Carta de Motivação – seleção para a Pós

Nos últimos anos tenho, ao lado de excelentes alunos, recebido um numero crescente de candidatos que desistem rapidamente do curso ou que apresentam desempenho fraco nas disciplinas. Muitos candidatos a alunos especiais na pós-graduação aparentemente estão buscando realmente um curso de especialização ou de extensão e não um projeto de formação para a pesquisa e desenvolvimento avançados. Resolvi, então, pensar em um instrumento chave no processo de seleção para as empresas: a Carta de Motivação.  A partir de agora este será um elemento central no meu processo de aceitação de candidatos. O que é isto? Uma Carta de Motivação é um documento onde o candidato expõe claramente suas ideias e a motivação para a atividade. Vejamos como deve ser redigida.Em primeiro lugar não escreva, pense antes de abrir o editor de textos! Apesar de eu ter um site Web e de ser possível obter inúmeras informações sobre as atividades desenvolvidas, sobre os projetos de pesquisa e sobre a minha visão sobre a pós e a pesquisa aparentemente os candidatos não se dão ao trabalho de lê-las. Nestes últimos anos candidatos ao mestrado desistiram do curso, pois não encontraram assunto de seu interesse, então o que haviam vindo fazer aqui? A primeira coisa a fazer ao pretender a admissão em uma empresa ou em um programa de pós-graduação é estudar sobre as atividades desenvolvidas, sobre os valores que o programa e o orientador defendem. Ao ler a Carta de Motivação deve ficar claro que não é a centésima cópia de uma carta-padrão enviada ao mundo, mas uma declaração de interesse específica e focada na instituição alvo da submissão. O maior desgaste para um candidato é o orientador, falando com seus colegas no cafezinho, descobrir que o mesmo mandou exatamente e ao mesmo tempo um e-mail padrão para todos os colegas do departamento. Procure buscar informações sobre as atividades de pesquisa do orientador desejado, veja as teses e dissertações orientadas e procure entender sua visão de mundo. Se você não estiver motivado e alinhado com o que encontrou, procure outra instituição ou outro orientador. Uma Carta de Motivação deve ter três partes vós/eu/nós. Para começar o texto não deve ser maior do que uma página impressa com fonte 12 pontos, se você não conseguir convencer neste tamanho não adianta escrever todo um artigo. O início deve ser ligado ao programa e orientador pretendidos. Mostre que você conhece o tema central de trabalho do grupo. A seguir vem a parte do eu, por favor, nada de “pretendo ser útil à sociedade seguindo este curso”, “acredito que é dever de cada brasileiro…”. Explique claramente o motivo de querer entrar para este grupo, seja objetivo e mostre como seu passado justifica sua decisão. Nada de “pretendo ser aceito neste grupo por sua excelência e reconhecimento acadêmico”.  Se o grupo não fosse bom porque você gostaria de se associar ao mesmo? Valorize os pontos fortes de seu percurso: multidisciplinariedade em tópicos de pesquisa; suas capacidades linguísticas; experiências de intercâmbio; seu projeto profissional ou sua formação teórica. Lembre-se que a Carta de Motivação complementa o currículo, não é uma forma textual do mesmo. Finalmente procure mostrar o que suas competências podem contribuir para o grupo, esta é a parte “nós”. A falta de precisão é um dos grandes defeitos que podem enfraquecer uma proposta. Todo o orientador tem um custo envolvido no processo de aceitação de um aluno, seja pela perda de tempo com um insucesso, seja pelo enfraquecimento de uma turma com alunos pouco motivados. Uma seleção errônea pode significar que um candidato mais apto pode ter sido excluído no processo. Dificilmente alguém acredita em “boas intenções” você deve demonstrar no que suas competências acadêmicas e qualidades pessoais são adequadas. Apresente fatos objetivos e verificáveis sobre seu percurso: desenvolvi tal algoritmo ou sistema; publiquei os resultados de meu trabalho na conferência A; participei como voluntário na organização da conferência X; fui bolsista do PET em Y. Desculpas só o enfraquecem: não consegui publicar, pois meu grupo era fraco; tenho dificuldades com matemática; o inglês é um obstáculo para mim. Primeiro vença seus problemas, hoje há formas de apoio para quase todas as dificuldades encontradas. Entusiasmo, entusiasmo, entusiasmo! Chega de admiradores da música “Não estou nem ai…” precisamos de pessoas que acreditem e façam! Utilize verbos de ação: ‘decidir’, ‘organizar’, use tempos verbais futuros. Não use voz passiva. Mostre sua vontade: pretende o que? Vai utilizar as competências adquiridas como? O que pretende fazer na vida? Coloque-se à disposição para uma entrevista.Finalmente cuide da escrita.  Erros de português, frases mal construídas, ideias confusas levarão sua carta diretamente para a pilha errada. Comunicação escrita é essencial. Utilize frases simples e bem construídas, elimine erros de ortografia, Uma Carta de Motivação mal escrita é a porta de saída direta do processo de seleção.Leia mais em: Carreiras em Universidades e em Prepare-se para uma entrevista de seleção para a pós-graduação

PS: este texto foi inspirado fortemente na seção: “Les Règles d’une Bonne Lettre de Motivacion” publicada no Le Figaro Étudiant, Guide de l’Alternace, France, 2013.