VII Fórum da Internet no Brasil

 

Fórum da internet Brasil

O Fórum da Internet no Brasil é promovido anualmente pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) desde 2011 e consiste em atividade preparatória para o Fórum de Governança da Internet (IGF). Por meio dele, o CGI.br busca incentivar representantes dos setores que o compõem a acompanharem e opinarem sobre as questões mais relevantes para a consolidação e expansão de uma Internet cada vez mais diversa, universal e inovadora no Brasil e que expresse os princípios da liberdade, dos direitos humanos, da privacidade, tal como apresentados no decálogo de Princípios para a Governança e Uso da Internet.

A sétima edição do Fórum da Internet no Brasil será realizada entre os dias 14 e 17 de novembro na cidade do Rio de Janeiro (RJ) com o tema “Moldando seu futuro digital”. Sua programação será construída de forma colaborativa visando promover maior participação da comunidade brasileira de governança da Internet na identificação dos temas relevantes ao debate.

CHAMADA PARA WORKSHOPS

O CGI.br convida representantes de todos os setores interessados a enviarem suas propostas de workshops para o VII Fórum da Internet no Brasil. O envio poderá ser feito por meio de formulário específico, que ficará disponível de 24 de julho a 20 de agosto de 2017.

No total, serão selecionadas até 21 propostas que irão compor a programação oficial do Fórum. Cada workshop terá duração de 90 minutos e deverá contar com participantes dos quatro setores que compõem o CGI.br: setor governamental, setor empresarial, terceiro setor e comunidade científica e tecnológica.

Mais informações podem ser encontradas aqui.

PROGRAMAÇÃO

A programação do VII Fórum da Internet no Brasil está sendo construída de forma colaborativa e será definida após a seleção de workshops propostos pela comunidade brasileira que debate temas da governança da Internet, em especial os temas relacionados à Declaração do CGI.br dos Princípios para a Governança e Uso da Internet no Brasil. Com o novo formato, o público poderá identificar as questões relevantes para a discussão e propor caminhos adiante a partir do diálogo multissetorial.

Se você ou sua comunidade tem trabalhado ou gostaria de discutir temas como universalização do acesso, neutralidade de rede, inclusão digital, segurança, privacidade e proteção de dados pessoais, criptografia, cidades inteligentes, entre outros, incentivamos que confira chamada de workshops e participe enviando suas propostas. Contamos com a sua participação!

O dia 14 de novembro (chamado de “Dia Zero” pois ocorrerá antes da abertura oficial do VII Fórum da Internet no Brasil) será reservado para atividades específicas propostas pelos diversos setores representados no CGI.br: governamental, empresarial, terceiro setor e comunidade científica e tecnológica. A organização do evento oferecerá espaço e infraestrutura para que as organizações interessadas realizem suas atividades. Caso o número de propostas recebidas supere o espaço e tempo disponível no dia 14, as atividades serão selecionadas pela organização privilegiando um equilíbrio entre os distintos setores.

Workshop Regional de Música Eletrônica e Computação Musical – Inf UFRGS

Workshop Regional de Música Eletrônica e Computação Musical visa a reunir estudantes e pesquisadores de diferentes regiões do Rio Grande do Sul, incluindo também um público leigo, constituído por entusiastas da área de Áudio e de diversos tipos de Música, da sociedade em geral. Trata-se de um evento aberto, que nasce da identificação e do compartilhamento de um importante valor regional, qual seja a admiração e o cultivo da Música Eletrônica e da Computação Musical.
Características do Evento
Workshop Regional Música Eletrônica e Computação Musical será organizado sob a forma de um evento de caráter democrático, com duração de dois dias. A programação de cada dia prevê convite para um palestrante externo, cuja formação e experiência profissionais representem uma contribuição inovadora e incentivadora, para a comunidade acadêmica, principalmente em nível de pós-graduação. Além das contribuições trazidas por esses palestrantes externos, haverá apresentações no formato de Oficinas Demonstrativas, organizadas por pesquisadores de instituições do Estado (UFRGS, UFPel, UFSM e IFRS). O fechamento dos trabalhos será feito no formato de Mesa Redonda, onde serão traçadas perspectivas futuras para a pesquisa na área, incluindo trocas de experiências e espaço para discussão sobre planos de atuação e estudo dos respectivos participantes do evento. Neste workshop, haverá dois aspectos de interesse, os quais desempenham papéis fundamentais para a área de Música e Tecnologia. O primeiro envolve sintetização sonora (analógica e digital), incluindo o respectivo desenvolvimento de hardware (sintetizadores, filtros e processadores de feitos); o segundo aspecto foca nas técnicas modernas de processamento digital de Áudio e Música, incluindo técnicas para transcrição automática de Música e recuperação de Informação Musical.

PROGRAMAÇÃO

1º dia – 11 / setembro / 2017
09:00 Abertura 

Prof. Rodrigo Schramm (Música/UFRGS)
09:30 Aprendizagem de Máquina e Processamento Musical 

Prof. Emmanouil Benetos (C4DM/QMUL)
11:30 Transcrição Automática de Música Polifônica Vocal 

Prof. Rodrigo Schramm (QMUL/UFRGS)
12:00 Pausa para almoço
14:00 Composição Algorítmica

Prof. James Correa (Música/UFPel)
14:45 Tecnologias para o Ensino de Música a Distância

Prof. Helena de Souza Nunes (Música/UFRGS)
15:30 Coffee break
16:00 Computação Musical Ubíqua 

Prof. Marcelo Pimenta (Computação/UFRGS)
16:45 Algoritmos e Música: a teoria dos conjuntos como um jogo de análise e composição 

Prof. Marcelo Birck (Música e Tecnologia/UFSM)
17:30 Encerramento do 1º dia
2º dia – 12 / setembro / 2017
09:00 Abertura 

Prof. Marcelo Johann (INF/UFRGS)
09:30 Palestra com Demonstração Métodos de construção de sintetizadores analógicos 

Eng. Arthur Joly
12:00 Pausa para almoço
14:00 Síntese sonora em Pure Data

Prof. Luciano Zanatta (Música/UFRGS)
14:45 Sintetizadores com Arduino Due

Marcelo Johann (INF/UFRGS)
15:30 Coffee break
16:00 A Produção de Música Eletrônica no RS

Prof. Eloy Fritsch (Música/UFRGS)
16:45 Mesa Redonda Futuro da Pesquisa em Musica Eletrônica e Computação Musical

Mediador: Prof. Marcelo Johann (Microeletrônica/UFRGS)
17:30 Encerramento 

Prof. Rodrigo Schramm (Música/UFRGS)

 

  

 

Goethe, Saint-Hilaire e o Brasil

GoetheSaint-HilaireEm 3 de setembro de 1786 Johann Wolfgang Goethe saiu de Karslbad com destino ao sul, para a Itália. Li com muito interesse seu relato da viagem, apesar das dificuldades foi uma ida para a cultura. Já naquela época a cidade de Roma tinha dois mil anos de história. Acabo de ler o livro de Saint-Hilaire “Viagem ao Rio Grande do Sul” realizada em 1820, apenas 34 anos após a viagem de Goethe. Que horror! A descrição do que foi a viagem aqui pelos pagos é algo impressionante. Viagem em carretas, sem hospedarias, requisitando bois para tracionar a carreta, pirogas para atravessar rios, é realmente assustadora a visão! Aí dá para entender nossa situação atual, era mais do que primitiva a vida por aqui, a descrição da cultura dos gaúchos nos deixa tristes, guerreiros rudes sem visão do mundo. Nos outros livros, sobre as demais regiões do Brasil, a situação é semelhante. No sul, com a guerra da fronteira, a situação era muito pior. O Rei de Portugal e do Brasil criou a cultura dos “donos” das regiões e do patrimonialismo. Evoluímos materialmente bastante nestes quase 200 anos. O problema é que a cultura e o comportamento ético avançou menos, muito menos, do que a vida material. Certamente vivemos ao “bout du monde” no sentido ético e moral.

Hoje voltando da região de Gramado, Canela e Nova Petrópolis deu para traçar uma comparação com a descrição de Saint-Hilaire e as diferentes facetas do Brasil de hoje. Nesta Região das Hortências encontra-se o Parque das Esculturas Pedras do Silêncio que narra a história da imigração germânica por intermédio de esculturas em pedras. Ali tem-se a impressão de viver na Europa, qualidade de vida dos habitantes, segurança (os carros param antes das faixas de segurança e as pessoas te tratam educadamente) qual a diferença entre esta micro-região e o caos das grandes cidades e com a falta de civilitude geral?  A resposta é simples: a cultura do trabalho e da ética trazida pelos imigrantes europeus. Qual a solução para o Brasil? Educação de qualidade desde o fundamental; a primeira coisa com que se peocuparam os imigrantes foi conseguir um bom mestre-de-escola para ensinar seus filhos. Hoje foi necessária uma lei para coibir as agressões a professores no Brazil (com Z mesmo)! Precisamos urgentemente rever as bases de nossa cultura periférica com a valorização do culto à responsabilidade, fazendo a punição exemplar aos faltosos e criando a valorização do mérito. Já escrevi antes sobre o assunto em Mea Culpa! Será que sou culpado? lá lê-se:

Com a implantação do culto à mediocridade, à responsabilização dos outros pelas nossas falhas e fraquezas nunca seremos uma comunidade de excepcional qualidade. Nós, os professores, devemos ter consciência que estão nos manipulando com este conceito de culpa. Nós não somos culpados, culpados são os fracos e os desinteressados que não querem trabalhar pesadamente para atingir a vitória. Nossa responsabilidade é exigir qualidade e dedicação aos nossos alunos. Aqueles que são professores em Universidades públicas têm a responsabilidade adicional de não serem contagiados com esta falsa culpabilidade e mostrar aos alunos que eles são os que estão gastando recursos públicos e que têm a responsabilidade de dar “Blood, Toil, Tears and Sweat” como obrigação junto aos brasileiros que pagam impostos. No Brasil a famosa frase de Winston Churchill foi simplificada para “Sangue, Suor e Lágrimas” a palavra Toil desapareceu!

As Universidades se esqueceram que são IES – Instituições de Ensino Superior

UniversidadeHoje as Universidades avaliam seus professores quase que exclusivamente por suas atividades de pesquisa e por suas publicações. Tenho escrito sobre a avaliação na pós-graduação, mas agora vou começar a tratar um pouco da avaliação dos professores na graduação e na missão das Universidades. Acredito que a atual forma de avaliação é uma decorrência do modelo de Universidade Humboldtiana, mas isto fica para um próximo texto.

É preciso entender o que é uma Universidade. Há bastante tempo publiquei uma crônica sobre “Deem Tempo para a Universidade Pensar ou os modelos de Universidade” onde já tratava do assunto. Recentemente voltei ao mesmo assunto, mas o tema é recorrente. Vou copiar parte daquele texto.

A university is an institution of higher education and research, which grants academic degrees at all levels (bachelor, master, and doctorate) in a variety of subjects. … The word university is derived from the Latin Universitas Magistrorum et Scholarium, roughly meaning “community of masters and scholars“.Wikipedia

[A Universidade é uma instituição de ensino superior e de pesquisa que concede graus acadêmicos em todos os níveis (graduação, mestrado e doutorado) em uma gama de temas. … A palavra universidade é derivada do latim Universitas Magistrorum et Scholarium, que significa “comunidade de mestres e acadêmicos”.]

O cientista Carl Sagan (falecido), para os obcecados por bibliometria anexo ao final seus dados, escreve em seu livro “O Mundo Assombrado pelos Demônios” onde trata da ciência e das crendices e pseudo-ciência escreve:

Na Universidade de Chicago, também tive a sorte de participar de um programa de educação geral planejado por Robert M. Hutchins, em que a ciência era apresentada como parte integrante da magnífica tapeçaria do conhecimento humano. Considerava-se impensável que alguém desejasse ser físico sem conhecer Platão, Aristóteles, Bach, Shakespeare, Gibbon, Malinowski e Freud _ entre muitos outros. Numa aula de introdução à ciência, a visão de Ptolomeu de que o Sol gira ao redor da Terra era apresentada de forma tão convincente que alguns estudantes se flagravam reavaliando seu compromisso com a teoria de Copérnico. No currículo de Hutchins, o status dos professores não tinha quase nada a ver com a sua pesquisa; inflexivelmente ao contrario do padrão moderno da universidade norte-americana , os professores eram avaliados pelo seu ensino, pela sua capacidade de informar e inspirar a próxima geração. Nessa atmosfera inebriante, consegui preencher algumas das muitas lacunas na minha educação. Grande parte daquilo que era profunda- mente misterioso, e não apenas na ciência, tornou-se mais claro. E também testemunhei em primeira mão a alegria que sentem aqueles que têm o privilégio de revelar um pouco do funcionamento do Universo. Sempre fui grato aos meus mentores dos anos 50, e tentei me certificar de que cada um deles soubesse do meu apreço. (ISBN 85-7164-606-6, P. 15)

Esta é uma indicação clara entre um pesquisador e um Cientista. As nossas Universidades se esqueceram que são Instituições de Ensino e que a pesquisa é uma forma de qualificar seu Ensino. Certamente em tópicos precisos, fundamentais ou tecnológicos podemos gerar contribuições excelentes, mas somos Professores. Um assunto para meditação.

Em um artigo na Folha de São Paulo Adalberto Fazzio e Sidney Jard Da Silva sobre a “Universidade do Século 21” aparece esta citação de Max Weber:

No início do século passado, o renomado sociólogo alemão Max Weber observou que somente por acaso se poderia encontrar em um mesmo homem as vocações de cientista e professor. Apenas em situações fortuitas teríamos a felicidade de entrarmos em uma sala de aula e depararmos com o acadêmico igualmente “vocacionado” para o ensino e para a pesquisa”.

Eu havia tratado deste assunto em um texto de 2010 “Carreiras nas Universidades“, acho que está na hora de rediscutirmo o tema.

Afinal qual é a missão de uma Universidade? Tentem esta consulta no Google sobre sua Universidade preferida: “missão <nome da universidade>”, verão que muitas não apresentam claramente sua missão. Listo, a seguir três que encontrei:

UFMG

Gerar e difundir conhecimentos científicos, tecnológicos e culturais, destacando-se como instituição de referência nacional, formando  indivíduos críticos e éticos, com uma sólida base científica e humanística, comprometidos com  intervenções transformadoras na sociedade e com o desenvolvimento socioeconômico regional e nacional.

PUC Rio

A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro é uma instituição comunitária de Educação Superior, de acordo com Portaria 679, de 12/11/2014, da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior, filantrópica e sem fins lucrativos, que visa produzir e propagar o saber a partir das atividades de ensino, pesquisa e extensão, tendo por base o pluralismo e debates democráticos, objetivando, sobretudo, a reflexão, o crescimento e enriquecimento da sociedade.

Missão da UFSCar

Missão da UFSCar: Produzir e tornar acessível o conhecimento. Como afirmado no PDI (2005) – PDI apresentado segundo o formato SPIEnS/MEC para o período de 5 anos – não é incomum confundir-se a missão da universidade pública com as suas atividades-fim: o ensino, a pesquisa e a extensão. São estas três atividades que, de forma indissociada, dão concretude à missão da universidade de produzir e tornar acessível o conhecimento. Nesta conceituação sintética o tornar acessível envolve tanto a formação dos alunos como a interação com os diferentes segmentos da sociedade para o compartilhamento e (re)construção do conhecimento.

Afinal parece que a real missão é a formação de alunos sendo que a interação humboldtiana da pesquisa com o ensino tem por objetivo a Formação de Recursos Humanos. Grande parte de nossa crise como nação é esta falta de formação em grande escala de recursos humanos de alta qualidade. Será que esquecemos da nossa missão?


Query Source Papers Citations Cites_Year Cites_Paper h_index g_index
Carl Sagan Google Scholar 987 26420 184.76 26.77 72 152

História da Alemanha Moderna – de 1800 aos Dias de Hoje {Martin Kitchen} 2007


Capa do livro

Uma visão da história da Alemanha a partir da sua transformação de um agrupamento de estados fragmentados, em 1800, numa das nações mais poderosas da Europa em nossos dias. A narrativa começa com o impacto causado por Napoleão sobre a colcha de retalhos que era a Alemanha, descreve o desenvolvimento de uma consciência nacional dentro do contexto da mudança social e tensões entre a reforma e a reação, e culmina na análise da Alemanha depois da unificação nacional.

Este livro é muito interessante para quem deseja ter um conhecimento aprofundado sobre a evolução da Alemanha. Para aproveitar realmente o seu conteúdo é bom que o leitor tenha uma visão geral da história da Europa nestes últimos 200 anos. Mutas coisas passam a ficar mais claras com a leitura, o conceito de kleine Deutschland e groβe Deutschland e suas consequências me esclareceu muito sobre a história moderna da Alemanha. Mas um aviso: o texto é de um detalhamento extremo, os fatos são analisados com uma descrição minuciosa das pessoas envolvidas e em suas ações e orientações ideológicas. Será precisa uma capacidade de abstração para que se consiga ter uma visão agregada da história. Há trechos com análises mais abrangentes, posteriormente detalhadas com ampla documentação da personagens envolvidas.

Ecologia, ontem e hoje


Recebi este texto, não sei o autor, mas é absolutamente real. Pontos a ponderar.


Na fila do supermercado, o caixa diz a uma senhora idosa
  • A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigáveis com o ambiente.
A senhora pediu desculpas e disse: 
  • Não havia essa onda verde no meu tempo.
O empregado respondeu: 
  • Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com o nosso meio ambiente.
     Você está certo – respondeu a senhora. Nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.
     Realmente, não nos preocupamos com o ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhávamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro, a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões de casa.
     Não nos preocupávamos com o ambiente. Até as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. A secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas secadoras elétricas. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. 
     Os filhos menores usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.
     Mas é verdade: não havia preocupação com o ambiente, naqueles dias. Naquela época tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela de 14 polegadas, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado, como não sei
Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia batedeiras elétricas, que fazem tudo por nós. Quando enviávamos algo frágil pelo correio, usávamos jornal velho como proteção, e não plástico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar.
     Naqueles tempos não se usava motor a gasolina para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam à eletricidade.
     Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos.
     Recarregávamos nossas canetas com tinta inúmeras vezes ao invés de comprar outra. Amolávamos as navalhas, ao invés de jogar fora aparelhos descartáveis, quando a lâmina perdia o corte.
     Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naquele tempo, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus coletivos e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar os pais como serviço de táxi 24 horas. 
     Havia só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E não precisávamos de GPS para receber sinais de satélites no espaço para encontrar a pizzaria mais próxima.
     Então, não é incrível que a atual geração fale tanto em “meio ambiente”, mas não queira abrir mão de nada e não pense em viver um pouco como na minha época!

Une histoire buissonière de la France {Graham Robb} 2011


O original deste livro é The Discovery of France mas a tradução francesa é de muito boa qualidade e o título muito melhor do que o original. O autor, Graham Macdonald Robb é um escritor inglês. Em 28 de abril de 2008 ele recebeu o prêmio Ondaatje Prize da Royal Society of Literature por este livro. É uma leitura realmente interessante pois mostra a França como um mosaico de culturas e regiões se integrando, aos poucos, para formar o país que hoje conhecemos.  O autor, professor de literatura, conta a história da França profunda além dos subúrbios de Paris. Esta é uma França muito diferente da que estudamos na história escolar, que trata da Monarquia, da Revolução e da República, mostrando a vida real do povo e das localidades com suas culturas específicas e, muitas vezes, ignorando o poder central. A descrição não é livresca, o autor adicionou aos seus estudos formais vinte e dois mil e quinhentos quilômetros de bicicleta pelo interior. A isto somou quatro anos de pesquisas bibliográficas. Uma leitura indispensável para conhecermos mais profundamente a cultura real francesa.