Escola Regional de Engenharia de Software (ERES)

1º ERES

Apresentação

A ERES será promovida anualmente pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC). A primeira edição da Escola Regional de Engenharia de Software, a ERES 2017, irá ocorrer em Alegrete, RS, no período de 18 a 20 de outubro de 2017.

Esta edição está sendo realizada pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus Alegrete, com a colaboração de docentes e pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e Universidade Estadual de Maringá (UEM).

A ERES tem por objetivo disseminar o conhecimento e boas práticas em Engenharia de Software (ES), tanto do ponto de vista profissional quanto acadêmico. A ERES 2017 é um espaço regional para que possam ser apresentados os resultados de pesquisas de graduação e pós-graduação e relatos de experiência na indústria. Além disso, possibilitará um ambiente natural para a discussão de abordagens no ensino-aprendizagem na ES nas instituições de ensino superior da Região Sul do Brasil.

Motivação/Justificativa

A realização da Escola Regional de Engenharia de Software (ERES) pretende oferecer aos seus participantes atualizações do estado-da-arte da pesquisa científica na área de engenharia de software por meio da apresentação de palestras ministradas por pesquisadores renomados. O evento também intenciona oferecer uma atualização tecnológica por meio de minicursos apresentados por pesquisadores ou profissionais experientes e qualificados. Dessa forma, este evento irá possibilitar a divulgação de conceitos atuais na área, além de divulgar o que se está pesquisando em engenharia de software na região sul, no país e no mundo, inspirando assim o gosto pela pesquisa científica aos participantes.

Serão ainda oferecidos fóruns de graduação e pós-graduação, nos quais será discutida a pesquisa científica em engenharia de software tanto no âmbito da graduação como em programas de mestrado e doutorado. Portanto, o evento também será um espaço para publicação de trabalhos científicos e relatos empíricos da indústria, o que permitirá a disseminação de conhecimento e de boas práticas em engenharia de software. Além disso, propiciará o intercâmbio e a troca de ideias e experiências entre pesquisadores, alunos e profissionais da área, fomentando a colaboração entre grupos de pesquisa e pesquisadores de múltiplas instituições, bem como parcerias entre indústrias e universidades.

A primeira edição da ERES ocorrerá na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, surgindo em um momento em que a referida região necessita de um maior espaço para a divulgação e atualização científico-tecnológica na área de engenharia de software. Dessa maneira, a ERES permitirá uma democratização do acesso ao conhecimento que geralmente costuma ser oportunizado apenas aos residentes das grandes áreas metropolitanas. Além disso, esse evento poderá destacar o potencial econômico da região, incentivando que indústrias de software venham a se instalar na mesma, contribuindo assim para seu crescimento.

Cumpre ressaltar também a grande importância que a engenharia de software tem nos dias atuais, posto que praticamente todas as áreas humanas necessitam em maior ou menor grau de software para apoiá-las. Aliado a isso, destaca-se que o Brasil possui um alto déficit de profissionais atuantes na área para suprir essas demandas. Dessa maneira, o incentivo à formação, qualificação e atualização de profissionais em engenharia de software é imprescindível para o crescimento do país como um todo e da Região Sul em particular. Sendo assim, a realização deste evento demonstra também ser de grande importância para a economia e desenvolvimento da Região Sul do Brasil.

Objetivo

A Escola Regional de Engenharia de Software (ERES) tem a finalidade de disseminar o conhecimento e boas práticas em Engenharia de Software (ES), tanto do ponto de vista profissional quanto acadêmico. A programação da ERES compreenderá minicursos, palestras, fórum de graduação e fórum de pós-graduação, todos direcionados para a área de ES.

O público-alvo do evento são docentes e discentes dos cursos de graduação e pós-graduação da área da Ciência da Computação, bem como profissionais atuantes na área de ES. A ERES já possui apoio de docentes de diferentes universidades da Região Sul: UNIPAMPA, PUCRS, UFRGS, UFSM, FURG, UNISINOS, UFCPA, UNISC, UFSC, IFFS, UEM, UTFPR, IFFarroupilha. Dessa forma, o evento espera atrair docentes e discentes de um amplo número de cursos, tais como: Engenharia de Software, Ciência da Computação, Sistemas de Informação, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Informática Biomédica. Destaca-se que o potencial público alvo apenas das instituições de ensino sediadas em Alegrete é de 470 participantes. Portanto, existe a expectativa real de atrair entre 550 a 750 participantes.

A ERES será promovida anualmente pela pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC). A primeira edição, a ERES 2017, irá ocorrer em Alegrete, RS, no período de 18 a 20 de outubro de 2017. Ela está sendo proposta pela SBC, com a coordenação/apoio da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus Alegrete, e organizada juntamente com a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e Universidade Estadual de Maringá (UEM). A proposta é ofertar edições anuais do evento no formato itinerante, potencializando a participação e colaboração do público-alvo de diferentes localidades da Região Sul do Brasil.

Chamada de Trabalhos

Submissão de Trabalho

Artigos submetidos na categoria Fórum de Pós-Graduação devem possuir no mínimo 6 páginas e no máximo 10 páginas e artigos submetidos na categoria Fórum de Graduação devem possuir no mínimo 6 páginas e no máximo 8 páginas.

Os artigos devem ser escritos em português ou inglês e submetidos exclusivamente no formato PDF por meio da Plataforma JEMS. A formatação do texto deve seguir o Modelo para Publicação de Artigos da SBC. Os artigos que não seguirem o estilo não serão avaliados pelos revisores.

Submissões em ambas as categorias serão avaliadas pelo Comitê Científico da ERES com base na clareza da proposta, relevância do tema e qualidade da apresentação. Para submissões na categoria Fórum de Pós-Graduação, haverá avaliação adicional das contribuições científicas do trabalho. Independentemente da categoria de submissão, pelo menos 1 (um) dos autores de cada artigo aceito deve se inscrever e apresentar o trabalho no evento. Os autores de artigos de pesquisas em estágios iniciais que não forem aceitos para publicação nos anais do evento, poderão ser convidados para apresentação na Sessão de Pôsteres. Os melhores trabalhos de cada categoria e a melhor apresentação de pôster receberão certificado de menção honrosa.

Fórum de Graduação

O Fórum de Graduação da ERES 2017 apresentará os trabalhos de pesquisa ou relatos de experiência em engenharia de software, desenvolvidos por profissionais da indústria ou acadêmicos de graduação das IES gaúchas, catarinenses e paranaenses. Os artigos devem possuir no mínimo 6 páginas e no máximo 8 páginas em língua portuguesa ou inglesa (incluindo-se as referências). Os artigos aceitos deverão realizar sua apresentação em Sessão Oral.

Fórum de Pós-Graduação

O Fórum de Pós-Graduação da ERES 2017 é um espaço para apresentação de trabalhos de alunos de pós-graduação, com o objetivo de incentivar a troca de experiências e divulgar pesquisas em andamento e resultados obtidos. Os artigos devem possuir no mínimo 6 páginas e no máximo 10 páginas em língua portuguesa ou inglesa (incluindo-se as referências). Os artigos aceitos deverão realizar sua apresentação em Sessão Oral.

 

Datas Importantes

– Submissão do abstract: 08/09/2017 (deadline firme)

– Submissão do artigo: 11/09/2017 (deadline firme)

– Notificação de aceitação: 28/09/2017

– Envio da versão final: 06/10/2017

Para mestrandos e doutorandos: lista de congressos e assemelhados

ConferênciaA participação em Congressos, Workshops e Escolas é algo de grande importância para o desenvolvimento de redes de contatos e para o intercâmbio de experiências. Passei a oferecer um novo serviço em meu site com algumas (espero que muitas) conferências e assemelhados sobre Banco de Dados e Sistemas de Informação e um pouco de Engenharia de Software. Esta lista é parcial e desenvolvida com curadoria1, selecionando os meios considerados interessantes e tentando evitar a listagem de predadores. Vou procurar atualizar constantemente o aplicativo não esquecendo as conferências e encontros na nossa América Latina. Além disto estou dando ênfase a eventos da SBC. É extremamente importante o desenvolvimento da cooperação regional para criarmos grupos maiores e competitivos. 

  • Lista de eventos: em Eventos encontre conferências, palestras e cursos ou os Deadlines.

[1] Fazer curadoria de arte é o processo de organização, cuidado e montagem de uma exposição artística, formada por um conjunto de obras de um ou de vários artistas, a partir da seleção prévia feita pelo curador. O mesmo se aplica à organização de outras coleções.

O QUALIS não deve ser usado para a avaliação de pesquisadores – a solução

 

 CAPESA CAPES vem afirmando continuamente através de seus representantes que o QUALIS deve ser usado exclusivamente para a avaliação de programas de pós-graduação, não para a avaliação individual de pesquisadores. Mas os programas de pós-graduação, avaliados pela CAPES, continuam fazendo isto. O pior é que faculdades que sequer têm pesquisa usam este critério para a seleção de seus professores. Há, ainda, quem faz a alocação de espaço físico baseado em QUALIS de pesquisadores… Finalmente achei a solução!

É preciso a CAPES tenha a coragem de assumir a sua responsabilidade pois o QUALIS é sua produção e, portanto, ela tem o Direito Autoral sobre este produto. Vejam o seguinte texto do ECAD:

Direito autoral é um conjunto de prerrogativas conferidas por lei à pessoa física ou jurídica criadora da obra intelectual, para que ela possa gozar dos benefícios morais e patrimoniais resultantes da exploração de suas criações. O direito autoral está regulamentado pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98) e protege as relações entre o criador e quem utiliza suas criações artísticas, literárias ou científicas, tais como textos, livros, pinturas, esculturas, músicas, fotografias etc. Os direitos autorais são divididos, para efeitos legais, em direitos morais e patrimoniais.

Os direitos morais asseguram a autoria da criação ao autor da obra intelectual, no caso de obras protegidas por direito de autor. Já os direitos patrimoniais são aqueles que se referem principalmente à utilização econômica da obra intelectual. É direito exclusivo do autor utilizar sua obra criativa da maneira que quiser, bem como permitir que terceiros a utilizem, total ou parcialmente.

Ao contrário dos direitos morais, que são intransferíveis e irrenunciáveis, os direitos patrimoniais podem ser transferidos ou cedidos a outras pessoas, às quais o autor concede direito de representação ou mesmo de utilização de suas criações. Caso a obra intelectual seja utilizada sem prévia autorização, o responsável pelo uso desautorizado estará violando normas de direito autoral, e sua conduta poderá gerar um processo judicial.

A obra intelectual não necessita estar registrada para ter seus direitos protegidos. O registro, no entanto, serve como início de prova da autoria e, em alguns casos, para demonstrar quem a declarou primeiro publicamente.

Texto completo no ECAD

Encontramos no site da CAPES, na area da Computação, o seguinte texto:

É importante observar que os critérios adotados pela Coordenação de Área para avaliação de publicações em periódicos e em anais de conferências destinam-se à análise de programas de pós-graduação e são inadequados para avaliação individual de pesquisadores.

A solução é simples: basta a CAPES proibir o uso de seu produto para outros usos que não a avaliação de programas de pós-graduação. Ela tem este direito pela lei. 

Frase a ser publicada:

“O QUALIS, propriedade intelectual da CAPES, destina-se exclusivamente à avaliação de programas de pós-graduação. Qualquer outra utilização como critério exclusivo de avaliação não é autorizada.”


 

Presidente da Capes defende debate amplo sobre o sistema de pós-graduação brasileira

CAPES Os desafios orçamentários atuais afetam o futuro da expansão da pesquisa acadêmica no país. Além disso, para Abílio Baeta Neves, as universidades precisam voltar a ser protagonistas na discussão sobre qual o sistema mais adequado para o avanço acadêmico

É inegável o papel estratégico da Capes para o sistema acadêmico brasileiro. A instituição é responsável pela concessão de aproximadamente 100 mil bolsas ao ano, além de avaliar a qualidade da oferta dos cursos de pós-graduação ofertados pelas universidades. Papel tão central no fomento à especialização coloca a Capes em uma posição privilegiada para mapear os desafios da especialização acadêmica. No primeiro painel da 69ª Reunião Anual da SBPC, “Os Desafios da Pós-Graduação”, esse olhar crítico sobre o presente e futuro da pós foi apresentado pelo presidente da Capes, Abílio Baeta Neves.

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Mariana Mazza – especial para o Jornal da Ciência

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Apresentação no CSBC 2017: Avaliação da qualidade de programas de pós-graduação

 

A comunidade tem perguntado sobre o caminho que estamos trilhando para construir uma pós-graduação de excelência. Encontramos opiniões divergentes, alguns acreditam que se obtém qualidade pelos altos níveis de exigência, outros por estimular o trabalho individual dos alunos. Uns pensam que a pós-graduação é uma forma de crescimento social e encaram os critérios altos como elitistas. Atualmente alguns programas de PG estão reduzindo o número de créditos com o racional que o importante é o trabalho de dissertação ou de tese. Há, ainda, a discussão sobre se vale a pena o investimento no mestrado e se o doutorado deve ser o fim último da PG, sendo o mestrado algo considerado como um prêmio de consolação para quem não consegue obter o doutorado. Certamente estamos em um período turbulento, onde poucas certezas existem. As perguntas que não querem calar são: Teremos realmente universidades de primeira linha? O que é uma universidade primeira linha? É uma universidade com prêmios Nobel? É uma universidade para onde os pesquisadores top querem trabalhar em seus sabáticos? É uma Universidade para onde os melhores alunos do mundo aplicam como forma de ter seu futuro assegurado? Este é o tema central da Avaliação da Qualidade tratada neste texto: Como avaliar a qualidade de um programa de pós-graduação, que critérios devem ser utilizados? 

2017 CSBC Avaliação

 

 

A Mente Organizada {Daniel J. Levitin} 2014

 


Capa de A Mente Organizada

Poderia a boa e velha organização ser o segredo fundamental para se navegar no mar de informações do mundo moderno? Enquanto notícias, textos, contas e aplicativos invadem nosso cotidiano, espera-se que tomemos rapidamente decisões cada vez maiores. Em capítulos instigantes sobre temas que vão desde a gaveta bagunçada da cozinha até cuidados com a saúde, David Levitin apresenta avanços recentes nos estudos sobre o cérebro e mostra métodos que podemos aplicar no dia a dia para adquirir uma sensação de controle sobre a maneira como organizamos nossos lares, nossos ambientes de trabalho e nossas vidas. Google

Este livro é uma leitura obrigatória para todos os que trabalham e vivem no  mundo moderno hiper-ligado. Aconselho principalmente para os estudantes de mestrado e doutorado, o autor é um neurocientista com h-index de 43. O livro trata da necessidade de organização mental para tratar o fluxo gigantesco de informação atualmente disponível. A parte inicial discute a classificação e identificação de conceitos, é uma contribuição muito importante para entender os conceitos de Modelagem Conceitual e Ontologias. A seguir analisa formas de comportamento e sua correspondência com funções cerebrais. Uma parte importante é a apresentação clara da necessidade de termos um espírito crítico e como transmitir isto para nosso filhos. O livro orienta a forma de nos organizarmos, não como banal auto-ajuda mas de uma forma cientificamente embasada. O livro é auto-contido , mas um conhecimento básico de fisiologia torna a sua leitura muito mais produtiva. Mesmo sem este conhecimento a aplicação na vida real dos conhecimentos adquiridos com esta leitura fará uma grande diferença em sua produtividade.


 

Escolha um bom orientador e tenha futuro!

OrientadorResponda: Você é competitivo? Se a resposta for positiva leia esta crônica. Se você é um bom aluno de graduação ou se já se formou e pretende continuar seus estudos para a obtenção de um mestrado ou um doutorado continue a ler, este assunto é muito importante. No artigo As Universidades brasileiras são competitivas?discuto os problemas que são criados por algumas instituições pensarem que um curso universitário deve ser competitivo com base em seu preço (os marketeiros traduziram a palavra preço por investimento) e não pela sua qualidade. Agora, neste artigo, vou discutir a competitividade dos estudantes, será que os candidatos à pós-graduação são realmente competitivos ou estão procurando o caminho de menor resistência? Eu aposto na primeira opção, se alguém quer enfrentar uma pós deve ser competitivo! É para vocês este texto. 


Vencer na Universidade é uma tarefa difícil, leia este guia para orientar sua carreira


Escolher um orientador não é uma decisão isolada, é preciso escolher a Instituição, encontrar meios financeiros para permanecer lá por dois anos para o mestrado e quatro para o doutorado e, finalmente, encontrar o orientador. Reparem que esta não é uma decisão fácil pois existem diversos parâmetros em jogo. Meu objetivo é auxiliar aos candidatos a uma pós-graduação tomarem a melhor decisão, não a perfeita mas a melhor possível dentro das limitações normais de cada pessoa. Se alguém vai investir dois anos de sua vida para fazer um mestrado ou quatro para obter um doutorado é preciso trabalhar bem na preparação do curso. Por analogia pergunto: quanto tempo se gasta para planejar e aproveitar bem umas férias de uma semana ou de quinze dias? Não seria adequado aplicar muito mais esforço no planejamento de anos de nossas vidas? Quantos fazem este planejamento? O planejamento para a escolha da pós-graduação a seguir é essencial. Lembre-se, você gasta horas e horas decidindo em que praia vai pegar as melhores ondas, para decidir sobre anos de sua vida é preciso muito mais planejamento. Seu futuro pode depender de uma boa decisão. Vamos tratar desta questão respondendo três perguntas: onde? como? com quem?

Para avaliações fidedignas, em Administração, utiliza-se uma técnica denominada de benchmark. Nesta técnica são escolhidas organizações-padrão, de alto reconhecimento no setor, e são obtidos indicadores chave para avaliar sua qualidade e desempenho. Após, estes mesmos dados são medidos nas organizações que queremos avaliar e os resultados são comparados com as organizações-padrão. Então é possível realizar comparações justas e precisas. Estas medidas devem ser estáveis e amplas. Pense nisto quando fizer comparações! Vou tentar ajudar nesta tarefa com a identificação das medidas necessárias para um bom benchmark para a avaliação de Instituições e de orientadores de pós-graduação. Estas medidas podem ser quantificadas por meio de perguntas. Mas não se engane pela propaganda, há algumas semanas li um anúncio de uma Universidade que se dizia a melhor em tudo, mas quando se presta atenção nas letras pequenas (critérios para a classificação) é possível notar que houve um cuidado extremo em selecionar competidores, para dizer o mínimo, muito particulares para a obtenção destes resultados. Outra falácia é a propaganda de cursos ditos “recomendados pela CAPES“, ora esta recomendação é para que o programa entre na fase de avaliação, no ciclo de quatro anos.

Para começar este planejamento a primeira pergunta a ser respondida é onde?Onde fazer minha pós-graduação? Se você é competitivo não se contente com pouco, escolha o melhor programa e o melhor orientador que puder. Seu futuro pode depender destas decisões. Isto não quer dizer que se for impossível entrar para um curso top seu futuro estará comprometido, nada disto. Se, ao final, você não conseguir entrar naquela Universidade top que estava planejando é hora de fazer os planos para as próximas etapas, mas isto será tratado em outra crônica no futuro.

Há dois níveis na pós-graduação estrito-senso: o mestrado e o doutorado. Se você é candidato a um mestrado não há nenhuma razão essencial para ir para o exterior. A maioria dos mestrados no Brasil bem avaliados pela CAPES são melhores do que os cursos ditos “mestrado” no exterior. Com a reformulação européia decorrente da Declaração de Bolonha há uma série de cursos rápidos (de um ano) na faixa do mestrado. Isto ocorria com os DEA na França, há uma séria dificuldade em revalidar estes diplomas no Brasil pois, em geral, eles não têm o mesmo nível de exigência de nossos mestrados. A única condição real para justificar um mestrado no exterior é o fato de não existir algo na sua área específica por aqui, mas isto é, atualmente, muito difícil de acontecer. Outra justificativa é a experiência d intercâmbio, mas para isto você deverá encontrar fontes de financiamento alternativas, as agências brasileiras somente financiam mestrados no exterior em casos de absoluta inexistência de formação no tema aqui no país.

Para o doutorado você deve analisar bem suas opções, um bom doutorado no Brasil – com a previsão de um estágio no exterior (doutorado sanduíche) – pode ser uma ótima opção, melhor até do que um doutorado completo no exterior pois mantém o contato com a sociedade local e mantém ativos os contatos para um futuro trabalho. Quando vale a pena fazer um doutorado no exterior? Quando você consegue ser aceito em um centro de excelência exatamente na área de pesquisa desejada ou quando o assunto de sua escolha não está disponível no Brasil. Em áreas com tradição de pesquisa mais consolidada, como a Física, os alunos terminam o doutorado no Brasil e, só depois, são considerados preparados para um pós-doutorado em um centro de pesquisa estrangeiro. Neste caso o objetivo é a experiência em outros ambientes e o estabelecimento ou manutenção de projetos conjuntos de pesquisa.

Tomada a decisão sobre a região geográfica da pós-graduação vamos passar para a seleção da Instituição de destino. A seguir apresento um pequeno roteiro para avaliar um programa de pós-graduação para facilitar a resposta a esta pergunta:

Qualificação do corpo docente

  • Procure os CV Lattes dos orientadores que trabalham na sua área de interesse, veja se eles têm produzido regularmente, se suas publicações são em bons veículos de divulgação, para isto existe o sistema de classificação QUALIS da CAPES. 

Dedicação do corpo docente às atividades de ensino, pesquisa e orientação.

  • Os professores trabalham em tempo integral no ensino/pesquisa? verifique se o número de orientandos é compatível com o tempo de doutoramento do orientador, não se esqueça que pequenos grupos de pesquisa costumam ter menos alunos por orientador, mas isto não é uma regra geral. Observe, também, que há ótimos orientadores trabalhando em tempo parcial na Universidade, mas para a avaliação de um Grupo de Pesquisa é essencial que a grande maioria dos orientadores o seja em tempo integral.

Os temas de tese e projetos de pesquisa são atuais e relevantes na área específica?

  • Este quesito é mais difícil de avaliar, se não conseguir respondê-lo peça ajuda para seus melhores professores na graduação.

No caso de temas locais, estes são abordados ou desenvolvidos com a necessária qualidade científica?

  • Muitos programas tratam de temas de interesse local ou regional, mesmo neste caso se a pesquisa for de qualidade deve ter sido publicada em bons veículos de divulgação, nacionais e internacionais.

A infra-estrutura do programa (laboratórios, biblioteca recursos de informática, etc.) é adequada?

  • Algumas vezes as páginas dos programas permitem uma avaliação, se isto não for possível ou para complementar, sugiro a leitura de material como o Guia do Estudante da Abril ou a análise da Info Exame para a área de Computação. Use o e-mail ou fale com seus colegas ou conhecidos que estão estudando nos programas candidatos para obter informações complementares.

A primeira coisa a fazer é procurar responder estes itens e registrar os dados obtidos, você deve fazer uma planilha com os nomes dos programas pretendidos e dar uma nota para cada um dos itens. Os dados podem ser obtidos nas páginas Web de cada programa, do site da CAPES onde há uma seção denominada AVALIAÇÃO, de informações obtidas de seus professores, de opiniões de egressos destes cursos etc. No site da CAPES se encontram os critérios de avaliação e as fichas de avaliação de cada programa. Procure conhecer os cursos oferecidos, seus pontos fortes e fracos, suas áreas de atuação. Uma vez conhecidos os programas selecione aqueles que oferecem pesquisa em sua área de interesse, não adianta ir para um programa de boa qualidade mas que não tem pesquisadores trabalhando no seu assunto preferido. Concluída esta fase selecione os programas candidatos. Se a sua decisão tiver sido por um curso no exterior, muito cuidado. Só escolha cursos com alto renome, sair para um curso “meia-boca” não vale a pena de forma alguma, é melhor fazer um curso no Brasil onde há uma verificação séria da qualidade dos programas.

A segunda questão a ser respondida é como? Como você vai seguir o curso? Este critério deve ser avaliado em função de suas possibilidades econômicas, além disto, verifique as possibilidades de bolsas em cada um dos programas. Talvez seja interessante ficar trabalhando algum tempo para acumular uma reserva de dinheiro adequada para poder fazer um curso com mais dedicação. 

Bolsas disponíveis

  • Normalmente as bolsas do CNPq e de outras agências como a CAPES são alocadas aos alunos com melhor desempenho acadêmico. Pode ser que existam projetos de pesquisa com bolsas DTI, estas são interessantes. Em algumas instituições existem bolsas de Indústrias, neste caso verifique quanto de seu tempo poderá ser dedicado á pesquisa e se o compromisso assumido com o patrocinador é compatível com suas expectativas.

Em muitos locais há listas de discussão de alunos para a troca de experiências sobre a vida naquela cidade. procure estes recursos, experimente o Orkut, mas sempre tenha cuidado com a sua segurança. Obtenha informação de pessoas conhecidas, verifique se estas pessoas têm CV Lattes e que outras informações existem na Web.

Finalmente a terceira questão, que é o título desta crônica, é com quem? Quem será o seu orientador? Um orientador é peça essencial para uma boa pós. Não espere encontrar um orientador paizinho, este não é o papel do orientador. Um orientador deve ter boa produção na área em que você está interessado e deve ser capaz de orientar os alunos. A palavra orientar diz tudo: dar a orientação, a direção. Para isto experiência de pesquisa é importante. Você é que vai fazer o trabalho, acho que todos conhecem a expressão: “A criatividade é feita de 10% de inspiração e de 90% de transpiração”, o orientador será de uma ajuda fenomenal nos 10%, a transpiração é por conta de vocês. Entretanto deve ser analisada a proposta de pesquisa do grupo em que você está interessado, além disto é importante que você consiga estabelecer um bom relacionamento pessoal com seu orientador. Este fator é bastante difícil de avaliar antes de conhecer bem o grupo de pesquisa e seu estilo de trabalho. Uma forma de tentar ter esta visão é contatar ex-alunos e conhecidos no grupo.

A seguir, para avaliar os orientadores do ponto de vista acadêmico, a próxima atividade é buscar o CV Lattes dos prováveis orientadores e analisá-los. Abaixo a tradicional lista de itens a serem considerados:

Dedicação do orientador às atividades de ensino, pesquisa e orientação.

  • O professor trabalha em tempo integral no ensino/pesquisa?

Verifique se o número de orientandos é compatível com o tempo de doutoramento do orientador

  • Não se esqueça que pequenos grupos de pesquisa costumam ter menos alunos por orientador.

Verifique no Google Acadêmico as publicações dos prováveis orientadores

  • Compare com o CV Lattes, a vantagem do Google Acadêmico é que na listagem aparecem as citações às publicações o que é um fator importante para a avaliação da qualidade dos trabalhos.

Procure por uma homepage do orientador e do grupo de pesquisa

  • Uma boa página deve apresentar, no mínimo, as publicações mais recentes ou mais importantes, os projetos de pesquisa do orientado ou do grupo e uma lista de alunos orientados.

Mande um mail para os orientadores em perspectiva

  • Mande uma mensagem curta, objetiva explicando porque você é importante para os projetos daquele pesquisador em particular. Mesmo os mais ocupados responderão se sentirem responsabilidade e a oportunidade de ter um bom aluno.

Agora você tem todas as informações necessárias para uma decisão séria. Pese cada um dos fatores envolvidos e tente ser aceito na melhor Instituição e com melhor orientador possível. Comece o processo de escolha e de troca de mensagens com meses de antecedência, os bons orientadores normalmente são pessoas ocupadas que dificilmente estarão dispostas a gastar um tempo precioso na véspera das submissões de candidaturas. 

Não mande “cartas circulares” iguais para inúmeros orientadores, quando recebo este tipo de mensagem as considero spam… Apesar de nosso grupo de pesquisa ter um bom site com a lista de nossos projetos e com um resumo das publicações mais recentes é comum receber mensagens do tipo: “o Sr. têm alguma ideia para meu mestrado?” ou mesmo para trabalhos de diplomação. O que vocês imaginam que um professor pensa de um candidato que não se deu nem ao trabalho de procurar um tema que poderia ser de interesse do orientador? 

Você tem que “se vender” mostrando suas qualidades, deve mostrar competência e seriedade. Se for possível, monte uma homepage séria, isto é o equivalente aos books das modelos, com sua produção, trabalhos etc. Cuidado com o seu perfil do Orkut, ele mostra a sua personalidade! Não se esqueça que o CV Lattes deve estar absolutamente atualizado, esta será a primeira verificação que o orientador fará, um candidato a mestrado e, pior, a doutorado sem um Lattes começa em desvantagem. Cuide da qualidade dos textos enviados ao futuro orientador, estes são seu cartão de apresentação, um texto com português horrível lhe garantirá a exclusão do processo. Lembre-se tudo o que você fez na sua vida acadêmica deve ter valor para o processo de seleção, procure demonstrar isto. 

Finalmente se durante a graduação você não acumulou pontos para garantir o seu ingresso na pós, está na hora de começar, procure um curso de especialização na sua área (em uma instituição que tenha bons grupos de pesquisa) e oriente seu estudo para a área desejada. Faça um trabalho de conclusão acadêmico e tente publicar. Se você tem ampla experiência profissional então deve transformar esta experiência em resultados acadêmicos, projetos conjuntos com grupos de pesquisa são outra boa alternativa. A pesquisa, como os esportes de competição,  é muito desafiadora e necessita de uma boa preparação.  

Boa sorte!


Cuidados a serem tomados:

  • Se algum orientador aceitar um aluno só pelo interesse do aluno e não com base em suas pesquisas e projetos atuais ou este orientador é “uma mãe brasileira” que não sabe dizer não ou está com falta de candidatos.
  • Se uma Universidade o aceitar somente por um e-mail dizendo que a real seleção é realizada durante o cursos há um forte risco de você entrar em uma fria, um programa de qualidade se preocupa muito com os ingressantes.
  • Os cursos denominados MBA – Master of Business Administration, apesar do nome são cursos de especialização em Administração.
  • Não confie em ninguém ou instituição em outra cidade sem uma verificação cuidadosa de sua idoneidade.
  • Seja honesto (fair) com os orientadores, se mudar de decisão avise com a maior antecedência possível, não tente enganar o programa e o orientador com promessa de matrícula para garantir eventual situação, seja franco. Caso contrário estará prejudicando outros candidatos que podem perder a oportunidade.