IEEE Position Statement

IEEE Advancing the Global Practice of Science and Engineering

Adopted by the IEEE Board of Directors
13 February 2017

“IEEE, The Institute of Electrical and Electronics Engineers, Incorporated, believes that governments of all countries must recognize that, in a world of increasing global connectivity, science and engineering are fundamental enterprises, for which openness, international collaboration, and the free flow of ideas and talented individuals are essential to advancement.  
 
Every country benefits from attracting, and competing for, the best and brightest scientists and engineers from around the world to study, teach, conduct and collaborate on research, innovate new technologies, and start commercial endeavors.  Science and engineering lead to enhancements in quality of life and ultimately build economic prosperity and security.  All countries should develop and maintain immigration and visa policies that encourage, facilitate, and protect the ability of people, from around the world, to engage in these types of science and engineering activities.
 
Diversity is an important and valued strength; IEEE is committed to the realization and maintenance of an environment in which scientists and engineers, regardless of ethnicity, religion, gender, or nationality, have the right to pursue their careers without discrimination.  Science, engineering – and humanity – prosper where there is freedom of movement, association, and communication.  “
 
About IEEE IEEE: a large, global technical professional organization with over 420,000 members in more than 190 countries, is dedicated to advancing technology for the benefit of humanity. Through its highly cited publications, conferences, technology standards, and professional and educational activities, IEEE is the trusted voice on a wide variety of areas ranging from aerospace systems, computers and telecommunications to biomedical engineering, electric power and consumer electronics

Reconhecimento da qualidade de publicações livres


 Para os avaliadores “brazileiros” pensarem. Os artigos gerados por estas pesquisas não vão ficar no “índice restrito” da CAPES. O Bill Gates não vai estar nem aí.

One of the world’s most influential global health charities says that the research it funds cannot currently be published in several leading journals, because the journals do not comply with its open-access policy.

Scientists who do research funded by the Bill & Melinda Gates Foundation are not — for the moment — allowed to publish papers about that work in journals that include Nature, Science, the New England Journal of Medicine (NEJM) and the Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

The bar is a result of the Gates Foundation’s policy in support of open access and open data, which was first announced in 2014 but came into force at the beginning of 2017. “Personally, I applaud the Gates Foundation for taking this stance,” says Simon Hay, a Gates-funded researcher who is director of geospatial science at the Institute for Health Metrics and Evaluation in Seattle, Washington. “The overwhelming majority of my colleagues in global health and fellow Gates grantees with whom I have chatted are highly supportive of these developments” he says. Nature

Livros e canetaO desenvolvimento da Ciência tem sido baseado, em grande parte, no processo de publicação aberta e de revisão dos resultados pelos pares. Este processo é conduzido tradicionalmente em um processo de referring anônimo onde os revisores não são conhecidos publicamente. O objetivo deste processo de avaliação é oferecer um sistema justo (fair) de avaliação. Este sistema está sendo posto em dúvida tanto pela possibilidade de avaliações tendenciosas baseadas no anonimato dos avaliadores, quanto pelo enorme tempo despendido em avaliações e com a consequente falta de qualidade na elaboração das mesmas. Este problema foi abordado, há bastante tempo, já no SIGMOD 2004 no Painel “Rethinking the Conference Reviewing Process.

Por outro lado o “academic reward system” ou sistema de reconhecimento da qualidade do trabalho de pesquisa utilizado pela comunidade acadêmica baseia-se, além do bom processo de revisão pelos pares, na qualidade dos meios em que um pesquisador consegue publicar seus artigos. Complementarmente é considerado o número de citações a estes trabalhos realizadas por outros pesquisadores. Estes três elementos estão correlacionados e definem o fator de impacto de uma publicação. O grave problema é a obtenção destes fatores. Como se trata de um trabalho imenso, o processo tem sido realizado por organizações privadas com fins lucrativos. Por outro lado as publicações de editoras mais conhecidas e com maiores recursos econômicos são muito mais divulgadas, vendidas e portanto mais citadas. Neste ambiente a Publicação Livre têm enorme dificuldade para se afirmar. A utilização de um dos mais conhecidos dos serviços de indexação, o Science Citation Index, um serviço comercial que registra o número de referências a artigos publicados em revistas (ou de serviços semelhantes), pelos órgãos administrativos e de fomento, para a valorização do trabalho dos pesquisadores, é um empecilho importante para a consolidação de publicações de acesso livre.

Precisamos, portanto, desenvolver mecanismos que garantam uma forma pública e de qualidade garantida para a avaliação aberta de artigos. Um sistema de geração, indexação e busca personalizada de conteúdos digitais tem por objetivo auxiliar no processo social de criar conhecimento, aperfeiçoar este conhecimento através da revisão pelos pares e indicar ou receber indicação de conhecimento relevante. Sistemas de avaliação e recomendação de produtos são largamente usados em comércio e marketing, para sugerir produtos ou fornecer informações para ajudar o cliente a decidir a compra. Estes sistemas se baseiam na avaliação dos usuários para avaliar os produtos ou serviços oferecidos; esta mesma metodologia pode ser aplicada para a avaliação de artigos científicos. Neste caso o problema é bastante mais complexo do que na recomendação de produtos materiais, pois é preciso associar à avaliação um indicador de qualidade do referee.  Existe uma métrica bidimensional: a qualidade do texto publicado e a qualidade do autor e dos leitores-comentadores.

Em um modelo de editoração aberta é tratado o problema de reconhecimento de artigos baseado no perfil do autor. A modelagem do perfil do usuário serve para aprimorar o processo de qualificação do autor e permitir um processo de revisão de conteúdos. Para que um sistema possa avaliar a qualidade dos itens considerando o autor, a qualificação dos referees, e o nível de conhecimento necessário para a leitura do item é necessário o acesso a fontes de informação adequadas. O perfil inicial do autor pode ser estabelecido no momento do cadastramento do usuário no sistema. Em um primeiro momento, o sistema procura identificar dados sobre o autor que possam ajudar na sua qualificação. Uma forma de adquirir esses dados é realizar uma consulta no currículo Lattes (CNPq) do autor. Dados sobre a titulação do autor, experiência em projetos de pesquisa e publicações em conferências e periódicos são dados existentes em um currículo Lattes e que podem ajudar na qualificação do autor. Certamente outros indicadores como índices de impacto e número de citações devem ser incluídos nessa métrica. Além disso, uma forma de avaliar a qualidade de um autor é verificar as suas publicações, bem como o número de citações de cada publicação, pois um artigo que é citado por vários outros artigos, possui qualidade superior a um artigo que não possui nenhuma citação. Assim, o sistema pode realizar uma busca por publicações desse usuário e o número de citações a essas publicações. Isso pode ser feito a partir de mecanismos como o Google Acadêmico, que recolhe na Web publicações e suas citações, e as organiza de forma pública e transparente. A evolução é modelada pelo comportamento do leitor/avaliador analisando as avaliações deste usuário e considerando a correlação destas revisões com as análises de outros avaliadores. O objetivo deste processo dinâmico é permitir que o ambiente automatizado avalie a qualidade do artigo baseado na qualificação do autor, nos pareceres de usuários de uma forma similar ao modelo de page ranking, utilizado pelo Google, onde referências de maior qualidade são ponderadas positivamente.

Espero que, algum dia, possamos dispor de Publicações Livres com uma forma pública e  transparente de avaliação de qualidade aceita pela comunidade científica e pelos órgãos administrativos. O desenvolvimento de publicações livres é um fato de extrema importância para a Ciência. A troca livre de informação e a possibilidade de acesso a esta informação, sem que sejam aplicadas tarifas exorbitantes, é a melhor forma de acelerar o processo de desenvolvimento científico e tecnológico. A privatização do conhecimento, por companhias e editoras, tem limitado muito a possibilidade de difusão de novas idéias e de desenvolvimentos recentes. Em uma fase anterior sempre considerou-se que a pesquisa consistia em uma etapa pré-competitiva. Atualmente está ocorrendo uma mudança radical nesse processo, sendo que todo o conhecimento passa a ser considerado propriedade privada. A proposta de publicação livre é uma forma de libertação deste processo. A possibilidade de oferecer a informação a grupos, cada vez maiores, da sociedade pode desencadear um novo renascimento, mas para que isto seja possível é necessário um processo, também aberto, que permita a avaliação da qualidade das publicações.


 

Ecologia, ontem e hoje


Recebi este texto, não sei o autor, mas é absolutamente real. Pontos a ponderar.


Na fila do supermercado, o caixa diz a uma senhora idosa
  • A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigáveis com o ambiente.
A senhora pediu desculpas e disse: 
  • Não havia essa onda verde no meu tempo.
O empregado respondeu: 
  • Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com o nosso meio ambiente.
     Você está certo – respondeu a senhora. Nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.
     Realmente, não nos preocupamos com o ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhávamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro, a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões de casa.
     Não nos preocupávamos com o ambiente. Até as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. A secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas secadoras elétricas. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. 
     Os filhos menores usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.
     Mas é verdade: não havia preocupação com o ambiente, naqueles dias. Naquela época tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela de 14 polegadas, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado, como não sei
Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia batedeiras elétricas, que fazem tudo por nós. Quando enviávamos algo frágil pelo correio, usávamos jornal velho como proteção, e não plástico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar.
     Naqueles tempos não se usava motor a gasolina para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam à eletricidade.
     Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos.
     Recarregávamos nossas canetas com tinta inúmeras vezes ao invés de comprar outra. Amolávamos as navalhas, ao invés de jogar fora aparelhos descartáveis, quando a lâmina perdia o corte.
     Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naquele tempo, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus coletivos e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar os pais como serviço de táxi 24 horas. 
     Havia só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E não precisávamos de GPS para receber sinais de satélites no espaço para encontrar a pizzaria mais próxima.
     Então, não é incrível que a atual geração fale tanto em “meio ambiente”, mas não queira abrir mão de nada e não pense em viver um pouco como na minha época!

An open letter from women of science


Recebi este texto de colegas dos USA. Considero importante sua divulgação. Para informações mais detalhadas há este link:

WOMEN IN SCIENCE – JOIN US


Mulher Science is foundational in a progressive society, fuels innovation, and touches the lives of every person on this planet. The anti-knowledge and anti-science sentiments expressed repeatedly during the U.S. presidential election threaten the very foundations of our society. Our work as scientists and our values as human beings are under attack. We fear that the scientific progress and momentum in tackling our biggest challenges, including staving off the worst impacts of climate change, will be severely hindered under this next U.S. administration. Our planet cannot afford to lose any time.

In this new era of anti-science and misinformation, we as women scientists re-affirm our commitment to build a more inclusive society and scientific enterprise. We reject the hateful rhetoric that was given a voice during the U.S. presidential election and which targeted minority groups, women, LGBTQIA, immigrants, and people with disabilities, and attempted to discredit the role of science in our society. Many of us feel personally threatened by this divisive and destructive rhetoric and have turned to each other for understanding, strength, and a path forward. We are members of racial, ethnic, and religious minority groups. We are immigrants. We are people with disabilities. We are LGBTQIA. We are scientists. We are women.

Across the globe, women in science face discrimination, unequal pay, and reduced opportunities. Our work to overcome the longer-term degradation of the role science plays in society did not start with this election, but this election has re-ignited our efforts. As women scientists, we are in the position to take action to increase diversity in science and other disciplines. We resolve to continue our pursuits with renewed passion and to find innovative solutions to the problems we face in the U.S. and abroad. Together, we pledge to:

  • Identify and acknowledge structural inequalities and biases that affect the potential of all individuals to fulfill their goals;
  • Push for equality and stand up to inequality, discrimination, and aggression;
  • Push to strengthen the support for traditionally under-represented groups to fully participate in and become leaders in science;
  • Support the education and careers of all scientists;
  • Step outside of our research disciplines to communicate our science and engage with the public;
  • Use every day as an opportunity to demonstrate to young girls and women that they are welcome and needed in science;
  • Set examples through mentorship and through fostering an atmosphere of encouragement and collaboration, not one of divisiveness;
  • Use the language of science to bridge the divides that separate societies and to enhance global diplomacy.

Today, we invite the women in science and our colleagues to declare our support to each other and to all minorities, immigrants, people with disabilities, and LGBTQIA. Our scientific work may be global, yet we will take action in our own communities and we will work towards an inclusive society, where science and knowledge can be embraced and everyone has the opportunity to reach their potential.

AS WOMEN IN SCIENCE, AS ROLE MODELS TO YOUNG GIRLS AND WOMEN, AS LEADERS IN OUR COMMUNITIES, WE ACCEPT THIS CHALLENGE. JOIN US

MOOCs, benção ou maldição?

Um editorial do Editor em Chefe da revista Communications of the ACM, Moshe Vardi: “Will MOOCs Destroy Academia?” trata o assunto com certo detalhe. Este editorial (CACM, v. 55, n. 11, p. 5) está focado exatamente nos MOOCs como uma ferramenta que pode revolucionar o ensino… É importante a leitura completa do texto original. Concordo completamente com as opiniões ali expressas: trata-se de uma “MOOC mania” ou de um “MOOC panic”. Uma frase é essencial para compreender a visão nos Estados Unidos sobre o assunto:

It is clear, therefore, that the enormous buzz about MOOCs is not due to the technology’s intrinsic educational value, but due to the seductive possibilities of lower costs”.

[É claro, portanto, que o enorme alvoroço sobre MOOCs não é devido ao valor intrínseco da tecnologia educacional, mas, devido às possibilidades sedutoras de custos mais baixos].

Naquele editorial ele termina dizendo que pensa que invocamos um espírito ou mago e que se tivesse uma “varinha de condão” faria desaparecer os MOOCs. Eu estou pensando que o que fizemos realmente foi abrir a Caixa de Pandora, lembrem-se que quando ela foi fechada a última maldade que fico presa foi a Esperança pois era considerada irmã da Mentira. Esta esperança de substituir as Universidades por MOOCs é a mistificação atual, mas já passando.

 

Fraude e Ética na Universidade

Este post é decorrência de uma discussão na lista da Sociedade Brasileira de Computação. Após a postagem inicial, no fim deste post, recebi várias mensagens de resposta sobre o tema da ética e da fraude na Universidade. Então resolvi complementar este texto com dois anexos: as três tela iniciais que uso em minhas aulas e o Código Disciplinar Discente adotado pela UFRGS desde 2004 . Acredito que estas complementações possam ser úteis para os colegas. 

Aula 01

 

Com esta notícia “NTU, A*STAR: Scientific papers retracted, PhD revoked, professor fired” me lembrei de uma antiga crônica que escrevi em 2005; ainda está atual. Esta é mais uma consequência do ambiente Universitário moderno. O erro não se justifica, mas precisamos pensar nas causas, ou melhor nas condições ambientais que estimulam pessoas mais fracas eticamente a cometerem esta classe de erro.É importante a consciência sobre a origem do problema, ao lado de medidas drásticas (como a citada acima) é preciso que adotemos um programa de avaliação real sobre a qualidade da pesquisa. Além disto esquecer o humanismo e o ensino da Ética, por não serem temas considerados essenciais nas ciências experimentais e exatas, leva muitas pessoas para o caminho do erro.

Link para este post: http://tinyurl.com/plz-005

Segredo na pesquisa e publicação livre

A pesquisa caracterizou-se historicamente como uma atividade livre. Os pesquisadores procuravam divulgar, tanto quanto possível, suas descobertas para receberem os méritos acadêmicos. O resultado das pesquisas era considerado, na maior parte dos casos, como um bem comum da humanidade. Esta visão sempre teve limitações, algumas trágicas como o assassinato de arquitetos de tumbas egípcias, logo após a conclusão das mesmas, para que o conhecimento do segredo de sua construção não se difundisse. Invenções ligadas à guerra, também, sempre foram restritas. A pesquisa mais ampla, tradicionalmente foi considerada pública. Muitas vezes uma equipe ou pesquisador mantém um período de silêncio e discrição até que os resultados estejam suficientemente “maduros” para a publicação.

A abertura na publicação dos resultados é uma conseqüência direta do método científico que consiste em criar uma hipótese, validá-la ou negá-la por prova experimental, tirar as conclusões e divulgar os resultados bem como os detalhes das experiências. Isto é essencial para que outros pesquisadores possam verifica a correção do trabalho. Esta abertura é parte essencial da ciência. A liberdade de divulgação da pesquisa permite que sejam descobertos erros, que novas idéias sejam criadas e que a velocidade de obtenção dos resultados seja multiplicada. Outra característica é o estímulo à fertilização cruzada de idéias com a aplicação dos resultados em campos correlacionados. Isto ocorre atualmente com a aplicação de resultados de física em problemas econômicos.

A liberdade é fator essencial para a pesquisa, nas Universidades é o elemento básico. Sem a liberdade na pesquisa e na prática do ensino a sociedade acaba sofrendo as conseqüências. A Universidade deverá assegurar a plena liberdade de estudo, pesquisa, ensino e expressão, permanecendo aberta a todas as correntes de pensamento, isto é conhecido como “Liberdade de Cátedra”. Vou citar dois contra exemplos onde a perda da liberdade causou ou causa efeitos muito negativos. O “Caso Lisenko”: quando, em 1948, Stalin – apoiado pelo ministro da Agricultura Lisenko – declarou as teorias da hereditariedade de Mendel como burguesas e banidas da URSS, décadas depois a agricultura soviética sofre as conseqüências. O segundo é atual e ocorre no regime oponente ao anterior, a liberdade às pesquisas em células tronco é grande pois o tema está sendo tratado com bases não científicas e com preconceitos religiosos, nossa saúde pagará o preço quando não tivermos as possíveis tecnologia para tratar doenças degenerativas, entre outras. Os dois casos evidenciam que a falta de liberdade trás resultados negativos. Por outro lado só a liberdade de pesquisa não é suficiente, é preciso, ainda a liberdade de difusão da mesma.

A Publicação Livre estimula a difusão do conhecimento, mas uma tendência muito forte se contrapõe a esta abertura: os interesses econômicos ligados à pesquisa tecnológica. Esta é outra, e mais insidiosa, forma de tirar a liberdade. Os fatores negativos surgem em duas frentes: na primeira desaparece o financiamento para as pesquisas não engajadas no desenvolvimento econômico (mata-se a pesquisa fundamental ou não aplicada), na segunda frente são criados empecilhos para a publicação de resultados de trabalhos com parceiros industriais. A pesquisa está, aos poucos, sendo privatizada. Um artigo muito interessante da Wired News chama-se “When Secrecy Stops Science”, o título diz tudo! A privatização da pesquisa está tornando muitos resultados de trabalhos de investigação indisponíveis para a comunidade acadêmica. A tendência de muitos pesquisadores, de esconder ou retardar ao máximo seus segredos científicos, dado o interesse comercial nos eventuais resultados, tem preocupado cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, MIT, e da Associação Americana para o Progresso da Ciência, AAAS. A ponto de organizarem uma conferência para discutir o assunto. Denominada: Secrecy in Science, a conferência se realizou em março de 1999, no campus do MIT, em Cambridge, EUA. O problema se ampliou desde aquela data como podem verificar concultando o link acima.

O nível de segredo na difusão dos resultados da pesquisa não é dividido entre abertura total ou segredo total, é muito mais complexo. O nível de segredo na Ciência pode ser classificado em:

1. Ciência Secreta, quando mesmo a existência do projeto é sigilosa.

2. Ciência Restrita: quando a publicação dos resultados está sujeita a limitações estritas em relação ao tempo ou aos detalhes. Muitas pesquisas ligadas ao governo e a empresas está incluída nesta categoria.

3. Ciência Circunspecta: os pesquisadores só publicam os resultados quando o projeto está concluído ou quase. Uma boa parte da pesquisa acadêmica se encontra aqui.

4. Ciência Aberta: trata dos projetos que se desenvolvem de acordo com um esforço, ainda embrionário, para definir um Protocolo Aberto para a Ciência (Open Science Protocol). O objetivo deste protocolo é atingir, na Ciência, algo similar ao que já conseguimos com as regras de publicação e distribuição do software livre.

Como conclusão gostaria de pedir que cada um de nós fizesse uma análise profunda sobre o nível de segredo aplicado aos projetos em que participamos, aos projetos de nossas universidades e de nossas empresas. Após esta análise será mais fácil ver se o eventual segredo está facilitando e aumentando a qualidade da pesquisa ou se está apenas tentando aumentar o lucro de um grupo. Minha resposta é que a liberdade de pesquisa e de difusão dos resultados não só melhora a qualidade e aumenta a quantidade dos resultados como aumenta o resultado econômico global para a Sociedade, pois permite a entrada de mais concorrentes no mercado. Estes concorrentes levarão à redução dos custos para os consumidores, a melhora dos produtos devido à livre competição, e ao aumento das possibilidades de trabalho e de renda. No final os resultados serão muitos maiores do que se a pesquisa ficasse fechada no âmbito de uma empresa.