Diversidade na pós-graduação


DiversidadeUm assunto que precisa ser discutido é a diversidade cultural e de perfis de trabalho na pós-graduação. Atualmente está aceito que a diversidade nos grupos sociais e acadêmicos é um dos melhores fatores para aumentar a eficiência e a criatividade. Culturas, gêneros e opiniões diferentes favorecem o convívio e abrem novas possibilidades para o tratamento dos temas de trabalho. Pergunto: “Por que isto não acontece nas pós-graduações?”. O consenso é que só devem participar dos programas professores-pesquisadores com um número alto de publicações em journals com alto fator de impacto. Mas um grupo criativo é algo bem diferente. Vejamos a sinopse do Livro “Criatividade e Grupos Criativos” de Domenico De Masi: 

A maior parte das criações humanas é obra não de gênios individuais, mas de grupos e de coletividades nos quais cooperam personalidades concretas e personalidades fantasiosas, motivadas por um líder carismático, por uma meta compartilhada. Hoje, mais do que nunca, todas as descobertas científicas e as obras-primas artísticas não decorrem do lampejo de gênio de um único autor, mas do aporte coletivo e tenaz de trabalhadores, troupes, teams, squadre, equipes. Não são mais do que etapas de um processo sem pontos de partida nem pontos de chegada, em que forças contraditórias como linhas retas e linhas curvas, razão e intuição incessantemente se alternam e entrelaçam. Talvez na sociedade pós-industrial esses dois opostos possam finalmente chegar a uma síntese feliz. Para isso, De Masi apela às neurociências, à psicanálise, à psicologia, à epistemologia e sobretudo à sociologia – compreendendo as dinâmicas secretas do processo criativo, quem sabe não se possa aumentá-lo e colocá-lo em sintonia com a eterna aspiração humana pela felicidade.

Está na hora de repensarmos nossos critérios excludentes. Os coordenadores de programas de pós-graduação expurgam ótimos professores (que poderiam ministrar ótimas aulas) para aumentar os índices CAPES. Isto é uma exclusão. Aqueles que são dotados para a implementação também são excluídos, sobram apenas os publicadores. Com este comportamento perdemos muitas pessoas que seriam importantes para a formação de nossos alunos e para o desenvolvimento dos projetos. Isto sem contar com a criatividade oriunda da diversidade de perfis. O ponto central não é a qualidade e criatividade do grupo, mas sua adequação à bibliometria avaliativa. Se quisermos qualidade real será preciso uma profunda mudança em nossos critérios.

Lendo a Communications of the ACM de outubro de 2016 encontrei um artigo magnífico: Addind Art to STEM. Neste artigo um dos bloggers da CACM trata da forte interação e resultados obtidos com a combinação da Música com a Computação. Tenho tratado eventualmente deste tema em posts e em um artigo para o Encontro sobre os Grandes Desafios 2006-2016 da SBC. Cada vez mais estou convencido que precisamos refundar o nosso modelo corporativista de considerar que as areas de conhecimento são herméticas e só os que aderem a esta visão podem ser os eleitos. Leiam este trecho do artigo citado:

“Specialization is necessary to garner expertise, but striving and working to become a skilled multidisciplinary generalist creates a whole person that can create, cope, build, refine, test, and use in practice. Plus, they can explain difficult concepts to novices, and carry the magic of combining art and technology to others. In other words, they are good teachers, too. That has been my goal in life, and I think I am succeeding (so far)”.

Author: ACM Fellow Perry R. Cook is Professor (Emeritus) of Computer Science, with a joint appointment in Music, at Princeton University. He also serves as Research Coordinator and IP Strategist for SMule, and is co-founder and executive vice president of Kadenze, an online arts/technology education startup.