V Seminário Nacional de Inclusão Digital – SENID 2018

SENID 2018

INSCRIÇÕES

Estão abertas as INSCRIÇÕES para o V Seminário Nacional de Inclusão Digital – SENID 2018, que acontecerá de 7 a 9 de maio de 2018. O evento é organizado pelo Grupo de Pesquisa em Cultura Digital da Universidade de Passo Fundo.

Em 2018, o tema do #SENID2018 é “Cultura Digital na Educação”! Tal temática nasce da constatação de que as práticas criativas da era digital colocam em xeque as instituições da era industrial – como a Escola e a Universidade.

As inscrições no evento podem ser feitas a partir do link https://goo.gl/R9qcmv até 20 de abril de 2018. Confira a programação, inscreva-se e compartilhe o #SENID2018 entre seus contatos!

SUBMISSÕES DE TRABALHOS

O V Seminário Nacional de Inclusão Digital contará com a submissão de artigos completos, resumidos, relatos de experiência e oficinas nas áreas de Inclusão digital e/ou cultura digital na educação [Confira os detalhes de cada modalidade em https://goo.gl/WiWv5N].

DETALHES SOBRE SUBMISSÕES: https://goo.gl/Lw1awc.

DATAS IMPORTANTES:

  • Submissão de trabalhos: de 30 de julho de 2017 até 30 de outubro de 2017.
  • Resultado da primeira fase: 30 de novembro de 2017.
  • Versão final com mudanças: 31 de janeiro de 2018.
  • Notificação final: 15 de fevereiro de 2018.

SUBMISSÃO DE TRABALHOS: https://jems.sbc.org.br/home.cgi?c=2905

ATENÇÃO:

Os melhores artigos serão publicados em periódicos qualificados e em formato de livro a partir do detalhamento a seguir:

  • Os autores do melhor artigo relacionado ao desenvolvimento de Tecnologias Digitais na/para a Educação serão convidados a publicar versão ampliada na Revista Brasileira de Computação Aplicada [2176-6649] – B4 Interdisciplinar;
  • Os autores do melhor artigo relacionado à aplicação e à análise de Tecnologias Digitais na Educação serão convidados a publicar versão ampliada na Revista Espaço Pedagógico [2238-0302] – B1 Ensino | B2 Educação | B3 Interdisciplinar;
  • Os autores dos 10 melhores artigos relacionados ao desenvolvimento de Tecnologias Digitais na/para a Educação (excluindo-se o publicado na Revista Brasileira de Computação Aplicada) serão convidados a submeter versão ampliada ao dossiê Cultura Digital na Educação na Revista de Ciências Exatas Aplicadas e Tecnológicas da UPF [2176-4565]. B5 Interdisciplinar | B4 Engenharias I e Ensino;
  • Os autores dos 10 melhores artigos relacionados à aplicação e à análise de Tecnologias Digitais na Educação (excluindo-se o publicado na Revista Espaço Pedagógico) serão convidados a submeter versão ampliada dos artigos ao livro Cultura Digital na Educação, organizado com vistas à obtenção da classificação L3.

Todas as informações sobre tipos de submissão e cuidados para submissão estão disponíveis em: https://goo.gl/PaCDEA

Pedimos desculpas por eventuais duplicatas desta mensagem. Esperamos você no #SENID2018!

Prof. Dr. Adriano Canabarro Teixeira
Coordenador geral do SENID 

Prof. Dr. Marco Antônio Sandini Trentin
Coordenador do comitê de programa

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VII Fórum da Internet no Brasil

 

Fórum da internet Brasil

O Fórum da Internet no Brasil é promovido anualmente pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) desde 2011 e consiste em atividade preparatória para o Fórum de Governança da Internet (IGF). Por meio dele, o CGI.br busca incentivar representantes dos setores que o compõem a acompanharem e opinarem sobre as questões mais relevantes para a consolidação e expansão de uma Internet cada vez mais diversa, universal e inovadora no Brasil e que expresse os princípios da liberdade, dos direitos humanos, da privacidade, tal como apresentados no decálogo de Princípios para a Governança e Uso da Internet.

A sétima edição do Fórum da Internet no Brasil será realizada entre os dias 14 e 17 de novembro na cidade do Rio de Janeiro (RJ) com o tema “Moldando seu futuro digital”. Sua programação será construída de forma colaborativa visando promover maior participação da comunidade brasileira de governança da Internet na identificação dos temas relevantes ao debate.

CHAMADA PARA WORKSHOPS

O CGI.br convida representantes de todos os setores interessados a enviarem suas propostas de workshops para o VII Fórum da Internet no Brasil. O envio poderá ser feito por meio de formulário específico, que ficará disponível de 24 de julho a 20 de agosto de 2017.

No total, serão selecionadas até 21 propostas que irão compor a programação oficial do Fórum. Cada workshop terá duração de 90 minutos e deverá contar com participantes dos quatro setores que compõem o CGI.br: setor governamental, setor empresarial, terceiro setor e comunidade científica e tecnológica.

Mais informações podem ser encontradas aqui.

PROGRAMAÇÃO

A programação do VII Fórum da Internet no Brasil está sendo construída de forma colaborativa e será definida após a seleção de workshops propostos pela comunidade brasileira que debate temas da governança da Internet, em especial os temas relacionados à Declaração do CGI.br dos Princípios para a Governança e Uso da Internet no Brasil. Com o novo formato, o público poderá identificar as questões relevantes para a discussão e propor caminhos adiante a partir do diálogo multissetorial.

Se você ou sua comunidade tem trabalhado ou gostaria de discutir temas como universalização do acesso, neutralidade de rede, inclusão digital, segurança, privacidade e proteção de dados pessoais, criptografia, cidades inteligentes, entre outros, incentivamos que confira chamada de workshops e participe enviando suas propostas. Contamos com a sua participação!

O dia 14 de novembro (chamado de “Dia Zero” pois ocorrerá antes da abertura oficial do VII Fórum da Internet no Brasil) será reservado para atividades específicas propostas pelos diversos setores representados no CGI.br: governamental, empresarial, terceiro setor e comunidade científica e tecnológica. A organização do evento oferecerá espaço e infraestrutura para que as organizações interessadas realizem suas atividades. Caso o número de propostas recebidas supere o espaço e tempo disponível no dia 14, as atividades serão selecionadas pela organização privilegiando um equilíbrio entre os distintos setores.

Pesquisador Homenageado do ano de 2017 – SBBD

Divulgação do prêmio
Divulgação do prêmio no SBBD 2016

Como professor e pesquisador, desde minha formatura na Escola de Engenharia da UFRGS, tive a rara sorte de acompanhar o desenvolvimento da Computação e do ensino de Banco de Dados nas universidades brasileiras. Minha ontogênese acadêmica acompanhou o percurso da história do SBBD. Esta distinção foi uma grande alegria e surpresa, em uma época em que a avaliação de um pesquisador é constituída quase exclusivamente por índices bibliométricos, em receber um reconhecimento pelo conjunto da obra (vídeo da divulgação). Algo muito relevante para mim foi que os jovens colegas se lembraram de uma carreira de 48 anos com forte dedicação à área de Sistemas de Informação e Banco de Dados. Ao longo da carreira desenvolvi atividades em múltiplas dimensões, 81 alunos de pós-graduação já orientados, muitas disciplinas ministradas, forte interação internacional e um consistente número de boas publicações. Tinha que decidir o formato desta apresentação, uma alternativa seria descrever tecnicamente minhas pesquisas, representadas pelas publicações, isto seria enfadonho e traria pouca contribuição para os jovens membros a comunidade. Pensei melhor e então resolvi apresentar as áreas de pesquisa em que tenho trabalhado e sua evolução ao longo destes anos, sem entrar em profundos detalhes técnicos. Este andamento seguiu muito de perto a evolução do SBBD. Após apresento uma perspectiva do futuro dos Bancos de Dados e os perigos que corremos. Uma das atividades realizadas na Comissão Especial de BD e que considero importante foi a implementação do 1° Concurso de Teses e Dissertações em Banco de Dados. Desejo que a apresentação seja útil para os jovens pesquisadores conhecerem melhor o caminho percorrido até aqui pela nossa comunidade e para que entrevejam o possível futuro e seus desafios.  A vida acadêmica não pode ser uma Torre de Marfim, a preocupação e engajamento com a comunidade é essencial. Nesta apresentação vocês terão a oportunidade de conhecer, de forma agradável, o desenvolvimento de nossa área no Brasil em paralelo com uma análise do que considero essencial para uma carreira equilibrada no ensino e na pesquisa. A história dos Bancos de Dados inicia com a estruturação de arquivos tradicionais e chega aos complexos sistemas atuais. As noções de transação, recuperação e outras são essenciais para a maioria das aplicações transacionais. Hoje há uma revolta contra tudo isto propondo alternativas como o NoSQL, mas diferentes aplicações exigem diversos modelos de SGBDs. Talvez estejamos exagerando nas customizações. O que nos reserva o futuro? Como vamos estruturar nossas carreiras em um período turbulento?

  • Apresentação: quarta-feira, dia 4 de Outubro de 2017, às 10:30

Posts complementando a apresentação

Repensando a universidade e a pós-graduação


Diversidade

Com a atual crise nas Universidades estou considerando a necessidade de repensarmos a pós-graduação. O corte de verbas é uma consequência do estado falido por despesas irresponsáveis e por roubos inimagináveis, isto todos sabemos. Mas qual o motivo de não serem poupados, ou pelo menos sofrerem menos algumas áreas? Certamente a Saúde e a Segurança estão na boca do povo como demandas sérias e principais. Por que não a Educação? Recentemente li um livro, estava em minha lista de leituras há muito tempo, sobre o Design Thinking. A ideia essencial apresentada neste livro é utilizar a forma de pensar de designers industriais para a modelagem de soluções criativas. O livro prega a análise multidimensional dos problemas com a inclusão de pessoas com múltiplas formações. Esta fase inicial precisa ser muito menos estruturada e contar com a participação livre de ideias, de criação de cenários (storytelling) e contato real com os usuários. Ou seja, descobrir no mundo real as necessidades a serem enfrentadas para soluções revolucionárias. Na Academia tudo isto me fez lembrar um dito bem impactante:

“As Universidades e os cemitérios são refratários às mudanças, os que ali estão não querem se mover”.

Será que não precisamos repensar o nosso comportamento? Devemos sair da Torre de Marfim e desenvolver atividades ligadas aos problemas reais? Isto não implica em perda de qualidade, apenas em tratar problemas de interesse da sociedade e não de problemas de interesse de pesquisadores e intelectuais. Afinal é a Sociedade que nos financia (ou deveria). Talvez o descolamento da Universidade e da Pesquisa com as reais necessidades das comunidades seja o motivo principal da crise global de financiamento. Se a Sociedade não tiver esta compreensão não haverá demanda social por recursos para a Pesquisa e para a Educação, e este é o motivador dos políticos. Por que irão se empenhar em alocar recursos escassos para uma área que os únicos defensores são os diretamente implicados? Ai é gerada a impressão de que defendemos interesses corporativos, a Sociedade não vê este setor como o setor essencial para o desenvolvimento e a superação da crise. Precisamos agir.

Um assunto que precisa ser discutido é a diversidade cultural e de perfis de trabalho na pós-graduação. Atualmente está aceito que a diversidade nos grupos sociais e acadêmicos é um dos melhores fatores para aumentar a eficiência e a criatividade. Culturas, gêneros e opiniões diferentes favorecem o convívio e abrem novas possibilidades para o tratamento dos temas de trabalho. Pergunto: “Por que isto não acontece nas pós-graduações?”. O consenso é que só devem participar dos programas professores-pesquisadores com um número alto de publicações em journals com alto fator de impacto. Mas um grupo criativo é algo bem diferente. Vejamos a sinopse do Livro Criatividade e Grupos Criativos de Domenico De Masi: 

A maior parte das criações humanas é obra não de gênios individuais, mas de grupos e de coletividades nos quais cooperam personalidades concretas e personalidades fantasiosas, motivadas por um líder carismático, por uma meta compartilhada. Hoje, mais do que nunca, todas as descobertas científicas e as obras-primas artísticas não decorrem do lampejo de gênio de um único autor, mas do aporte coletivo e tenaz de trabalhadores, troupes, teams, squadre, equipes. Não são mais do que etapas de um processo sem pontos de partida nem pontos de chegada, em que forças contraditórias como linhas retas e linhas curvas, razão e intuição incessantemente se alternam e entrelaçam. Talvez na sociedade pós-industrial esses dois opostos possam finalmente chegar a uma síntese feliz. Para isso, De Masi apela às neurociências, à psicanálise, à psicologia, à epistemologia e sobretudo à sociologia – compreendendo as dinâmicas secretas do processo criativo, quem sabe não se possa aumentá-lo e colocá-lo em sintonia com a eterna aspiração humana pela felicidade.

Está na hora de repensarmos nossos critérios excludentes. Os coordenadores de programas de pós-graduação expurgam ótimos professores (que poderiam ministrar ótimas aulas) para aumentar os índices CAPES. Isto é uma exclusão. Aqueles que são dotados para a implementação também são excluídos, sobram apenas os publicadores. Com este comportamento perdemos muitas pessoas que seriam importantes para a formação de nossos alunos e para o desenvolvimento dos projetos. Isto sem contar com a criatividade oriunda da diversidade de perfis. O ponto central não é a qualidade e criatividade do grupo, mas sua adequação à bibliometria avaliativa. Se quisermos qualidade real será preciso uma profunda mudança em nossos critérios.

Lendo a Communications of the ACM de outubro de 2016 encontrei um artigo magnífico: Addind Art to STEM. Neste artigo um dos bloggers da CACM trata da forte interação e resultados obtidos com a combinação da Música com a Computação. Tenho tratado eventualmente deste tema em posts e em um artigo para o Encontro sobre os Grandes Desafios 2006-2016 da SBC. Cada vez mais estou convencido que precisamos refundar o nosso modelo corporativista de considerar que as areas de conhecimento são herméticas e só os que aderem a esta visão podem ser os eleitos. Leiam este trecho do artigo citado:

“Specialization is necessary to garner expertise, but striving and working to become a skilled multidisciplinary generalist creates a whole person that can create, cope, build, refine, test, and use in practice. Plus, they can explain difficult concepts to novices, and carry the magic of combining art and technology to others. In other words, they are good teachers, too. That has been my goal in life, and I think I am succeeding (so far)”.

Author: ACM Fellow Perry R. Cook is Professor (Emeritus) of Computer Science, with a joint appointment in Music, at Princeton University. He also serves as Research Coordinator and IP Strategist for SMule, and is co-founder and executive vice president of Kadenze, an online arts/technology education startup.

Tudo o exposto acima justifica a necessidade de aplicarmos o Desing Thinking, onde a diversidade de percepções é essencial, para encontrarmos problemas reais sobre os quais possamos desenvolver ensino e pesquisa de real qualidade de pesquisa e com ampla visibilidade. A qualidade da pesquisa implica em trabalho tecnológico competente apoiado por uma sólida base conceitual e formal. Trabalhar com definições claras de problemas permite, por um lado, termos boas publicações indexadas e, por outro lado, mostrar para a Sociedade que somos de valor para o desenvolvimento. É preciso mudar a mentalidade que um diploma de  curso superior (graduação, especialização etc.) serve para  apenas promoção em alguma carreira pública e não para apoiar uma carreira promissora pessoalmente e de real interesse para a Sociedade.

UFRGS Missão França: alunos preparados para o intercâmbio

Alunos do INF e da Escola de Engenharia partirão em agosto

O projeto CAPES/Brafitec EcoSud, coordenado pelo professor Lucas Mello Schnorr, dá prosseguimento a interação entre o INF e o INP de Grenoble (ENSIMAGGIPHELMA), na França. Para essa edição de 2017/2018 uma nova turma está se preparando para iniciar a missão de estudos no país europeu, todos no âmbito de um acordo de duplo diploma estabelecido entre a UFRGS e o INP. Serão três alunos do INF e quatro estudantes da Escola de Engenharia, que partirão em agosto deste ano.

De acordo com o professor Claudio Geyer, “esta é uma chance única de crescimento pessoal e profissional. Poder conhecer a cultura e o mercado de trabalho de um país como a França, que é uma referência nas áreas de interesses desses alunos, é enriquecedor”.

“Acredito que iremos complementar nossos estudos e conhecimentos com esta oportunidade. Com as experiências adquiridas nessa viajem estaremos mais preparados para enfrentarmos o mercado. Além disso, conhecer uma cultura nova e pessoas com visões de mundo diferentes da nossa irá fortalecer, ainda mais, o nosso caráter”, destaca Leonardo Almeida da Silveira, estudante de engenharia da computação.

Confira a lista dos estudantes:

* Amanda Binotto Braga (ECP, para ENSIMAG);
* Bernardo dos S. Piccoli (MEC, para ENSE3);
* Felipe Heineck (EPR, para GI);
* Giovanna Hubner (EPR, para GI);
* Leonardo Almeida da Silveira (ECP, para ENSIMAG);
* Lucca Sergi Berquó Xavier (CIC, para ENSIMAG);
* Pedro O. Portugal (ELE, para PHELMA).

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Design Thinking {Tim Brown} 2010

Capa Design Thinking

Design Thinking é o conjunto de métodos e processos para abordar problemas, relacionados a futuras aquisições de informações, análise de conhecimento e propostas de soluções. Como uma abordagem, é considerada a capacidade para combinar empatia em um contexto de um problema, de forma a colocar as pessoas no centro do desenvolvimento de um projeto; criatividade para geração de soluções e razão para analisar e adaptar as soluções para o contexto. Adotado por indivíduos e organizações, principalmente no mundo dos negócios, bem como em engenharia e design contemporâneo, o design thinking tem visto sua influência crescer entre diversas disciplinas na atualidade, como uma forma de abordar e solucionar problemas. Sua principal premissa é que, ao entender os métodos e processos que designers usam ao criar soluções, indivíduos e organizações seriam mais capazes de se conectar e revigorar seus processos de criação a fim de elevar o nível de inovação.

Assim, ao utilizar métodos e processos utilizados por designers, o design thinking busca diversos ângulos e perspectivas para solução de problemas, priorizando o trabalho colaborativo em equipes multidisciplinares em busca de soluções inovadoras. Dessa forma, busca-se “mapear a cultura, os contextos, as experiências pessoais e os processos na vida dos indivíduos para ganhar uma visão mais completa e assim, melhor identificar as barreiras e gerar alternativas para transpô-las” . Para que tal ocorra, O Design Thinking propõe que um novo olhar seja adotado ao se endereçar problemas complexos, um ponto de vista mais empático que permita colocar as pessoas no centro do desenvolvimento de um projeto e gerar resultados que são mais desejáveis para elas, mas que ao mesmo tempo financeiramente interessantes e tecnicamente possíveis de serem transformados em realidade. Wikipedia

Há muito tempo tenho ouvido falar nesta metodologia ou forma de pensar soluções. Recentemente passeando por uma livraria ví este título e comprei. O texto é muito interessante, apenas é dated. A tradução brsileira é do livro original co copyright de 2010, nestes anos tuudo mudou. Olhem alguns trechos: “Os aplicativos do Android precisarão ser tão intuitivos e involventes quanto os da Apple ou da Nokia“, ” … servirá de base para s decisões referente às futuras ofertas de produtos da Nokia nos próximos 15 anos“, “nenhum model econômico poderia ter previsto o sucesso do MySpace e do Facebook”,  “A Roku, empresa sediada na Califórnia, fabrica um conversor que permite que as pessoas façam o download de um filme e o assistam em uma televisão comum“. É uma pena que o texto tenha tantas referências a tecnologias atuais da sua época. Por outro lado a essência é realmente muito impactante, tanto que deu origem a toda uma linha de publicações cursos e treinamentos.

A ideia essencial é utilizar a forma de pensar de designers industriais para a modelagem de soluções criativas. O livro prega a análise multidemensional dos problemas com a inclusão de pessoas com múltiplas formações. Esta fase inicial precisa ser muito menos estruturada e contar com a participação livre de ideias, de criação de cenários (storytelling) e contato real com os usuários. Ou seja, descobrir no mundo real as necessidades a serem enfrentadas para soluções revolucionárias. Na minha area, a Academia, tudo isto me fez lembrar um dito bem impactante:

“As Universidades e os cemitérios são refratários às mudanças, os que ali estão não querem se mover”.

Será que não precisamos repensar o nosso comprtamento? Demos sair da Torre de Marfim e desenvolver atividades ligadas aos probelams reais? Isto nõ implica em perda de qualidade, apenas em tratar problemas de interesse da sociedade e não de problemas de interesse de pesquisadores e intelectuais. Afinal é a Sociedade que nos financia (ou deveria). Talvez o descolamento da Universidade e da Pesquisa com as reais necessidades das comunidades seja o motivo principal da crise global de financiamento. Este livro deveria ser lido e meditado por todos os pesquisadores. 

As aposentadorias e a crise


Este artigo surgiu com base em duas situações: a primeira ocorreu em uma reunião com amigos em Paris, estávamos discutindo sobre a aposentadoria; um deles comentou que era um reducionismo falar em uma aposentadoria. O argumento era que não se pode comparar a aposentadoria de um professor da Sorbonne com a de um cheminot trabalhando pesadamente em um linha da estrada de ferro. A segunda foi a minha aposentadoria compulsória, aos jovens 70 anos, na UFRGS (continuo como Docente Convidado atuando ativamente na pesquisa e pós-graduação). O resultado foi esta análise sobre aposentadorias, dai o título do artigo, com ênfase em todos nós que trabalhamos em uma sociedade pós-industrial. 


A aposentadoria é um dos tópicos quentes do momento, em todos os países desenvolvidos está faltando dinheiro para pagar as aposentadorias, qual o motivo? Vejamos um histórico da origem das aposentadorias. Em 1850 uma pessoa tinha a esperança de vida, ao nascer, de cerca de 45 anos. Considerando isto, pouco depois de ficar velha e deixar de trabalhar a pessoa morria. Como os procedimentos médicos eram limitados e simples, na maior parte dos casos a velhice levava brevemente à morte e sem grandes custos financeiros para a família. Mas tudo mudou, a expectativa de vida aumentou no início do século XX. 

Atualmente o Brasil está bem situado na expectativa de vida ao nascimento que praticamente é a mesma que a dos países equivalentes e dos desenvolvidos, conforme o gráfico a seguir. 

Expectativa de vida ao nascer

Com a revolução industrial os sindicatos passaram a ter mais força e a exigir compensações sociais pelo trabalho nas fábricas, criou-se a contribuição social e a aposentadoria. A aposentadoria tornou-se uma necessidade, pois após o término do tempo de trabalho sobraram ainda muitos anos de vida para uma pessoa esgotada pelo trabalho pesado. As famílias ficaram menores e era necessário manter os velhos que já não podiam trabalhar nas indústrias. Ai criou-se a ideia de que gozar a aposentadoria era um direito conquistado.

Na primeira década do século XXI a realidade é novamente diferente. A automação tornou o trabalho mais leve permitindo, assim, que as pessoas pudessem trabalhar muito mais longamente: os músculos foram substituídos pelas máquinas. Os robôs estão eliminando a maior parte do trabalho manual. O setor terciário hoje constitui-se na maior parte das atividades em países desenvolvidos, é mais importante o eu sei do que o eu faço, isto implica em que a idade produtiva foi muito aumentada. Enquanto isto ocorre, no Brasil continuamos vivendo um sonho ilusório de aposentadoria aos 52 anos. Olhem o gráfico a seguir, o Brasil está colocado na última posição em termos de idade de aposentadoria, para ver que precisamos mudar radicalmente esta ilusão de direito conquistado.

 Apesar destas mudanças, aumento da vida e menor esforço físico, a ideia da aposentadoria criada na Era Industrial continua ativa. Aos 50 ou 55 anos um operário estava acabado e precisava se aposentar. Hoje uma pessoa de 65 anos ou mais está perfeitamente produtiva. A aposentadoria, concebida como meio de proteger a velhice, precisa ser revista.

O que é velhice? Gosto da interpretação de Domenico De Masi que caracteriza a velhice como aquele período em que o indivíduo não tem mais condições de saúde para desenvolver atividades produtivas ou criativas. Segundo ele gastamos nos últimos três anos de vida tanto em saúde quanto em todos os anos anteriores! Então o problema social é garantir às pessoas tranquilidade neste período. Velhice, nesta definição, é o período final da vida no qual a pessoa não tem mais condições físicas ou mentais de exercer sua atividade costumeira.

Considerando esta situação a aposentadoria somente deveria ser concedida quando uma pessoa não tivesse mais condições intelectuais ou físicas de trabalhar ou em período muito próximo disto. A falha da interpretação fisiológica do que é que ser idoso cria distorções impossíveis de sanar. É ridículo ver pessoas de 60+ anos estacionando em vagas reservadas para idosos e indo malhar na academia. Evidentemente cada faixa tem suas limitações e suas vantagens, a sabedoria está em maximizar as vantagens pessoais e sociais de cada período da vida. O erro de percepção sobre direitos de aposentadoria, que eram reais na Era Industrial, traz terríveis problemas financeiros, pois recursos escassos estão sendo desviados para a manutenção de pessoas plenamente aptas para o trabalho. 

Agora vamos discutir o que é o trabalho e como ele influi na aposentadoria. No passado trabalho era sinônimo de sacrifício. No mundo ocidental esta percepção foi reforçada pela condenação bíblica de Adão “Comerás o pão com o suor de teu rosto“. Então o trabalho era visto como sofrimento e punição, no Paraíso havia o ócio, depois do “pecado original” o trabalho surgiu como castigo. Hoje o trabalho deve ser integrado com o estudo e com a diversão, como trata magnificamente Domenico de Masi em seu livro “O Futuro do Trabalho“. O trabalho não é mais um sacrifício, mas uma atividade prazerosa.

Vejamos a situação dos professores, em Universidades de Pesquisa. Os professores estão claramente na Era Pós-industrial. Os trabalhadores de grande parte das nações do Clube dos 20 tem , também, condições de trabalho muito próximas desta Era Pós-industrial da economia. O trabalho não é mais uma punição para a humanidade pecadora, mas uma atividade agradável e criativa para as pessoas pós-modernas. Aposentar-se, para estas pessoas, é tirar a possibilidade de crescimento e de contribuição social e transformá-las em um peso para o resto da sociedade. E, além disto, estes aposentados passam a ter que encontrar forma de preencher os 25 ou trinta anos que sobram antes da visita da Velha Senhora. Se não o fizerem vão aumentar as filas de espera dos consultórios dos psiquiatras. Não faz o menor sentido continuarmos com as ideias da Era Industrial. Hoje trabalhar é agradável e criativo.

É impossível continuarmos a pagar pessoas produtivas como se fossem operários aposentados desgastados pelo trabalho rude na linha de produção. Apesar desta mudança o comportamento recentemente continuou a seguir o caminho oposto: em 1960, 72% dos alemães na faixa dos 60 a 64 anos trabalhavam em tempo integral, vinte anos depois eram apenas 44%. Na Holanda a queda foi de 81% para 58% (Postwar, Tony Judt).

A crise econômica internacional está ai para ficar. Uma repercussão no Brasil é a reforma das aposentadorias nos setores público e privado. Esta crise nos força a repensar uma série de modelos que se tornaram ultrapassados. O grande problema é a falta de percepção social de que as sociedades estão gastando muito mais do que podem, tanto em recursos materiais e intelectuais como em recursos financeiros. Por outro lado não é justo culpar os aposentados e esmagá-los sem cobrar o mesmo das empresas (bolsa empresário), das grandes fortunas, de salários exorbitantes e dos bancos. Uma pessoa que planejou toda uma vida com uma previsão de aposentadoria não pode ser traída como se fosse um criminoso causador de uma crise econômica. Regras de transição entre os modelos são absolutamente necessárias. O modelo de sociedade de consumo e o modelo econômico, onde se insere a aposentadoria como conhecemos, estão mortos. A atual reforma do regime de aposentadoria com a definição de idade mínima é necessária para a estabilidade das aposentadorias no futuro. Muitos dos atuais professores, entendendo os riscos de quebra do sistema público, já tem um plano individual de capitalização.

Por outro lado, nas Universidades, é inadequado perder a experiência de pesquisadores seniores com 60 anos ou mais por considerá-los velhos inadequados. É necessário associar suas experiências com a energia e inexperiência dos mais jovens. Caso contrário teremos a perda da experiência somada ao aumento da carga econômica dos novos que deverão contribuir para a manutenção de pessoas totalmente capazes de trabalhar. Felizmente a aposentadoria compulsória nas federais foi aumentada para 75 anos, mas nada foi feito quanto a idade mínima. O modelo de aposentadoria tem que ser completamente repensado. O mundo mudou, o velho modelo está morto, mas ainda não tivemos a coragem de criar um novo modelo adaptado aos tempos atuais.

A aposentadoria deve ser vista como terminal, uma pessoa só poderia se aposentar das atividades realmente exercidas e nos horários em que trabalhava. Após a aposentadoria um novo trabalho implicaria em cassação da mesma. As aposentadorias públicas são baseadas em fluxo de caixa dos ativos para os aposentados. Se os governos tivessem capitalizado as contribuições durante o período em que havia muito mais ativos do que aposentados a situação seria outra. Parece que em nenhum país é possível manter a seriedade dos governos, o dinheiro das contribuições para a previdência entra sempre para a caixa única, portanto a solução é a aposentadoria ser baseada em fluxo de caixa: os aposentados são mantido pelas contribuições dos ativos.O sistema vai desmoronar se corajosas atitudes não forem tomadas, ainda mais com o aumento das despesas de saúde dos idosos.