecnologia é viável e pronta para prosseguir através do processo de desenvolvimento. Muitas vezes, durante o TRL 3, é construído um modelo de prova de conce

Uma vez que a tecnologia de prova de conceito esteja pronta, a tecnologia avança para a TRL 4. Durante a TRL 4, peças de múltiplos componentes são testadas uma com a outra. A TRL 5 é uma continuação da TRL 4, no entanto, uma tecnologia que está em 5 é identificada como uma tecnologia breadboard e deve passar por testes mais rigorosos do que a tecnologia que está apenas na TRL 4. As simulações devem ser executadas em ambientes que sejam tão realistas que possível. Uma vez que o teste do TRL 5 esteja completo, uma tecnologia pode avançar para o TRL 6. Uma tecnologia TRL 6 tem um protótipo totalmente funcional ou modelo representacional.

A tecnologia TRL 7 requer que o modelo de trabalho ou protótipo seja demonstrado em um ambiente espacial. A tecnologia TRL 8 foi testada e “qualificada para voo” e está pronta para ser implementada em um sistema de tecnologia ou tecnologia já existente. Uma vez que uma tecnologia tenha sido “comprovada em voo” durante uma missão bem-sucedida, ela pode ser chamada de TRL 9.

Texto original da definição na NASA

Alternativamente a Comissão Européia desenvolveu sua própria versão derivada da original da NASA.

Technology Readiness Levels in the European Commission (EC)

Technology Readiness Level Description

  • TRL 1 Basic principles observed
  • TRL 2 Technology concept formulated
  • TRL 3 Experimental proof of concept
  • TRL 4 Technology validated in lab
  • TRL 5 Technology validated in relevant environment (industrially relevant environment in the case of key enabling technologies)
  • TRL 6 Technology demonstrated in relevant environment (industrially relevant environment in the case of key enabling technologies)
  • TRL 7 System prototype demonstration in operational environment
  • TRL 8 System complete and qualified
  • TRL 9 Actual system proven in operational environment (competitive manufacturing in the case of key enabling technologies; or in space)

Para maiores detalhes consulte a Wikipedia onde há uma ampla apresentação de modelos e links para documentos complementares. 

Avaliação da CAPES, Vestibular e QUALIS

Logo da CAPESEstava pensando sobre a avaliação realizada pela CAPES dos programas de pós-graduação. Tenho escrito bastante sobre o assunto, afinal a pesquisa e o ensino em Computação é minha atividade essencial. Um dos textos publicados foi sobre Individualismo ou o QUALIS e a Avaliação onde me preocupava com o problema da utilização do QUALIS para avaliações de pessoas, o que é dito como uso inadequado pela CAPES. Mas agora estava pensando sobre o que acontece, então me surgiu a analogia com o vestibular. Este exame foi criado para selecionar os candidatos para a Universidade. Qual seu real objetivo? No início era evidente: avaliar o real conhecimento dos candidatos. Quando a competição começou a aumentar surgiram os cursinhos, segui um dos primeiros aqui em Porto Alegre. Como funcionavam estes cursinhos? Eram aulas ministradas por professores bem conhecidos no secundário ou mesmo nas universidades que ministravam aulas revisando e explicando os fundamentos e os conteúdos das disciplinas. Começavam com o primeiro ano do secundário, seguiam para o segundo e terceiro. Era de fato um condensado do secundário tirando as dúvidas e  procurando aumentar a compreensão dos candidatos. O exame vestibular era textual, com questões que deveriam ser respondidas com textos e cálculos, um verdadeiro exame. Ai surgiu um problema: com o aumento dos candidatos o modelo não escalava! O vestibular passou a ser composto por questões de cruzinha. Nesta época eu participava tanto da Comissão de Vestibular quanto do CPD da UFRGS, conheci bem o problema nos dois sistemas: fiz o vestibular com questões textuais e participei do processo do vestibular com múltiplas provas de escolha simples ou múltipla. Ai os cursinhos degeneraram, passaram a ser treinamentos sobre a melhor forma de responder as questões. O treinamento são verdadeiras gincanas. As aulas, de um ponto de vista tradicional, são sessões de teatro ou de circo. Certamente a qualidade do processo de seleção piorou, ou se degradou. 

 Com a avaliação dos programas de pós-graduação se passou o mesmo. Também participei de toda a evolução. No início era feita uma avaliação detalhada de cada programa, uma comissão visitava o programa, entrevistava professores e escolhia alunos ao acaso para entrevistas individuais. As bibliotecas, salas de aula, equipamentos eram analisados. Havia um julgamento. Ai houve um aumento gigantesco de cursos de pós-graduação (mais tarde farei uma análise comparativa com outros países) e o sistema, novamente, não escalava! Já vimos isto antes… Conclusão: é preciso achar uma forma de avaliar os programas sem gastar muito. Foi, então, criada a obsessão pela métrica das publicações. E ai surgiu a distorção. Em um texto anterior escrevi:

Há uns meses avaliei um artigo internacional e, como sempre faço, realizei uma busca na Web para encontrar as demais publicações do autor. Hoje existe uma enorme pressão para avaliar os pesquisadores por suas publicações e, muitas vezes, pela quantidade delas. Esta pressão leva muitas pessoas a uma atitude que chamo de “mass publication process” onde o mesmo conteúdo é maquiado para parecer diferente e é publicado várias vezes. Por isto um revisor responsável precisa verificar o grau de originalidade de um artigo antes de emitir um parecer conclusivo. Fiquei impressionado pela quantidade de publicações encontradas daquele autor nos últimos dois ou três anos! Analisando com mais cuidado descobri que em apenas uma conferência ele tinha 7 publicações registradas no DBLP, 6 em outra e 5 em uma terceira. Ao analisar os artigos deu para ver que, agregados os de cada conferência, dariam um  artigo adequado e denso. Como os artigos foram estrategicamente distribuídos para vários workshops associados e para a conferência principal acabaram sendo aceitos. Será que este pesquisador é melhor por ter 18 artigos nestas conferências, além de mais umas 12 variações sobre o mesmo tema, do que seria se tivesse publicado dois ou três artigos densos em vez de 30 pontuais tratando, maquiadamente, do mesmo assunto?

Uma justificativa foi que era preciso achar uma métrica objetiva para realizar a avaliação, isto é, fugir da responsabilidade do julgamento. Mas neste caso nenhuma métrica é objetiva, os dados escolhidos são subjetivos e ideológicos. Hoje há uma visão de que a única cois que vale são publicações. Agora me surgiu uma ideia: não seria melhor colocar uma montanha de dados para um algoritmo de ‘superhuman’ DeepMind AI e verificar os resultados? A menos que a resposta fosse 42… Como vemos há uma tendência a perdermos o foco de qualquer coisa e procurar a solução mais fácil e barata. Aliás, há a famosa frase sobre os caminhos:

“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem”.

É isto que realmente ocorre, achar a qualidade é essencial, achar um método que escala é fácil mas de menor qualidade. Esta qualidade desejada se consegue trabalhando em bons problemas e com grupos consistentes. A escolha destes problemas reais é essencial, a criação de grupos hierárquicos para trabalhar com estes problemas é essencial. Um assunto que precisa ser discutido é a diversidade cultural e de perfis de trabalho na pós-graduação. Atualmente está aceito que a diversidade nos grupos sociais e acadêmicos é um dos melhores fatores para aumentar a eficiência e a criatividade. Culturas, gêneros e opiniões diferentes favorecem o convívio e abrem novas possibilidades para o tratamento dos temas de trabalho. Pergunto: “Por que isto não acontece nas pós-graduações?”. O consenso é que só devem participar dos programas professores-pesquisadores com um número alto de publicações em journals com alto fator de impacto. Mas um grupo criativo é algo bem diferente. Os coordenadores de programas de pós-graduação expurgam ótimos professores (que poderiam ministrar ótimas aulas) para aumentar os índices CAPES. Isto é uma exclusão. Aqueles que são dotados para a implementação também são excluídos, sobram apenas os publicadores. Com este comportamento perdemos muitas pessoas que seriam importantes para a formação de nossos alunos e para o desenvolvimento dos projetos. Isto sem contar com a criatividade oriunda da diversidade de perfis. O ponto central não é a qualidade e criatividade do grupo, mas sua adequação à bibliometria avaliativa. Se quisermos qualidade real será preciso uma profunda mudança em nossos critérios.

Resumindo: precisamos de bons problemas, grupos com diversidade e qualidade, hierarquia na pesquisa e avaliação por julgamento. Mas como este dito anônimo retrata:

As Universidades e os cemitérios são refratários às mudanças, os que ali estão não querem se mover.

A parte disto considero que estamos dando a mensagem errada para os jovens, tanto alunos quanto pesquisadores. O importante não é a contagem de artigos, mas a pesquisa de qualidade. Entendo que dependemos do dinheiro da CAPES e que devemos nos preocupar com a avaliação, é o caso de fazer o que quem paga quer (não vou considerar profissões assim…). Mas a avaliação deveria ser consequência de uma boa pesquisa e não obtida por regras.

 

Liberados recursos para o CNPq

Anunciada a liberação de recursos para pagamentos restantes do Universal 2014, e para os 101 projetos aprovados do INCT

DinheiroDurante reunião do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT), com a presença do Presidente da República, Michel Temer, nesta quinta-feira, 10, foi anunciada a liberação de R$ 68 milhões para pagamento do passivo de 3.289 projetos contemplados pela Chamada Universal de 2014 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Na ocasião, o Presidente Temer homologou, também, o repasse de R$ 328 milhões do Governo Federal para investimentos nos 101 projetos aprovados na última Chamada do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), lançada pelo CNPq em 2014.

A reunião marca a retomada do CCT, órgão consultivo e de assessoramento superior da Presidência da República para formulação, implementação e avaliação da Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Os novos integrantes foram nomeados no último dia 8, pelo Presidente da República. A composição do CCT para os próximos três anos conta com representantes da indústria, universidades e entidades ligadas aos setores de ensino e pesquisa. Usuários e produtores de ciência e tecnologia e ministros de Estado completam a composição do Conselho.

Para o Presidente do CNPq, Mario Neto Borges, que participou da reunião, a reativação do CCT “é fundamental para desenhar a política nacional de ciência e tecnologia e inovação e fará o Brasil desenvolver o tanto que precisa e merece”.

INCTs

O aporte autorizado pelo Presidente Temer para repasse aos INCTs será complementado por recursos destinados pelas Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) que contam com sedes do Institutos em seus estados. Ao todo, serão R$ 654,3 milhões investidos em 101 projetos. Os recursos federais são oriundos do orçamento dos órgãos parceiros: CNPq, FINEP e CAPES.

Criado em 2008, este é o segundo ciclo dos INCTs, programa que reúne centros de pesquisa, laboratórios e pesquisadores de ponta, das mais diversas áreas do conhecimento, em busca de soluções para os grandes problemas nacionais. Dos 126 INCTs criados no primeiro ciclo, 57 foram renovados nessa última chamada. Outros 44 são novos institutos.

“Esse programa promove a possibilidade de parcerias institucionais, como o Fundo Newton, que já manifestou seu interesse em participar”, anunciou Mario Neto.

Os 101 projetos representam 8.738 pesquisadores envolvidos, de 410 laboratórios, localizados nas 27 UFs. 18 estados abrigam as sedes dos Institutos: São Paulo (33 sedes), Rio de Janeiro (19), Minas Gerais (10), Amazonas (2), Bahia (6), Distrito Federal (4), Goiás (1), Maranhão (1), Mato Grosso (1), Mato Grosso do Sul (1), Paraíba (1), Pernambuco (4), Piauí (1), Paraná (2), Rondônia (1), Rio Grande do Sul (9), Santa Catarina (4) e Sergipe (1).

Conheça os Institutos contemplados: https://goo.gl/qaYMmO

Universal

A Chamada Universal é a maior seleção do CNPq, apoiando projetos que visem contribuir significativamente para o desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação do País, em qualquer área do conhecimento. O objetivo é democratizar o fomento à pesquisa cientifica e tecnológica no País.

A Chamada de 2014 contemplou 5.529 projetos, representando um total de R$ 200 milhões.

Para o Presidente do CNPq, os anúncios feitos hoje representam a força da parceria com os estados e com todo o Brasil: “promover a ciência, a tecnologia e a inovação como principal instrumento para o desenvolvimento sustentável do país”.

Coordenação de Comunicação Social do CNPq

Ambientes Sociais Inteligentes Sensíveis ao Contexto

Resumo do Projeto ASISC

Ambientes Sociais Inteligentes Sensíveis ao Contexto são sistemas de informação que levam em conta características de redes sociais tanto humanas quanto compostas por web services. Estas características são consideradas para os sistemas se adaptarem e obterem melhores resultados com a orquestração dos recursos disponíveis ou com a recomendação para a utilização de recursos, cooperações e serviços disponíveis.

A pesquisa nesta área apresenta múltiplas facetas como a identificação e modelagem do contexto a situações experimentadas dentro deste contexto. A utilização de ontologias formais e regras de inferência para a identificação das situações e das melhores ações a serem tomadas e a seleção de web services adequado para a realização de tarefas.

Dentro do escopo desta proposta tratamos de dois casos específicos nos quais os modelos conceituais ligados a redes sociais e à sensibilidade ao contexto são validados: os contextos de smart environments e a análise de ambientes inteligentes para a análise e recomendação em redes sociais acadêmicas. Em ambos os casos, a modelagem conceitual de contexto, situação e recomendação de recursos são explorados de forma a permitir a validação experimental dos conceitos elaborados.

A pesquisa proposta é composta por cinco pacotes de trabalho:

  • P1: Modelagem e gestão do contexto e do usuário
  • P2: Adaptação e recomendação de serviços
  • P3: Recomendação de colaboração
  • P4: Infraestrutura – sensores, atuadores e serviços
  • P5: Cenários de validação

Objetivos

O presente projeto visa expandir as pesquisas desenvolvida no âmbito do grupo de Sistemas de Informação do PPGC da UFRGS tratando de:

  • Modelagem e gestão do contexto e do usuário” onde propomos identificar todas as dimensões contextuais relevantes. Reconhecer e, portanto, interpretar automaticamente o contexto. Contudo, os usuários podem fornecer informação de contexto adicional que pode não ter sido detectada automaticamente. Classificar dinamicamente dimensões contextuais importantes utilizadas para executar a busca por similaridade. Por exemplo, um usuário que espera por um e-mail específico, quer ser notificado imediatamente, enquanto o usuário que está terminando uma tarefa importante não quer ser incomodado. Neste exemplo, a dimensão da atividade (aguardar um e-mail v.s. acabar uma tarefa) recebe uma prioridade muito elevada, enquanto que as outras dimensões, tais como a localização, são menos importantes. O controle de usuário é um aspecto muito importante para a notificação automaticamente ao usuário. Reconhecer o contexto atual e fornecer serviços relevantes a este respeito deve ser realizado em tempo real. Considerar a evolução dos interesses do usuário para fornecer recomendações pertinentes, porque se o comportamento do sistema é inconsistente, o usuário pode rapidamente o rejeitar.
  • Adaptação e recomendação de serviços onde serão analisadas a alta dinamicidade dos elementos do contexto e a sua imprevisibilidade; realizado o tratamento em tempo real de grandes volumes de dados, em especial para identificação de recomendações; examinado o desenvolvimento de modelos de adaptação e recomendação de forma a lidar, com os problemas de contexto altamente dinâmico e imprevisível.
  • Recomendação de colaboração tem por objetivos: Definir uma função de avaliação de qualidade com base em análises em redes sociais acadêmicas para o contexto acadêmico que utilize informações sobre publicações. Os resultados dos trabalhos prévios da equipe proponente servirão como ponto de partida para esse objetivo. Visa-se expandir e refinar o trabalho de forma que outros possíveis indicadores e métricas associadas possam ser definidos através de análises de colaborações entre pesquisadores. Definir uma função de recomendação de colaborações para o contexto acadêmico. Os resultados dos trabalhos prévios da equipe proponente servirão como ponto de partida para esse objetivo. Visa-se considerar outros indicadores para recomendação de colaborações. Pretende-se expandir o estudo sobre a influência de aspectos temporais das relações entre pesquisadores consideradas para geração de recomendações. Integrar as propostas dos dois objetivos citados anteriormente visando uma função de recomendação de colaborações para o contexto acadêmico que utilize as informações sobre qualidade de grupos de pesquisa. Para tanto, visa-se definir como a função de recomendação pode beneficiar-se pelo uso dos indicadores e métricas de qualidade de grupos com base na análise em redes de colaboração. Definir a infraestrutura para validação e avaliação experimental dos resultados obtidos, pelo cumprimento dos três objetivos anteriores possibilitando que possam ser utilizados conjuntos de dados reais.
  • Infraestrutura – sensores, atuadores e serviços. Para seu desenvolvimento, esta tarefa envolverá a concepção e implementação de uma infraestrutura que permita a integração de serviços e sensores disponíveis, de forma a se obter um ambiente de apoio às atividades dos usuários. Dentro deste quadro, será trabalhado especificamente no seguinte: Integração de serviços e sensores dentro do ambiente de atividades, incluindo sistemas de gestão de processos; Mecanismos e modelos que permitam ao usuário definir e manipular dinamicamente o ambiente de apoio às atividades (serviços e sensores utilizados, tratamento das informações disponíveis, etc.); Estudo das redes sociais como um meio de acesso aos sensores e serviços pessoais para uma melhor integração de informações em atividades colaborativas 

Participantes

  • José Palazzo Moreira de Oliveira: coordenador
  • José Valdeni de Lima
  • Leandro Krug Wives
  • Isabela Gasparini
  • Ana Marilza Pernas Fleischmann
  • Giseli Rabello Lopes
  • Jonas Bulegon Gassen
  • Alencar Machado

Resultados acadêmicos

Publicações do projeto ASISC

Atividades executadas

Atividades do projeto ASISC

Sensibilidade ao Contexto

O termo sensibilidade, em inglês awareness, trata da capacidade de um sistema em perceber ou estar ciente da ocorrência de eventos, objetos ou padrões de sensores existentes ao redor. Já o termo contexto, de forma simples, se trata de tudo o que ocorre ao redor do usuário, e que influencia na forma com que ele interage com o ambiente físico e com as outras pessoas. A sensibilidade ao contexto consiste então da capacidade de um sistema computacional em estar ciente de contexto atual do usuário e, em consequência, reagir de forma proativa aos eventos que possam alterar seu contexto de atuação. Em uma situação normal do dia-a-dia, onde duas pessoas conversam, elas podem utilizar explicitamente informações sobre tudo que acontece ao seu redor (contexto) para melhorar a forma com que a interação entre elas ocorre. Este nível de interação não se aplica na interação entre humanos e computadores, uma vez que computadores não estão habilitados a explorar o contexto durante a interação com humanos. Desta forma, definir contexto no âmbito de sistemas computacionais se torna uma tarefa delicada, pois este precisa ser tratado em um nível de detalhamento que permita seu processamento interno no sistema computacional sendo desenvolvido.

A pesquisa na área de sensibilidade ao contexto apresenta divisões com relação às dimensões de contexto relevantes para análise pelo sistema computacional. Nessas dimensões, podemos identificar elementos mais objetivos, como espaço, tempo, temperatura, ou elementos mais subjetivos, como objetivos, intenções, emoções, interesses, atividades. Em nossas pesquisas, diversas dimensões de contexto são analisadas em conjunto, tendo em vista identificar a situação sendo vivenciada pelo usuário (situation-awareness). O tratamento da situação por meio do sensoriamento de dados de contexto considera, em geral, dimensões de contexto que permitam identificar: quem é o usuário; qual ação/atividade está sendo desempenhada pelo usuário; com que objetivo ele realiza esta ação; onde ele realiza a ação (local); de que forma ele realiza a ação (recursos disponíveis); e quando realiza a ação (tempo corrente).

Em nossa pesquisa, o conhecimento relativo à situação do usuário é aplicado aos sistemas de educação a distância (EAD), mais especificamente, aos sistemas adaptativos (SAs) de EAD. Nestes sistemas, a análise da situação corrente pode auxiliar na recomendação de objetos de aprendizagem mais adequados as condições atuais de acesso do aluno, além de servir como apoio à adaptação. Em um primeiro trabalho foi feito estudo exploratório sobre como se daria a passagem de um ambiente de EAD adaptativo a um ambiente de EAD adaptativo ao contexto do aluno [1]. Neste trabalho foi feita pesquisa inicial sobre a viabilidade de se modelar uma situação de aprendizagem de forma a construir um ambiente educacional adaptativo sensível ao contexto.

Na sequência de nossa pesquisa, um modelo de contexto inicial foi desenvolvido [2], com base no mapeamento do modelo de aprendizagem, no modelo do usuário e no modelo do contexto físico e tecnológico do ambiente. Para análise deste modelo inicial os primeiros cenários completos de exemplo foram definidos, mostrando os elementos de contexto relevantes e as adaptações resultantes. Nos trabalhos seguintes, [3] e [4], o conceito de situação foi formalizado por meio dos relacionamentos das ontologias que representavam o modelo do usuário, o modelo do ambiente educacional e o modelo do contexto físico. Formalizou-se também o conceito de evento, necessário para avaliação da mudança entre situações. Nestes trabalhos ainda foi proposta uma arquitetura de desenvolvimento, aplicada em extensão a um ambiente educacional previamente existente, chamado AdaptWeb (link para texto sobre o AdaptWeb).

Em nossa pesquisa, optamos por representar o modelo do contextual por meio de ontologias, mais especificamente, por meio de redes de ontologias, interligadas de forma a permitir inferência das situações educacionais configuradas. Atualmente, as redes de ontologias estão sendo vistas como um novo conceito na área de engenharia de ontologias, o qual tem sido grandemente aplicado em detrimento ao desenvolvimento personalizado de ontologias a partir do zero. De forma simples, o desenvolvimento de uma rede de ontologias é feito através da seleção de um conjunto de ontologias interligadas por meio da identificação dos diferentes relacionamentos existentes entre elas. A rede de ontologias de contexto definida em nossa pesquisa é detalhada em [5] e [6], onde ficam claros os elementos contextuais necessários para determinação da situação, assim como as fontes utilizadas na definição do vocabulário. Nestes trabalhos é também proposta uma ontologia para representação e inferência de situação. Esta ontologia explicita o conceito de situação, necessário na definição das regras de inferência (construídas em SWRL).

Após termos desenvolvido o modelo de contexto e as situações de aprendizado, testes e simulações foram realizados no ambiente AdaptWeb. Neste ponto, as funcionalidades da arquitetura desenvolvida foram descritas com maiores detalhes, descrevendo detalhes de monitoramento dos eventos e os elementos contextuais relevantes em cada situação. A descrição final do modelo de hipótese, com a arquitetura final do sistema e testes realizados, foi apresentada nos trabalhos [7] e [8].

 

[1] PERNAS, A. M., GASPARINI, I., PALAZZO M. de Oliveira, J., PIMENTA, M. S. Um ambiente EAD adaptativo considerando o contexto do usuário. 1o Simpósio em Computação Ubíqua e Pervasiva (SBCUP), XXIX Congresso da Sociedade Brasileira de Computação (CSBC), Bento Gonçalves, Brasil, 2009. ISSN 2175-2761.

[2] PERNAS, A. M., GASPARINI, I., BOUZEGHOUB, A., PIMENTA, M. S., WIVES, L.K., PALAZZO M. de Oliveira, J. From an E-Learning to an U-Learning Environment. 2nd International Conference on Computer Supported Education (CSEDU), Valencia, Espanha, v. 1, p. 180-185, 2010. ISBN 978-989-674-024-5.

[3] PERNAS, A. M., WIVES, L.K. PALAZZO, M. de Oliveira J., BOUZEGHOUB, A. Modeling context Adapted Learning Scenarios in the AdaptWeb® Environment. In Proceedings of the IADIS International Conference Mobile Learning, Porto, Portugal, p. 165-172, 2010. ISBN 978-972-8924-98-0.

[4] PERNAS, A. M., PALAZZO, M. de Oliveira J., BOUZEGHOUB, A. Modeling Adaptive Situations According with Context and Learning Scenarios. 10th IEEE International Conference on Advanced Learning Technologies – ICALT 2010. Sousse, Tunisia, 2010. DOI http://dx.doi.org/10.1109/ICALT.2010.126.

[5] PERNAS, A. M., DIAZ, A., MOTZ R., PALAZZO, M. de Oliveira, J. Situations and Ontology Networks to Define Adaptive Actions in E-Learning Systems. IADIS International Conference WWW/Internet, Rio de Janeiro, p. 237–244, 2011. ISBN: 978-989-8533-02-9.

[6] PERNAS, A. M., DIAZ, A., MOTZ R., PALAZZO, M. de Oliveira, J. Enriching adaptation in e-learning systems through a situation-aware ontology network. In Interactive Technology and Smart Education (ITSE), Emerald Journal, v. 9, p. 1-10, 2012. ISSN: 1741-5659.

[7] PERNAS, A.M., PALAZZO M de Oliveira, J. Enabling Situation-Aware Behavior in Web-Based Learning Systems. XXX International Conference of the Chilean Computer Science Society (SCCC), Curicó, Chile, 2011.

[8] GASPARINI, I. PERNAS, A. M., J. PIMENTA, M. S., PALAZZO M. de Oliveira, KEMCZINSKI, A., CAVALHEIRO, G. G. H. m-AdaptWeb®: An adaptive e-learning environment facing mobility. 4th International Conference on Computer Supported Education (CSEDU), Porto, Portugal, 2012.ISBN 978-989-8565-07-5.