New paper: BEATnIk: an algorithm to Automatic generation of educational description of movies

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O artigo recebeu Menção Honrosa no Brazilian Symposium on Computers in Education (Simpósio Brasileiro de Informática na Educação – SBIE 2017)


Vinicius Woloszyn, Guilherme Medeiros Machado, José Palazzo Moreira de Oliveira, Leandro Wives, Horacio Saggion

Resumo

Teachers and professors have increasingly employed different methods to enrich the learning of a subject in class, drive other assignments, and meet curriculum standards, are some examples of it. One of such methods is the use of movies as an alternative educational experience to support class discussions. In this sense, websites such as www.TeachWithMovies.com, arise as a valuable support to the creation of lesson plans. In this website, each movie is described as a lesson plan targeting the learn of a subject, the plans comprise the movie benefits and possible problems, a helpful background, the discussion and some interesting questions to be presented to the students. However, the creation of such lesson plan or even a simple educational description of the movie can demand much work and time, since the developed text must consider educational aspects of the movie. In this paper, we describe BEATnIk (Biased Educational Automatic Text Summarization) an algorithm to automatic generation of movie’s summaries, such algorithm favors educational aspects from the text to generate a biased educational summary. The algorithm input, are users’ comments about the each movie that has a lesson plan in the TeachWithMovies (TWM) website, and the user’s comments extracted from amazon’s website. BEATnIk constructs a complete graph for each movie where each sentence from the comments’ set becomes a node, and each edge weight is defined by the value of an adapted cosine similarity between the sentences. The algorithm then employs the PageRank to compute the centrality of each node. The intuition behind this approach is that central sentences highlight aspects of a movie that many other reviews frequently mention. In addition, BEATnIk takes into account keywords extracted from the lesson plans of TWM. The final educational summary is based on the centrality score of the sentences pondered by the presence of educational keywords. The comparison of our approach to TextRank, which is a Graph-based Automatic Text Summarization, revealed that BEATnIk generate summaries closer to the description of the movies in TWM. The experiments showed that our approach statistically outperforms the baseline in precision, and achieves better results both in recall and f-score using ROUGE-n, which is a set of metrics used for evaluating automatic summarization.


Texto completo: PDF

 

Repensando a universidade e a pós-graduação


Diversidade

Com a atual crise nas Universidades estou considerando a necessidade de repensarmos a pós-graduação. O corte de verbas é uma consequência do estado falido por despesas irresponsáveis e por roubos inimagináveis, isto todos sabemos. Mas qual o motivo de não serem poupados, ou pelo menos sofrerem menos algumas áreas? Certamente a Saúde e a Segurança estão na boca do povo como demandas sérias e principais. Por que não a Educação? Recentemente li um livro, estava em minha lista de leituras há muito tempo, sobre o Design Thinking. A ideia essencial apresentada neste livro é utilizar a forma de pensar de designers industriais para a modelagem de soluções criativas. O livro prega a análise multidimensional dos problemas com a inclusão de pessoas com múltiplas formações. Esta fase inicial precisa ser muito menos estruturada e contar com a participação livre de ideias, de criação de cenários (storytelling) e contato real com os usuários. Ou seja, descobrir no mundo real as necessidades a serem enfrentadas para soluções revolucionárias. Na Academia tudo isto me fez lembrar um dito bem impactante:

“As Universidades e os cemitérios são refratários às mudanças, os que ali estão não querem se mover”.

Será que não precisamos repensar o nosso comportamento? Devemos sair da Torre de Marfim e desenvolver atividades ligadas aos problemas reais? Isto não implica em perda de qualidade, apenas em tratar problemas de interesse da sociedade e não de problemas de interesse de pesquisadores e intelectuais. Afinal é a Sociedade que nos financia (ou deveria). Talvez o descolamento da Universidade e da Pesquisa com as reais necessidades das comunidades seja o motivo principal da crise global de financiamento. Se a Sociedade não tiver esta compreensão não haverá demanda social por recursos para a Pesquisa e para a Educação, e este é o motivador dos políticos. Por que irão se empenhar em alocar recursos escassos para uma área que os únicos defensores são os diretamente implicados? Ai é gerada a impressão de que defendemos interesses corporativos, a Sociedade não vê este setor como o setor essencial para o desenvolvimento e a superação da crise. Precisamos agir.

Um assunto que precisa ser discutido é a diversidade cultural e de perfis de trabalho na pós-graduação. Atualmente está aceito que a diversidade nos grupos sociais e acadêmicos é um dos melhores fatores para aumentar a eficiência e a criatividade. Culturas, gêneros e opiniões diferentes favorecem o convívio e abrem novas possibilidades para o tratamento dos temas de trabalho. Pergunto: “Por que isto não acontece nas pós-graduações?”. O consenso é que só devem participar dos programas professores-pesquisadores com um número alto de publicações em journals com alto fator de impacto. Mas um grupo criativo é algo bem diferente. Vejamos a sinopse do Livro Criatividade e Grupos Criativos de Domenico De Masi: 

A maior parte das criações humanas é obra não de gênios individuais, mas de grupos e de coletividades nos quais cooperam personalidades concretas e personalidades fantasiosas, motivadas por um líder carismático, por uma meta compartilhada. Hoje, mais do que nunca, todas as descobertas científicas e as obras-primas artísticas não decorrem do lampejo de gênio de um único autor, mas do aporte coletivo e tenaz de trabalhadores, troupes, teams, squadre, equipes. Não são mais do que etapas de um processo sem pontos de partida nem pontos de chegada, em que forças contraditórias como linhas retas e linhas curvas, razão e intuição incessantemente se alternam e entrelaçam. Talvez na sociedade pós-industrial esses dois opostos possam finalmente chegar a uma síntese feliz. Para isso, De Masi apela às neurociências, à psicanálise, à psicologia, à epistemologia e sobretudo à sociologia – compreendendo as dinâmicas secretas do processo criativo, quem sabe não se possa aumentá-lo e colocá-lo em sintonia com a eterna aspiração humana pela felicidade.

Está na hora de repensarmos nossos critérios excludentes. Os coordenadores de programas de pós-graduação expurgam ótimos professores (que poderiam ministrar ótimas aulas) para aumentar os índices CAPES. Isto é uma exclusão. Aqueles que são dotados para a implementação também são excluídos, sobram apenas os publicadores. Com este comportamento perdemos muitas pessoas que seriam importantes para a formação de nossos alunos e para o desenvolvimento dos projetos. Isto sem contar com a criatividade oriunda da diversidade de perfis. O ponto central não é a qualidade e criatividade do grupo, mas sua adequação à bibliometria avaliativa. Se quisermos qualidade real será preciso uma profunda mudança em nossos critérios.

Lendo a Communications of the ACM de outubro de 2016 encontrei um artigo magnífico: Addind Art to STEM. Neste artigo um dos bloggers da CACM trata da forte interação e resultados obtidos com a combinação da Música com a Computação. Tenho tratado eventualmente deste tema em posts e em um artigo para o Encontro sobre os Grandes Desafios 2006-2016 da SBC. Cada vez mais estou convencido que precisamos refundar o nosso modelo corporativista de considerar que as areas de conhecimento são herméticas e só os que aderem a esta visão podem ser os eleitos. Leiam este trecho do artigo citado:

“Specialization is necessary to garner expertise, but striving and working to become a skilled multidisciplinary generalist creates a whole person that can create, cope, build, refine, test, and use in practice. Plus, they can explain difficult concepts to novices, and carry the magic of combining art and technology to others. In other words, they are good teachers, too. That has been my goal in life, and I think I am succeeding (so far)”.

Author: ACM Fellow Perry R. Cook is Professor (Emeritus) of Computer Science, with a joint appointment in Music, at Princeton University. He also serves as Research Coordinator and IP Strategist for SMule, and is co-founder and executive vice president of Kadenze, an online arts/technology education startup.

Tudo o exposto acima justifica a necessidade de aplicarmos o Desing Thinking, onde a diversidade de percepções é essencial, para encontrarmos problemas reais sobre os quais possamos desenvolver ensino e pesquisa de real qualidade de pesquisa e com ampla visibilidade. A qualidade da pesquisa implica em trabalho tecnológico competente apoiado por uma sólida base conceitual e formal. Trabalhar com definições claras de problemas permite, por um lado, termos boas publicações indexadas e, por outro lado, mostrar para a Sociedade que somos de valor para o desenvolvimento. É preciso mudar a mentalidade que um diploma de  curso superior (graduação, especialização etc.) serve para  apenas promoção em alguma carreira pública e não para apoiar uma carreira promissora pessoalmente e de real interesse para a Sociedade.

UFRGS Missão França: alunos preparados para o intercâmbio

Alunos do INF e da Escola de Engenharia partirão em agosto

O projeto CAPES/Brafitec EcoSud, coordenado pelo professor Lucas Mello Schnorr, dá prosseguimento a interação entre o INF e o INP de Grenoble (ENSIMAGGIPHELMA), na França. Para essa edição de 2017/2018 uma nova turma está se preparando para iniciar a missão de estudos no país europeu, todos no âmbito de um acordo de duplo diploma estabelecido entre a UFRGS e o INP. Serão três alunos do INF e quatro estudantes da Escola de Engenharia, que partirão em agosto deste ano.

De acordo com o professor Claudio Geyer, “esta é uma chance única de crescimento pessoal e profissional. Poder conhecer a cultura e o mercado de trabalho de um país como a França, que é uma referência nas áreas de interesses desses alunos, é enriquecedor”.

“Acredito que iremos complementar nossos estudos e conhecimentos com esta oportunidade. Com as experiências adquiridas nessa viajem estaremos mais preparados para enfrentarmos o mercado. Além disso, conhecer uma cultura nova e pessoas com visões de mundo diferentes da nossa irá fortalecer, ainda mais, o nosso caráter”, destaca Leonardo Almeida da Silveira, estudante de engenharia da computação.

Confira a lista dos estudantes:

* Amanda Binotto Braga (ECP, para ENSIMAG);
* Bernardo dos S. Piccoli (MEC, para ENSE3);
* Felipe Heineck (EPR, para GI);
* Giovanna Hubner (EPR, para GI);
* Leonardo Almeida da Silveira (ECP, para ENSIMAG);
* Lucca Sergi Berquó Xavier (CIC, para ENSIMAG);
* Pedro O. Portugal (ELE, para PHELMA).

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Goethe, Saint-Hilaire e o Brasil

GoetheSaint-HilaireEm 3 de setembro de 1786 Johann Wolfgang Goethe saiu de Karslbad com destino ao sul, para a Itália. Li com muito interesse seu relato da viagem, apesar das dificuldades foi uma ida para a cultura. Já naquela época a cidade de Roma tinha dois mil anos de história. Acabo de ler o livro de Saint-Hilaire “Viagem ao Rio Grande do Sul” realizada em 1820, apenas 34 anos após a viagem de Goethe. Que horror! A descrição do que foi a viagem aqui pelos pagos é algo impressionante. Viagem em carretas, sem hospedarias, requisitando bois para tracionar a carreta, pirogas para atravessar rios, é realmente assustadora a visão! Aí dá para entender nossa situação atual, era mais do que primitiva a vida por aqui, a descrição da cultura dos gaúchos nos deixa tristes, guerreiros rudes sem visão do mundo. Nos outros livros, sobre as demais regiões do Brasil, a situação é semelhante. No sul, com a guerra da fronteira, a situação era muito pior. O Rei de Portugal e do Brasil criou a cultura dos “donos” das regiões e do patrimonialismo. Evoluímos materialmente bastante nestes quase 200 anos. O problema é que a cultura e o comportamento ético avançou menos, muito menos, do que a vida material. Certamente vivemos ao “bout du monde” no sentido ético e moral.

Hoje voltando da região de Gramado, Canela e Nova Petrópolis deu para traçar uma comparação com a descrição de Saint-Hilaire e as diferentes facetas do Brasil de hoje. Nesta Região das Hortências encontra-se o Parque das Esculturas Pedras do Silêncio que narra a história da imigração germânica por intermédio de esculturas em pedras. Ali tem-se a impressão de viver na Europa, qualidade de vida dos habitantes, segurança (os carros param antes das faixas de segurança e as pessoas te tratam educadamente) qual a diferença entre esta micro-região e o caos das grandes cidades e com a falta de civilitude geral?  A resposta é simples: a cultura do trabalho e da ética trazida pelos imigrantes europeus. Qual a solução para o Brasil? Educação de qualidade desde o fundamental; a primeira coisa com que se peocuparam os imigrantes foi conseguir um bom mestre-de-escola para ensinar seus filhos. Hoje foi necessária uma lei para coibir as agressões a professores no Brazil (com Z mesmo)! Precisamos urgentemente rever as bases de nossa cultura periférica com a valorização do culto à responsabilidade, fazendo a punição exemplar aos faltosos e criando a valorização do mérito. Já escrevi antes sobre o assunto em Mea Culpa! Será que sou culpado? lá lê-se:

Com a implantação do culto à mediocridade, à responsabilização dos outros pelas nossas falhas e fraquezas nunca seremos uma comunidade de excepcional qualidade. Nós, os professores, devemos ter consciência que estão nos manipulando com este conceito de culpa. Nós não somos culpados, culpados são os fracos e os desinteressados que não querem trabalhar pesadamente para atingir a vitória. Nossa responsabilidade é exigir qualidade e dedicação aos nossos alunos. Aqueles que são professores em Universidades públicas têm a responsabilidade adicional de não serem contagiados com esta falsa culpabilidade e mostrar aos alunos que eles são os que estão gastando recursos públicos e que têm a responsabilidade de dar “Blood, Toil, Tears and Sweat” como obrigação junto aos brasileiros que pagam impostos. No Brasil a famosa frase de Winston Churchill foi simplificada para “Sangue, Suor e Lágrimas” a palavra Toil desapareceu!

MOOCs, benção ou maldição?

Um editorial do Editor em Chefe da revista Communications of the ACM, Moshe Vardi: “Will MOOCs Destroy Academia?” trata o assunto com certo detalhe. Este editorial (CACM, v. 55, n. 11, p. 5) está focado exatamente nos MOOCs como uma ferramenta que pode revolucionar o ensino… É importante a leitura completa do texto original. Concordo completamente com as opiniões ali expressas: trata-se de uma “MOOC mania” ou de um “MOOC panic”. Uma frase é essencial para compreender a visão nos Estados Unidos sobre o assunto:

It is clear, therefore, that the enormous buzz about MOOCs is not due to the technology’s intrinsic educational value, but due to the seductive possibilities of lower costs”.

[É claro, portanto, que o enorme alvoroço sobre MOOCs não é devido ao valor intrínseco da tecnologia educacional, mas, devido às possibilidades sedutoras de custos mais baixos].

Naquele editorial ele termina dizendo que pensa que invocamos um espírito ou mago e que se tivesse uma “varinha de condão” faria desaparecer os MOOCs. Eu estou pensando que o que fizemos realmente foi abrir a Caixa de Pandora, lembrem-se que quando ela foi fechada a última maldade que fico presa foi a Esperança pois era considerada irmã da Mentira. Esta esperança de substituir as Universidades por MOOCs é a mistificação atual, mas já passando.

 

As melhores Universidades Públicas do Brasil

O Guia do Estudante da Abril tem uma classificação das universidades baseada na avaliação de seus cursos. A seguir a classificação da melhores universidades públicas do Brasil. Notem que como qualquer classificação esta é baseada em uma dimensão: a qualidade de seus cursos. Entretanto a qualidade de cada curso tem, por sua vez, múltiplas dimensões ponderadas para chegar ao número de estrelas. 

Links associados: 

 

Revoltado ou Criativo

Esta pequena história, publicada pelo Prof. Waldemar Setzer, mostra o quanto é limitada a nossa capacidade de conviver com a criatividade. 


Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de Física, que recebera nota ‘zero’. O aluno contestava tal conceito, alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não ser que houvesse uma ‘conspiração do sistema’ contra ele. Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido.

Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova, que dizia: ‘Mostrar como pode-se determinar a altura de um edifício bem alto com o auxilio de um barômetro.’ A resposta do estudante foi a seguinte:

‘Leve o barômetro ao alto do edifício e amarre uma corda nele; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; este comprimento será igual à altura do edifício.’

Sem dúvida era uma resposta interessante, e de alguma forma correta, pois satisfazia o enunciado. Por instantes vacilei quanto ao veredito. Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima, já que havia respondido a questão completa e corretamente. Entretanto, se ele tirasse nota máxima, estaria caracterizada uma aprovação em um curso de Física, mas a resposta não confirmava isso. Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder a questão. Não me surpreendi quando meu colega concordou, mas sim quando o estudante resolveu encarar aquilo que eu imaginei lhe seria um bom desafio. Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder a questão, isto após ter sido prevenido de que sua resposta deveria mostrar, necessariamente, algum conhecimento de Física.

Passados cinco minutos ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para o forro da sala. Perguntei-lhe então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida, e não tinha tempo a perder.Mais surpreso ainda fiquei quando o estudante anunciou que não havia desistido. Na realidade tinha muitas respostas, e estava justamente escolhendo a melhor. Desculpei-me pela interrupção e solicitei que continuasse.

No momento seguinte ele escreveu esta resposta:

‘Vá ao alto do edifico, incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo t de queda desde a largada até o toque com o solo. Depois, empregando a fórmula
h = (1/2)gt^2
calcule a altura do edifício.’

Perguntei então ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta, e se concordava com a minha disposição em conferir praticamente a nota máxima à prova. Concordou, embora sentisse nele uma expressão de descontentamento, talvez inconformismo.

Ao sair da sala lembrei-me que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas.

“Ah!, sim,” – disse ele – “há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro.”

Perante a minha curiosidade e a já perplexidade de meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações.

“Por exemplo, num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo. bem como a do edifício. Depois, usando uma simples regra de três, determina-se a altura do edifício.”

“Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e direto, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas ter-se a altura do edifício em unidades barométricas.”

“Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, tem-se dois g’s, e a altura do edifício pode, a princípio, ser calculada com base nessa diferença.”

“Finalmente”, concluiu, “se não for cobrada uma solução física para o problema, existem outras respostas. Por exemplo, pode-se ir até o edifício e bater à porta do síndico. Quando ele aparecer; diz-se:

‘Caro Sr. síndico, trago aqui um ótimo barômetro; se o Sr. me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro de presente.'”

A esta altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta ‘esperada’ para o problema. Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto com as tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e cobrar respostas prontas com base em informações mecanicamente arroladas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, principalmente, uma farsa.


Colaborou: Domingos Peixoto Tabosa 

Um colega disse que já conhecia essa história há uns 30 anos, e achava que era devida a R.Feinman. Fiz pequenas correções no texto e reformatei. VWS.

O colega Alfredo Goldman enviou-me uma versão em francês que atribui essa história a Niels Bohr como o estudante e Rutherford como o árbitro. Acione aqui para ver essa versão.

Acione aqui para desviar para a ‘home page’ de Valdemar W. Setzer