A Grande Saída {Angus Deaton} 2013

Capa do livro "A grande saída"

Vencedor do Prêmio Nobel de Economia analisa como populações escaparam da pobreza e por que as desigualdades ainda são tão presentes no cenário global. Angus Deaton afirma que vivemos melhor hoje do que em qualquer outro período da história. As pessoas são mais saudáveis, mais ricas e a expectativa de vida continua a aumentar. Paradoxalmente, o fato de tantos indivíduos terem conseguido escapar da pobreza também gerou desigualdades; e a disparidade entre países desenvolvidos e em desenvolvimento se estreitou, mas não desapareceu. Em A grande saída, um dos maiores especialistas em estudos sobre pobreza recua 250 anos para traçar a impressionante história de como diversas regiões do mundo vivenciaram um progresso significativo e, assim, abriram abismos que levaram ao cenário extremamente desigual de hoje. O estudo aprofunda-se nos padrões históricos e atuais por trás das nações ricas e com boas condições de saúde, e aborda o que é preciso fazer para ajudar os países que ficaram para trás. Deaton descreve as vastas inovações e os retrocessos penosos para o bem-estar. De um lado, há a eficácia dos antibióticos, o controle de epidemias, vacinação e água tratada; do outro, é preciso enfrentar a calamidade da fome e a epidemia da aids. O economista analisa o caso dos Estados Unidos, uma nação bastante próspera por décadas, mas que hoje vivencia um aumento progressivo da desigualdade, e examina como o crescimento econômico da Índia e da China aprimorou a qualidade de vida de mais de um bilhão de pessoas. Para ele, a ajuda internacional tem se mostrado ineficaz e até mesmo prejudicial, e seria preciso investir em esforços alternativos que permitam de fato que os países em desenvolvimento encontrem sua grande saída da pobreza. A distribuição de riqueza não é equitativa nem proporcional. Está na mão das nações inverter as disparidades, de modo a abrir caminho para que outros também tenham acesso à riqueza e à saúde. Um poderoso guia que visa ao bem-estar de todas as nações, A grande saída demonstra como as mudanças no sistema de saúde e nos padrões materiais são capazes de transformar a vida de bilhões de pessoas.

Este livro apresenta uma visão complementar àquela descrita no livro O Capital no Século XXI {Thomas Piketty} descrevendo a evolução da riqueza e da saúde ao longo da etapa moderna da evolução econômica. O autor evita a análise exclusivamente econômica e mostra como a falta de gestão e a corrupção (bem nossa conhecida) evitam que países menos desenvolvidos atinjam o nível de qualidade dos países centrais. O livro desmonta a solução trivial que simplesmente distribuindo recursos pode-se resolver o problema da pobreza. Além disto mostra como dentro dos países, inclusive nos Estados Unidos, os 1% mais ricos conseguem se apropriar de uma quantidade enorme da riqueza nacional. Ao final da leitura ficamos com a convicção de que é preciso uma reforma completa e profunda nos mecanismos de cooperação internacional e de uma reversão das estruturas internas aos países na decisão sobr a melhor aplicação dos recursos. Uma leitura obrigatória nos dias de hoje.

Apresentação no SBBD 2017 – Pesquisador Homenageado

Como professor e pesquisador, desde minha formatura na Escola de Engenharia da UFRGS, tive a rara sorte de acompanhar o desenvolvimento da Computação e do ensino de Banco de Dados nas universidades brasileiras. Minha ontogênese acadêmica acompanhou o percurso da história do SBBD. Esta distinção foi uma grande alegria e surpresa quando recebi o reconhecimento pelo conjunto da obra como Pesquisador Brasileiro Homenageado do ano de 2017 no SBBD (vídeo da divulgação). A apresentação no SBBD 2017 da palestra está disponível a seguir. 

2017 SBBD Prêmio - PDF

Pesquisador Homenageado do ano de 2017 – Simpósio Brasileiro de Bancos de Dados SBC

Divulgação do prêmio
Divulgação do prêmio no SBBD 2016

Como professor e pesquisador, desde minha formatura na Escola de Engenharia da UFRGS, tive a rara sorte de acompanhar o desenvolvimento da Computação e do ensino de Banco de Dados nas universidades brasileiras. Minha ontogênese acadêmica acompanhou o percurso da história do SBBD. Esta distinção foi uma grande alegria e surpresa, em uma época em que a avaliação de um pesquisador é constituída quase exclusivamente por índices bibliométricos, em receber um reconhecimento pelo conjunto da obra (vídeo da divulgação). Algo muito relevante para mim foi que os jovens colegas se lembraram de uma carreira de 48 anos com forte dedicação à área de Sistemas de Informação e Banco de Dados. Ao longo da carreira desenvolvi atividades em múltiplas dimensões, 81 alunos de pós-graduação já orientados, muitas disciplinas ministradas, forte interação internacional e um consistente número de boas publicações. Tinha que decidir o formato desta apresentação, uma alternativa seria descrever tecnicamente minhas pesquisas, representadas pelas publicações, isto seria enfadonho e traria pouca contribuição para os jovens membros a comunidade. Pensei melhor e então resolvi apresentar as áreas de pesquisa em que tenho trabalhado e sua evolução ao longo destes anos, sem entrar em profundos detalhes técnicos. Este andamento seguiu muito de perto a evolução do SBBD. Após apresento uma perspectiva do futuro dos Bancos de Dados e os perigos que corremos. Uma das atividades realizadas na Comissão Especial de BD e que considero importante foi a implementação do 1° Concurso de Teses e Dissertações em Banco de Dados. Desejo que a apresentação seja útil para os jovens pesquisadores conhecerem melhor o caminho percorrido até aqui pela nossa comunidade e para que entrevejam o possível futuro e seus desafios.  A vida acadêmica não pode ser uma Torre de Marfim, a preocupação e engajamento com a comunidade é essencial. Nesta apresentação vocês terão a oportunidade de conhecer, de forma agradável, o desenvolvimento de nossa área no Brasil em paralelo com uma análise do que considero essencial para uma carreira equilibrada no ensino e na pesquisa. A história dos Bancos de Dados inicia com a estruturação de arquivos tradicionais e chega aos complexos sistemas atuais. As noções de transação, recuperação e outras são essenciais para a maioria das aplicações transacionais. Hoje há uma revolta contra tudo isto propondo alternativas como o NoSQL, mas diferentes aplicações exigem diversos modelos de SGBDs. Talvez estejamos exagerando nas customizações. O que nos reserva o futuro? Como vamos estruturar nossas carreiras em um período turbulento?

Placa comemorativa

Posts complementando a apresentação

História da Alemanha Moderna – de 1800 aos Dias de Hoje {Martin Kitchen} 2007


Capa do livro

Uma visão da história da Alemanha a partir da sua transformação de um agrupamento de estados fragmentados, em 1800, numa das nações mais poderosas da Europa em nossos dias. A narrativa começa com o impacto causado por Napoleão sobre a colcha de retalhos que era a Alemanha, descreve o desenvolvimento de uma consciência nacional dentro do contexto da mudança social e tensões entre a reforma e a reação, e culmina na análise da Alemanha depois da unificação nacional.

Este livro é muito interessante para quem deseja ter um conhecimento aprofundado sobre a evolução da Alemanha. Para aproveitar realmente o seu conteúdo é bom que o leitor tenha uma visão geral da história da Europa nestes últimos 200 anos. Mutas coisas passam a ficar mais claras com a leitura, o conceito de kleine Deutschland e groβe Deutschland e suas consequências me esclareceu muito sobre a história moderna da Alemanha. Mas um aviso: o texto é de um detalhamento extremo, os fatos são analisados com uma descrição minuciosa das pessoas envolvidas e em suas ações e orientações ideológicas. Será precisa uma capacidade de abstração para que se consiga ter uma visão agregada da história. Há trechos com análises mais abrangentes, posteriormente detalhadas com ampla documentação da personagens envolvidas.

Une histoire buissonière de la France {Graham Robb} 2011


O original deste livro é The Discovery of France mas a tradução francesa é de muito boa qualidade e o título muito melhor do que o original. O autor, Graham Macdonald Robb é um escritor inglês. Em 28 de abril de 2008 ele recebeu o prêmio Ondaatje Prize da Royal Society of Literature por este livro. É uma leitura realmente interessante pois mostra a França como um mosaico de culturas e regiões se integrando, aos poucos, para formar o país que hoje conhecemos.  O autor, professor de literatura, conta a história da França profunda além dos subúrbios de Paris. Esta é uma França muito diferente da que estudamos na história escolar, que trata da Monarquia, da Revolução e da República, mostrando a vida real do povo e das localidades com suas culturas específicas e, muitas vezes, ignorando o poder central. A descrição não é livresca, o autor adicionou aos seus estudos formais vinte e dois mil e quinhentos quilômetros de bicicleta pelo interior. A isto somou quatro anos de pesquisas bibliográficas. Uma leitura indispensável para conhecermos mais profundamente a cultura real francesa.

Perda da memória ou a preservação digital


Lendo a CACM de Outubro de 2016 encontrei este artigo do Vinton G. Cerf sobre a perda da memória digital: “We’re going backward“. Então lembrei de um post que publiquei em 2005 tratando exatamente do mesmo assunto. Com pequenas modificações estou republicando-o a seguir.


Há bastante tempo fui contatado para apresentar um artigo convidado em São Paulo, no Memorial da América do Sul, em uma conferência de uma  Sociedade de História e Computação. Tive algumas dúvidas sobre do que se trataria, afinal eu não sou um especialista em História, nem em história da computação e nunca tinha ouvido falar daquela sociedade. Uns colegas disseram que era para testemunhar… Nada disto, o assunto que esperavam que eu discutisse era modelos de dados temporais. A apresentação e a discussão a seguir foram muito estimulantes pois os participantes estavam interessados na manutenção de estados de conhecimento em diversos pontos no tempo e em consultas do tipo: “o que se sabia sobre o Estado Novo em março de 1945?”. Eu havia trabalhado neste assunto em meu doutorado e orientei uma tese sobre banco de dados temporais. O mais interessante, para mim, foi a descoberta do fenômeno de perda de memória ligado ao armazenamento digital. Naquela época havia pouca evolução nas mídias de armazenamento mas fiquei sabendo que mais de 60% dos dados, na época, do governo americano não eram mais legíveis pois estavam armazenados em fitas de 7 trilhas! Os discos flexíveis de 8” são objetos de museu, hoje vocês já tentaram recuperara aquele arquivo importante em um disquete (o que é isto mesmo?) de 3 ½”? Impossível! Isto é uma terrível perda de memória digital. Estamos vivendo uma incrível situação: cada vez temos mais conteúdos digitais disponíveis e, ao mesmo tempo, estes conteúdos estão se tornando ilegíveis cada vez mais rapidamente. Vejam a situação dos CDs com fotos digitais, os melhores prometem uma duração de cerca de 100 anos, ótimo! mas quem terá, daqui a 100 anos, algum equipamento capaz de lê-los? Uma das atividades daquela Sociedade de História e Computação estava ligada à instalação e manutenção de laboratórios em que antigas máquinas eram mantidas operacionais para permitir a leitura de mídias obsoletas. A ideia não é de fazer um museu mas sim um laboratório equipado com equipamentos antigos e utilizáveis, é possível imaginar o custo desta aventura! Comparem esta situação com, por exemplo, os pergaminhos do Mar Morto ou com os papiros egípcios, de 3.000 a 5.000 anos e ainda legíveis. O assunto foi anotado como interessante, mas ficou armazenado na memória. 

Por outro lado o histórico das páginas Web tem sido mantido, de um lado pelas máquinas de busca que possuem um acervo gigantesco de páginas, mas com acesso restrito às suas máquinas de busca. Ao lado destas fontes há uma série de atividades que procuram preservar a história da Web em um país, região ou sobre um assunto. O acesso a estes dados pode estar limitado por razões de privacidade mas a história está preservada. Um exemplo bem conhecido de arquivamento e de acesso livre é o serviço Internet Archive que provê versões antigas de sites e arquivos disponíveis na Web (vale a pena experimentar suas diversas possibilidades).

Recentemente, com minhas atividades de pesquisa em bibliotecas digitais e em editoração e revisão aberta de artigos na Web, a idéia voltou: como vamos tratar da obsolescência das mídias digitais? Fisicamente a preservação do acervo em papel é missão da Biblioteca Nacional, no Brasil, e da Biblioteca do Congresso, nos USA. Para o acervo digital comecei a estudar o assunto a partir das palavras chave que me recordava daquela antiga conferência, e encontrei material muito interessante. No ano passado a Biblioteca do Congresso Americana e a National Science Fundation lançaram um edital ligado à Digital Information Infrastructure and Preservation Program (NDIIPP) para tratar exatamente deste problema. A missão desta iniciativa é:

Develop a national strategy to collect, archive and preserve the burgeoning amounts of digital content, especially materials that are created only in digital formats, for current and future generations.

Por outro lado as bibliotecas em todo o mundo estão trabalhando sobre o problema de normas para suportar a preservação digital, um tema realmente interessante e de grande atualidade. Do ponto de vista da pesquisa há enormes possibilidades tais como o desenvolvimento de mecanismos de consulta temporal, manipulação de metadados para a indexação deste conteúdo, formas de armazenamento diferencial e muitas outras possibilidades. 

Qual é a situação da preservação digital aqui no Brasil? Nas empresas, nas Universidades? No Governo? Esta consulta nós dá uma idéia sobre a situação. Vamos investir nesta linha de pesquisa?


Sapiens – Uma breve história da humanidade {Yuval Noah Harari} 2012

 


Este livro trata da nossa história. É uma leitura muito interessante para formar uma visão antropológica da evolução. Desde o início do desenvolvimento dos Humanos até os dias de hoje é feita uma descrição das lutas, da competição e da criatividade que permitiram o Homo Sapiens se tornou a espécie dominante. O importante é que a evolução está apresentada como uma sequência de revoluções: a cognitiva, a agricultural e a científica. Aliás é um modelo de revoluções parecido com o desenvolvido por Darcy Ribeiro com as Revoluções Agrícola, Urbana, do Regadio, Metalúrgica, Pastoril, Mercantil e Industrial. Este conceito é elaborado por Darcy Ribeiro no livro O Processo Civilizatório:

“Empregamos o conceito de revolução tecnológica para indicar que a certas transformações prodigiosas no equipamento de ação humana sobre a natureza, ou de ação bélica, correspondem alterações qualitativas em todo o modo de ser das sociedades {…} A sucessão destas revoluções tecnológicas não nos permite, todavia, explicar a totalidade do processo evolutivo sem apelo ao conceito complementar do processo civilizatório, porque não é a invenção original ou reiterada de uma inovação que gera conseqüências, mas sua propagação sobre diversos contextos socioculturais e sua aplicação a diferentes setores produtivos.”

O ponto fraco é o capítulo final que procura profetizar o futuro com a evolução da tecnologia, aqui considero que o razoável rigor acadêmico dos capítulos anteriores é prejudicado por uma visão limitada e pessimista das possibilidades tecnológicas

“Harari é brilhante […] Sapiens é realmente impressionante, de se ler num fôlego só. De fato, questiona nossas ideias preconcebidas a respeito do universo.” (The Guardian)

Um relato eletrizante sobre a aventura de nossa extraordinária espécie – de primatas insignificantes a senhores do mundo. O que possibilitou ao Homo sapiens subjugar as demais espécies? O que nos torna capazes das mais belas obras de arte, dos avanços científicos mais impensáveis e das mais horripilantes guerras? Yuval Noah Harari aborda de forma brilhante estas e muitas outras questões da nossa evolução. Ele repassa a história da humanidade, relacionando com questões do presente. E consegue isso de maneira surpreendente. Doutor em história pela Universidade de Oxford e professor do departamento de História da Universidade Hebraica de Jerusalém, seu livro não entrou por acaso nas listas dos mais vendidos de 40 países para os quais foi traduzido.